Ao sabor do vento

Em 2012 Ricardo Rio prometia regenerar a Rodovia, com a “Nossa Avenida”, nela introduzindo uma solução de transporte público eficaz, rápido, cómodo, e ao mesmo tempo que nesta “Nossa Avenida” surgiam, também, ciclovias. O futuro da cidade era a mobilidade, era a bicicleta e o Transporte Público.

Em maio de 2014 o Plano Diretor Municipal de Braga passava a ter uma rede ciclável de 76 km! “Ciclovias à porta de 100 mil pessoas”, era o título das notícias.

Em setembro de 2016, numa outra notícia, as velocidades excessivas dos carros na rodovia eram uma ameaça para as pessoas, e em breve iam ali ser introduzidas técnicas para reduzir velocidades e aumentar a segurança. Também se lê nessa altura que “nos próximos meses serão colocados semáforos no atravessamento da Avenida Júlio Fragata”, ligando a Rua D. Pedro V à Rua Nova de Santa Cruz.

Em dezembro de 2016, o Município de Braga, por “ausência de recursos próprios”, contratou o “Projeto de Execução de Inserção Urbana de Transporte Público na Rodovia, entre a Rotunda da Universidade do Minho e a Rotunda Santos da Cunha”.

Este projeto contempla ciclovias e vias BUS na Rodovia, “promovendo um esquema viário compatível com o futuro projeto BRT”, lê-se nos documentos do projeto que o Município enviou à Braga Ciclável.

Em dezembro de 2017 o projeto foi aprovado pelo executivo municipal para ser executado.

Em janeiro e fevereiro de 2018 as notícias multiplicavam-se: iam “humanizar a Rodovia”. A grande bandeira da mobilidade iria entrar em obras.

Entretanto… silêncio. Inação. Imobilidade. Deixar tudo na mesma.

A Braga Ciclável perguntou o porquê do silêncio. A resposta veio por carta: uma reunião informal tinha invertido a decisão da reunião formal. Uma reunião informal suspendeu uma decisão de um executivo. Sem fundamentação. Só porque sim.

Três anos depois de se anunciar que se ia humanizar a Rodovia, que se iam criar ciclovias e corredores bus, com projeto pronto a ser executado, vem-se dizer que, afinal, não querem mexer no espaço do carro. O carro é o principal responsável por cerca de 25% das emissões de CO2, da sinistralidade na cidade e ocupa demasiado espaço público.

Afinal, depois de muitos estudos e projetos elaborados, vão continuar a brincar às bicicletas, e pintar uns passeios e marcar umas bicicletas no chão. Entretanto, as pessoas continuam com medo de andar de bicicleta em Braga e correm riscos para o fazer.

Quantas vidas se perderam nestes anos por se ter cruzado os braços e não se ter feito absolutamente nada nas principais Avenidas da cidade?

Andamos sem estratégia, sem planeamento, sem execução. Na mobilidade, andamos ao sabor do vento.

Mário Meireles

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