A bicicleta levou o amor mais longe

Sombras de bicicletas, em Braga

Descobri o encanto por andar de bicicleta quando me apaixonei sem medo. Pedalava atrás do amor, para apanhá-lo, para não o deixar ir para longe, depois comecei a pedalar à frente para não permitir que ele fosse para outro sítio sem mim. A bicicleta é esse veículo que aproxima pessoas, que nos põe num caminho.

A bicicleta levou-nos por tantas estradas sem nome, perdemo-nos juntos, enganamo-nos no caminho e voltamos para trás. Ficamos vulneráveis em todas as estradas perigosas por onde andamos mas abraçamos os riscos, não desistimos de ir de bicicleta até onde queríamos, e na realidade cruzamos algumas fronteiras, dentro e fora.

Ouvíamos a respiração um do outro em subidas que nos ultrapassavam, percebíamos que estávamos cansados mas que estávamos ali, os dois, a puxar a nossa máquina para chegarmos a um lugar mais alto.

Nesse sítio víamos diferente, esquecíamo-nos de tudo, a bicicleta fazia isso por nós. Reencontrávamo-nos.

Descobrimos que cada um tem a sua forma de pedalar e de amar. A cadência e o esforço podem ser diferentes e algumas estradas dificultam bastante a viagem. Mas o que cada um leva do percurso é assunto apenas entre si e sua bicicleta.

Quem anda de bicicleta a dois sabe bem que é uma companhia que se deixa fazer sozinha. É bom ter alguém com quem partilhar as coisas boas e más do trajecto mas no fundo estamos sozinhos a dar ao pedal. Somos nós e a nossa força.

Que não falte amor, bicicletas e caminhos para andarmos… mais seguros.

Sara da Costa
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