É natural que o leitor não saiba mas está a decorrer até dia 31 o denominado “período de discussão pública” do Plano de Mobilidade de Braga com o propósito, segundo a Câmara, de “promover a recolha de contributos e sugestões, que irão [ser] analisadas com vista à respectiva incorporação no documento”. O trânsito, ou melhor, as dificuldades de mobilidade devem ser das maiores preocupações bracarenses e, seguramente, uma das maiores razões de queixa em conversas privadas, no café ou nas redes sociais. E, apesar dessa importância nas nossas vidas, ninguém parece interessado ou sequer informado sobre a elaboração do tal plano e, ainda menos, da sua discussão pública. Terão os cidadãos razão para estarem alheados de tão importante plano?

Têm todas as razões! Em primeiro lugar, a altura do ano escolhida pela Câmara Municipal para a discussão: o mês de dezembro. A Câmara optou pelo momento que lhe dá mais jeito mas seguramente o menos fácil para os cidadãos atarefados entre os inúmeros compromissos deste período, as férias dos adultos e das crianças, os feriados, a passagem de ano e as deslocações familiares ou em lazer para fora.

Depois, o empenho do Município para que participemos é quase nulo: uma ou outra notícia nos jornais, pouquíssima informação na net – tão pouca que uma pesquisa remete-nos ao fim de poucos resultados para outros municípios mais ativos. Certamente que não é por aqui que temos um plano de 3ª geração como se auto-anuncia.

Mas mesmo que estejamos informados da discussão e queiramos contribuir o problema que se põe a seguir é de que forma e para quê. A primeira dificuldade é encontrar onde participar. Não existe qualquer página da internet para o efeito. O portal municipal «Braga Participa» existe mas não lhe faz qualquer referência. A custo lá se encontra uma página no site da Câmara que nos convida a descarregar um documento. O “documento” é uma série de ficheiros com plantas, 450 páginas de texto e uma apresentação feita à pressa. Um calhamaço onde tudo parece já definido e onde o cidadão não cabe. Que tipo de participação espera a Câmara ter senão meia dúzia de comentários centrados em questões técnicas?

É o contrário do que se deve fazer em planeamento. Importava discutir as linhas gerais da cidade que queremos: se mais pedonal e ciclável ou com mais automóveis; se mais lenta e segura ou mais veloz mas com uma vergonhosa taxa de atropelamentos; se queremos que as crianças possam ir sozinhas para a escola ou se devemos manter o modelo de as levar de carro até à porta; se os autocarros devem ter primazia ou não; etc.

Pôr a cidade a discutir questões técnicas é uma pura perda de tempo. É natural que depois surja incompreensão igual à dos moradores da zona da Makro surpreendidos com as obras no seu “bairro”.