Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?


Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.
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Orçamento Participativo 2017 – Via Ciclável na Avenida 31 de Janeiro

Orçamento Participativo 2017 – Via Ciclável na Avenida 31 de Janeiro


Na sequência da recolha e avaliação de 103 propostas apresentadas pelos cidadãos para o Orçamento Participativo de 2017, foram aprovados 67 projetos para a 1ª fase de votação, que já se encontra a decorrer até ao próximo dia 19 de setembro. A votação é feita através do site do Orçamento Participativo de Braga e podem votar todos os cidadãos com idade igual ou superior a 16 anos, que residam, trabalhem ou estudem no concelho de Braga. Este ano, na 1ª fase de votação, cada votante deve selecionar um projeto por categoria, perfazendo assim um total de 6 votos por pessoa.

Das propostas apresentadas na área da mobilidade, destacamos uma que está diretamente relacionada com a causa que defendemos neste espaço: a promoção do uso da bicicleta e transportes públicos, e o aumento da segurança para peões e ciclistas:

OP17/PROJ016 – Via para ciclistas na Av. 31 de Janeiro

avenida-31-de-janeiro

A cidade de Braga apresenta-se como muito adequada para promover a bicicleta como modo de transporte, mas, para tal acontecer, é necessário criar condições de segurança para todas as pessoas que queiram usar a bicicleta. As questões de segurança são especialmente sensíveis para que as pessoas possam circular de bicicleta na cidade com todo o conforto e segurança. A resolução dos pontos críticos, como cruzamentos e rotundas, é também fundamental para a promoção do uso da bicicleta como meio de transporte.

As avenidas 31 de janeiro e Porfírio da Silva constituem um eixo estrutural da cidade com ligações a diversos equipamentos (centros de saúde, ciclovia do rio Este, escolas, tribunal, centro da cidade, Segurança Social, mercados, talhos, entre outros). Este projeto sugere a criação de pistas cicláveis nesse eixo (com pavimentação e criação de via adequada) e nas ligações dessas avenidas às escolas instaladas na zona (Alberto Sampaio, Carandá, Companhia da Música, André Soares, D.ª Maria II, São Lázaro, Carlos Amarante, São Vítor, Calouste Gulbenkian) na faixa de rodagem, sem prejuízo do espaço do peão. Sugere-se ainda a introdução duma via BUS na Av. 31 de janeiro, permitindo assim a circulação de diversos modos de transporte (peão, bicicleta, autocarro e automóvel) em espaço próprio, acomodando todos.

Trata-se de uma proposta que vai de encontro ao que a Associação Braga Ciclável vem defendendo desde sempre e que estamos certos de que traria importantes mais-valias para a cidade. Incentivamos por isso os nossos amigos e associados a votarem neste projeto e a contribuírem também para a sua divulgação junto dos vossos amigos e conhecidos, para que também possam participar.

A este propósito, vale a pena ainda recordar que no ano passado, no Orçamento Participativo de 2016, este mesmo projeto foi o mais votado na área da Mobilidade.

Esta 1ª fase de votação decorre até ao dia 19 de setembro. Posteriormente, de 20 a 30 de setembro, haverá a 2ª fase de votação, em que cada cidadão deverá escolher dois projetos de entre os trinta que tiverem sido apurados nesta primeira fase.

No dia 9 de outubro são dados a conhecer os projetos mais votados.

Participe! Vote aqui!

Uma ciclovia ao longo de toda a Avenida 31 de janeiro


Há algum tempo atrás, trouxemos aqui à baila a ideia de que faria sentido construir uma ciclovia ao longo da Avenida da Liberdade. Um leitor atento dedicou algum do seu tempo a comentar a ideia, partilhando também a sua experiência e a sua opinião sobre este assunto.

 

Boa noite!

Primeiramente quero dar os parabéns pela iniciativa. E partilhar a minha experiência como ciclista pelas ruas de Braga.

Também sou um dos cidadãos desta cidade que por um conjunto de situações (económicos, e porque algumas viagens a cidades europeias me abriram os horizontes) decidiu começar a fazer deslocações maiores de bicicleta.
Por norma já fazia circuitos pequenos a pé, e apenas utilizava o carro caso tivesse apertado em tempo. E neste momento sinto-me conquistado a este tipo de transporte e só aponto três problemas para andar de bicicleta em Braga:

  • claro que a 1º queixa será dirigida às vias, têm de ser alteradas, e realmente penso que seria importante reformular a Avenida da Liberdade, mas penso que seria mais fácil alterar a 31 de Janeiro, pela própria disposição da avenida, tem duas vias bastante largas de peões, e porque nesta via circulam menos peões do que na avenida da liberdade, o que ajudaria na “aceitação” dos pedestres destas alterações, além disso esta avenida tem nas suas proximidades 4 escolas, e ajudaria a fomentar a utilização a utilização da bicicleta desde tenra idade (em vez de os pais irem levar os filhos à escola); e também por razões que escuso enumerar seria importante ter uma ciclovia que ligasse a Universidade do Minho até ao centro histórico e à estação de comboio.
  • outra situação que me deparo, e já há um post sobre isso, no centro da cidade (sem falar de outros pontos de interesse, perto de edifícios públicos ou de saúde) não existem locais para guardar a bicicleta, o que me leva a prende-la a candeeiros públicos, o que eu sinto como sendo abusivo da minha parte, e torna-se bastante inestético.
  • as pessoas em Braga ainda criticam os ciclistas (a não ser que estes estejam com um equipamento desportivo, porque num contexto de lazer/desporto nunca me senti julgado), o que me leva a pensar que antes de mudar infraestruturas convém mudar mentalidades (urgentemente).

Cumprimentos, e espero que mais pessoas adiram a este blog, e se juntem por uma causa comum que beneficiará todos.

 

Confesso que, quando escrevi o artigo acerca da Av. da Liberdade, ainda pensei em incluir um ou dois parágrafos sobre a 31 de janeiro. Mas, para evitar alongar-me demasiado, acabei por optar por deixar para outra altura. É chegada a hora!

Evidentemente, concordo com o João no essencial: para além dos estacionamentos para bicicletas (que é urgente criar!), uma ciclovia na Av. 31 de janeiro faz todo o sentido e talvez seja até mais fácil de implementar do que na Av. da Liberdade. O acesso seguro às escolas e universidades em bicicleta deve ser uma das prioridades.

Em primeiro lugar, cumpre salientar que a Av. 31 de janeiro é já utilizada diariamente por muitos ciclistas como uma das principais vias de acesso ao centro. Dado que o eixo Rua Nova de Sta. Cruz – Rua D. Pedro V (importante para quem vinha de Gualtar e freguesias adjacentes) se encontra interrompido a meio pela Av. Padre Júlio Fragata, a forma mais direta de vir para o centro a partir de Gualtar passou a ser pela João XXI e pela 31 de janeiro. Infelizmente, a velocidade do trânsito motorizado nessas vias e a disposição das várias faixas de rodagem desencorajam a maior parte dos ciclistas de circular normalmente. Muitos ciclistas circulam assim pelos passeios, numa situação que, mesmo sendo compreensível, não é nada desejável.

A pensar neste assunto, decidi percorrer de bicicleta toda a extensão da Av. 31 de janeiro, mas começando um pouco mais abaixo, na Av. Porfírio da Silva.

A ser criada esta ciclovia, julgo que seria boa ideia prolongá-la até ao final da Av. Porfirio da Silva, que é no fundo a continuação, em linha reta, da Avenida 31 de janeiro.

Avenida Porfírio da Silva

Ora, onde eu coloco algumas reservas é quanto à eventualidade de se retirar espaço aos passeios para instalar a ciclovia. A dificuldade em fazê-lo advém, em parte, da existência de um grande número de árvores (que conferem, afinal de contas, o aspeto aprazível que tem esta via). Em vários locais, o espaço disponível nos atuais passeios é insuficiente para a criação de uma pista ciclável partilhada com peões e com separador, com as medidas internacionalmente recomendadas. Ou seja, corremos o risco de deixar de ter um passeio usado “abusivamente” por ciclistas, para passarmos a ter mais uma ciclovia usada abusivamente por peões…

Avenida Porfírio da Silva

Uma solução alternativa, e quiçá preferível, passaria por manter as árvores e os passeios, e optar antes por redistribuir o espaço das diversas faixas de rodagem, criando pistas cicláveis para ambos os sentidos de circulação. Seria importante acautelar, obviamente, a separação física sempre que o sentido de circulação dos ciclistas fosse contrário ao do restante trânsito. Seria também de importância crucial a implementação de cruzamentos seguros, talvez seguindo este exemplo que já há dias aqui apontamos.

Porque, se repararmos bem, as diferentes faixas da 31 de janeiro acabam por ter diferentes fluxos de veículos, como se pode ver nesta foto, tirada de manhã, com o semáforo vermelho na Senhora-a-Branca.

Avenida 31 de janeiro

Reorganizando o espaço da avenida, poderíamos por exemplo eliminar esta faixa da direita e criar corredores de circulação para ciclistas. Junto ao semáforo, poderia haver uma Bike Box, ou outra solução parecida, para permitir aos ciclistas passarem em segurança para o lado esquerdo, para seguir para a Av. Central, Rua do Raio, etc. Os semáforos deveriam incluir luzes específicas para ciclistas, indicando por exemplo que poderiam virar à esquerda enquanto os carros das outras faixas estivessem com sinal vermelho.

A grande vantagem desta abordagem, claro, seria manter os atuais passeios, com a suas esplanadas e os seus quiosques, e continuar a promovê-los cada vez mais como espaço de circulação e de convívio para todos…

Avenida 31 de janeiro

Braga Ciclável intervém na Assembleia Municipal de Braga para reivindicar zero atropelamentos

Braga Ciclável intervém na Assembleia Municipal de Braga para reivindicar zero atropelamentos


Esta sexta-feira, dia 19 de julho, a Braga Ciclável, representada pelo médico Arnaldo Pires, participou no período do público da Assembleia Municipal para alertar para o problema da segurança de peões e ciclistas e reivindicar a necessidade urgente de implementar medidas efetivas com vista à eliminação dos atropelamentos em Braga.

O texto lido durante a intervenção foi o seguinte:

Excelentíssima Sra Presidente da Assembleia Municipal
Sr Presidente da Câmara
Srs Vereadores municipais
Srs Deputados municipais

O que me traz cá hoje são os atropelamentos no nosso concelho!

Num concelho que apresenta cerca de um atropelamento em cada 3 dias, relembramos Sebastião Alba, poeta bracarense, que morreu após ser vítima de atropelamento, em 2000, uma das muitas vítimas de atropelamentos que se conhecem no concelho.

O movimento #BragaZeroAtropelamentos tem alertado para esta problemática, destacando que muito há a fazer, para que este número se aproxime do ZERO. O movimento, criado no seio da Associação Braga Ciclável, já reuniu com as diversas forças políticas e de segurança, do concelho, no sentido de cativar os diversos agentes do poder, para que se implementem alterações na mobilidade, de forma a reduzir a nossa sinistralidade rodoviária.

Segundo a OMS, a nível da sinistralidade rodoviária, mais de metade das mortes dizem respeito a utilizadores vulneráveis. A média europeia, em 2015, era de 11 peões vítimas mortais por milhão de habitantes, e em Portugal de 14. Ou seja, estamos quase 30% acima da média europeia, num indicador onde o objetivo tem de ser Zero. Em Braga, nos últimos 20 anos, desenrolaram-se 2391 atropelamentos, e se acrescentarmos as colisões entre veículos ligeiros e utilizadores de bicicletas o número sobe para 2657 casos, de onde resultaram 55 mortos.

Em 1997, na Suécia, decidiu-se que era fundamental resolver a problemática da sinistralidade e desenvolveram o projeto Visão Zero. Com o foco na redução da mortalidade, os suecos implementaram medidas de segregação, dos intervenientes na mobilidade urbana, tendo obtido uma redução de 66% de mortes por acidentes rodoviários. Neste momento, a Suécia apresenta 2,8 mortes por cada 100.000 habitantes e Portugal 5.1.

Entretanto outros países seguiram esta visão e atingiram semelhantes benefícios, na sinistralidade.

Um aumento de 1% da velocidade automóvel aumenta o risco de acidentes fatais em 4%. Já uma redução de 5% da velocidade reduz em 30% o risco de acidentes fatais. É necessário implementar medidas de contenção da velocidade, no centro urbano. Em 2018, 70% dos Atropelamentos, em Portugal, ocorreram dentro de localidades.

A implementação de zona urbana com velocidade máxima de 30Km/h, é urgente, contudo não basta colocar sinaléticas e pintar o asfalto, é preciso introduzir nas vias de circulação automóvel obstáculos físicos que obriguem ao cumprimento do limite de velocidade.

No nosso concelho descura-se o peão e os utilizadores de bicicleta, seja pelo ruído, pela poluição, ou pela perigosidade de determinadas vias.

Sou médico e trabalho no Serviço de Urgência, Unidade de Cuidados Intermédios e VMER de Braga. Já assisti imensos atropelados. Conheço bem a realidade da cidade, no que toca a esta problemática.

É hora de:

  • averiguar os “pontos negros para os utilizadores vulneráveis” e aplicar ações com vista ao seu desaparecimento;
  • estimular a efetiva redução da velocidade automóvel, na malha urbana;
  • proceder à correta sinalização das vias de coexistência, sobrelevar as passadeiras e a proibir o estacionamento automóvel, ou colocação de outros obstáculos, 5 metros antes e depois das mesmas;
  • realizar operações permanentes de fiscalização da velocidade, nas ruas e avenidas da cidade, como sejam as avenidas que compõem a Rodovia, Avenida da Liberdade, 31 de Janeiro, Júlio Fragata, D. João II e Avenida Imaculada Conceição;
  • garantir a defesa dos utilizadores vulneráveis, levando a que criem campanhas que coloquem o ónus e o foco no veículo e não na vítima; criar Zonas Escola, garantir a existência de passeios, em todas as vias públicas e a segregação de todos os intervenientes na mobilidade, nos casos em que esta é necessária.

Só com uma visão mais humanista e democrática da mobilidade, teremos garantias de promoção da mobilidade ativa e segura, o acesso a estilos de vida saudáveis e diminuição da mortalidade.

É hora desta assembleia decidir mudar a visão da mobilidade do nosso concelho, colocando a vida humana em primeiro lugar, no momento de encontrar a melhor solução para a deslocação das pessoas.

Obrigado.

Braga Ciclável reuniu com PSD

Braga Ciclável reuniu com PSD


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 15 de julho, com a concelhia de Braga do Partido Social Democrata (PSD). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Hugo Soares, João Granja e Joaquim Barbosa, do PSD, e Arnaldo Pires, Mário Meireles, Victor Domingos, Manuela Sá Fernandes e Rafael Remondes, da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes. Deu ainda nota do longo historial de estreita colaboração com o Município de Braga, tanto com o executivo PS como com o executivo da Coligação Juntos Por Braga.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, com um grupo multidiciplinar a dar suporte ao movimento que tem como ponto comum a falta de segurança ao circular a pé ou de bicicleta em Braga. Isso é comprovado com o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Destacou, por isso, a necessidade de “focar a mobilidade nas pessoas, tornando-a mais humana e menos máquina, levando assim a uma melhoria da qualidade de vida para os Bracarenses que hoje se deparam com 1 atropelamento a cada 3 dias”.

O movimento #BragaZeroAtropelamentos tem como base a iniciativa sueca Visão Zero, que se iniciou na década de 90 do século passado, e que fez com que todo um país conseguisse em poucos anos implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos.

Arnaldo Pires deu ainda o exemplo de outras cidades, como Bogotá ou Pontevedra e explicou que o objetivo deste movimento criado pela Braga Ciclável é levar o Município a implementar medidas que reduzam efetivamente as velocidades de circulação em meio urbano e a criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, por forma a permitir que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança, intervindo para tal em eixos estruturantes, mas, também, junto das escolas. Sugeriu ainda que sempre que esteja prevista uma intervenção numa determinada rua da cidade, seja ela de que jurisdição for, o projeto contemple medidas que melhorem as condições para quem pretende deslocar-se a pé ou de bicicleta. Por fim deixou algumas medidas concretas a título de sugestão, como sendo fechar ao trânsito motorizado certas zonas junto das escolas, impedir fisicamente os estacionamentos junto a cruzamentos ou passadeiras, retirar contentores do lixo junto às passadeiras, segregar todos os intervenientes das ruas e intervir nos pontos críticos onde são registados atropelamentos de forma recorrente: Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Rua Cidade do Porto, N101 – Nogueiró, e outros que estão a ser mapeados pelo movimento #BragaZeroAtropelamentos, em conjunto com as forças de segurança da cidade.

Por sua vez, o presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, sugeriu ainda que se reduza o número de vias de circulação na Avenida 31 de Janeiro. “Uma avenida que em 40% da sua extensão já só tem duas vias e funciona, levando inclusive a velocidades mais reduzidas”, lembrou. Recomendou também a alteração da Avenida da Liberdade, que “hoje em dia tem duas das suas cinco vias de trânsito com estacionamento em segunda fila, ou seja, a avenida funciona com 3 vias de trânsito automóvel”, e da Avenida Imaculada Conceição, que desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e também funciona. “Ao reduzir as vias vai-se conseguir reduzir o volume de automóveis e, também, uma redução da velocidade”, refere.

Avenida Imaculada Conceição – desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e funciona.

Mário Meireles reitera que as pessoas em Braga só vão passar a utilizar modos ativos se o puderem fazer em segurança, deixando ainda números sobre a realidade de cidades centradas no automóvel: no máximo, apenas 3% da população pedala em cidades sem infraestrutura segura. Assim, defende que se avance com medidas pontuais e mais rápidas de implementar, com menos custos, e que se vá avaliando o impacto das mesmas. Deixou ainda a nota para que ao se construirem as ciclovias se evite a todo o custo os erros técnicos que cidades como Guimarães e Vila Verde cometeram. “Pintar passeios de vermelho, ou com uns pictogramas, não é construir uma rede ciclável, é potenciar conflitos entre pessoas que andam a pé e de bicicleta, provocando um efeito contrário aos que se pretende, despromovendo assim a utilização destes dois modos”, alerta o presidente da Braga Ciclável.

Hugo Soares afirmou que entendia as reivindicações da Braga Ciclável, agradecendo a apresentação das propostas. Relembrou que quem decide precisa de ter uma visão mais holística que vai mais além do que as bicicletas, sendo que cabe aos eleitos tomar essas decisões, podendo estes ouvir a sociedade civil, e salientou que “esta é também uma imagem de marca deste executivo: envolver as pessoas”. Deu nota que a concelhia do PSD tentaria sensibilizar para a problemática, acreditando que o Plano de Mobilidade que o Município contratou irá solucionar as questões.

João Granja deu nota que foi aprovada por unanimidade, em sede de Assembleia de Freguesia de São Victor, uma proposta levada pela CDU, relativamente à sinistralidade rodoviária e aos atropelamentos, demonstrando assim algo que a Braga Ciclável tem vindo a defender, ou seja, que a mobilidade ativa e a segurança rodoviária é um tema transversal e que pode, e deve, gerar consensos entre todas as forças partidárias e associativas da cidade. Ao mesmo tempo, questionou qual a opinião da Braga Ciclável sobre o projeto da Requalificação da Variante da Encosta. A associação mostrou-se agradada com a requalificação, mas apreensiva com o tipo de implementação previsto para a sua expansão até à Universidade do Minho. João Granja relembrou ainda que a cidade é muito conservadora, dizendo que tem consciência que “ainda somos uma cidade que valoriza muito o automóvel, a individualidade e que ainda há algum status associado à posse do mesmo”. No entanto defendeu que é necessário dar passos sólidos, criar espaços para circulação, haver uma consciencialização das pessoas, campanhas e trabalho integrado para o uso dos modos ativos, numa lógica de progressão em várias frentes.

Rafael Remondes deu conta que a falta de rede é um problema gritante na cidade de Braga e que a requalificação e expansão não vão resolver este problema. Deu como exemplo a falta de ligação entre a Rua D.Pedro V e Rua Nova de Santa Cruz, cada vez mais utilizadas por estudantes universitários que recorrem à bicicleta para se deslocarem nesta rua, bem como a falta de ligação desde o Rio Este até à zona pedonal, frisando que hoje é nesta zona que as pessoas mais se sentem seguras a andar de bicicleta.

Joaquim Barbosa questionou a viabilidade da utilização da bicicleta na cidade de Braga devido à sua orografia e níveis de pluviosidade. Mário Meireles respondeu que em Braga existem 195 dias sem chuva, ao passo que em Utrecht apenas não chove em 130 dias e há gelo em 64 dias. Na vizinha Espanha, em San Sebastian, uma cidade que se assemelha a Braga, há 176 dias sem chuva, há mais pluviosidade total do que em Braga, e há ainda assim mais gente a pedalar do que em Braga. Quanto à orografia, frisou que em Braga 55% da população vive numa zona densa e plana, mais densa do que Amesterdão, e que 73% dessa população faz deslocações dentro da cidade. Deu ainda nota que não se pretendem extremismos ao ponto de ter toda a gente a andar de bicicleta, mas sim que possa haver a hipótese de escolher o modo mais adequando à deslocação, sem que seja necessário correr risco de vida.

Para rematar, Manuela Sá Fernandes disse que espera não ter que aguardar mais 6 anos para ver, efetivamente, alguma mudança. Os representantes do PSD garantiram que não seria o caso.

As reuniões levadas a cabo pela Braga Ciclável foram no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

“Braga Ciclável acusa Câmara de desistir das bicicletas”

“Braga Ciclável acusa Câmara de desistir das bicicletas”


ASSOCIAÇÃO questiona não execução da primeira fase da rede ciclável estruturante da cidade. Câmara Municipal é criticada por desperdiçar fundos comunitários para a mobilidade suave.

“A Câmara Municipal de Braga desistiu de apostar na mobilidade activa, e mais concretamente nas bicicletas”, denunciou ontem a direcção da Associação Braga Ciclável.

Em conferência de impresa para abordar o tema ‘A modalidade em bicicleta em Braga’, aquela associação questionou a não execução de um projecto aprovado pela Câmara Municipal, por unanimidade, em Dezembro de 2017, que previa a construção de uma primeira rede ciclável estruturante com uma extensão de 22 quilómetros. “Não terá sido por problemas financeiros, uma vez que havia um envelope financeiro comunitário destinado a isso”, responde a própria direcção da ‘Braga Ciclável’, que lembra ter sido esta uma proposta eleitoral do actual executivo autárquico.

A primeira fase da rede estruturante, investimento na ordem dos 11 milhões de euros, prevê a criação de pistas cicláveis na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, em toda a Rodovia e na ciclovia de Lamaçães.

O plano de actividades da Câmara Municipal para 2019 estima 1, 8 milhões de euros apenas para a regeneração desta última ciclovia, que será aumentada em 800 metros até ao ‘campus’ universitário de Gualtar.

Sobre a “regeneração da ciclovia de Lamaçães”, a ‘Braga Ciclável’ defende revisões do projecto, nomeadamente no prolongamento à Universidade do Minho, adiantando que “não se pode usar a regeneração de uma via como sendo a grande estratégia e o impulsionador da mobilidade em bicicleta de uma cidade”.

Na tomada de posição de ontem, a associação que tem como fim aumentar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte entende que a Câmara Municipal “desistiu de criar condições para os seus residentes utilizarem a bicicleta como modo de transporte e, em vez disso, voltou a falar e apostar apenas no trânsito automóvel”.

Depois de terem ficado “sem resposta” a um pedido de reunião com o presidente da Câmara Municipal, os dirigentes da ‘Braga Ciclável’ criticam o “aparente desinvestimento” na mobilidade activa, alertando que o mesmo “está em contracorrente com centenas de cidades europeias, que têm reforçado as suas políticas no domínio da mobilidade com bicicleta”.

Dizem não entender também “como se desperdiçam fundos europeus que visam uma melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, proporcionando-lhes mais e melhores opções de mobilidade, com todos os benefícios clínicos, ambientais e económicos que daí poderiam advir”.

+mais: A ‘Braga Ciclável’ recorda que o Município de Braga estabeleceu o objectivo de 18 mil utilizadores de bicicleta nas deslocações citadinas em 2025. Actualmente, serão apenas 800 as pessoas que recorrem a este meio de transporte.

@Correio do Minho, 17 de Maio de 2019

A mobilidade em Bicicleta em Braga

A mobilidade em Bicicleta em Braga


Nota prévia: Este comunicado foi tornado público em conferência de imprensa no dia 16 de maio de 2019 às 18:30 horas na Avenida Padre Júlio Fragata.

A Europa estabeleceu como meta o ano de 2050 para alcançar a neutralidade carbónica. Nesse sentido, entre as várias estratégias de intervenção, encontram-se as viagens/movimentos pendulares que deverão imperativamente sofrer alterações de comportamento passando a ser efetuadas com maior recurso a transportes públicos, modos suaves, modos ativos e menos recurso à utilização do veículo motorizado individual.

Portugal tem, também, compromissos nacionais decorrentes do Acordo de Paris. No sentido de caminharmos rumo à neutralidade carbónica do nosso país, uma das políticas a adotar passa pela necessidade de descarbonizar o sector dos transportes, alterando profundamente os padrões de deslocação. Para isso, é necessário que, nas cidades, os percursos de curta ou média distância efetuados de carro passem a ter características infraestruturais que tornem apelativo fazê-los ou a pé, ou de bicicleta, ou de transporte público, ou mesmo pela combinação dos três numa só deslocação. Uma percentagem substancial das viagens dentro das cidades são trajectos curtos, muito mais favoráveis à mobilidade pedonal, de bicicleta e de transportes públicos.

Segundo a Comissão Europeia, os benefícios da utilização da bicicleta podem ser de natureza diversa, embora com uma correlação muito forte entre si:

  • económica;
  • política;
  • social;
  • ecológica;
  • saúde.

A deslocação feita em bicicleta, em detrimento do automóvel, gera benefícios sociais e económicos consideráveis, tanto para o indivíduo como para a coletividade e estão diretamente ligados à qualidade de vida, qualidade do ambiente e às economias geradas, a longo prazo.

A título de exemplo:

  • Diminuição da parcela, do orçamento familiar, destinada ao automóvel;
  • Redução das horas perdidas nos engarrafamentos;
  • Redução das despesas médicas, fruto dos efeitos benéficos do exercício físico regular;
  • Redução da dependência energética;
  • Poupança dos recursos não renováveis;
  • Democratização da mobilidade;
  • Maior autonomia e acessibilidade a todos os equipamentos, tanto para os jovens, como para a terceira idade, ou portadores de determinada limitação física;
  • Reduzir o ruído e a poluição do ar das cidades;
  • Reduzir a mortalidade induzida pela mesma, pelos benefícios cardiorrespiratórios, traduzindo-se, portanto, em ganhos na saúde;
  • Maior segurança na circulação na via pública;
  • Preservação dos monumentos e dos espaços verdes, pela menor emissão de gases que causam o desgaste dos materiais e plantas;
  • Menor espaço ocupado no solo, tanto para se deslocar como para estacionar;
  • Menor degradação da rede viária e menor necessidade orçamental para investimentos na criação de novas infraestruturas rodoviárias;
  • Reforço do poder de atração do centro da cidade e do comércio local;
  • Diminuição dos congestionamentos e maior fluidez da circulação automóvel;
  • Maior poder de atração dos transportes públicos;
  • Melhor acessibilidade aos serviços tipicamente urbanos para toda a população;
  • Ganho de tempo e dinheiro para os pais, libertados dos encargos do transporte;
  • Ganho de tempo considerável para as pessoas em curtas e médias distâncias;
  • Desaparecimento a médio prazo da eventual necessidade de um automóvel para utilização individual, favorecendo novas formas de propriedade ou sistemas de partilha de um automóvel, apenas em casos esporádicos.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a utilização da bicicleta oferece nítidas vantagens em comparação com o uso privado do carro, pois é:

  • Amiga do ambiente – livre de emissões e de ruído;
  • Acessível – a bicicleta pode ser comprada e mantida por um preço modesto e é, também, eficiente em termos energéticos. A bicicleta ocupa pouco espaço e ciclovias. Os estacionamentos para bicicletas exigem investimentos menores, de ordem económica e espacial, quando comparados com os carros;
  • Rápida – muitas vezes é um dos modos de transporte mais rápidos em áreas urbanas;
  • Saudável – o exercício físico regular pode melhorar a condição física geral, reduzir os custos com os cuidados de saúde e reduzir o risco comunitário de morte.

Para o Parlamento Europeu, os principais benefícios da bicicleta podem ser divididos em quatro categorias:

  • eficiência do transporte;
  • benefícios ambientais;
  • ajuda a resolver problemas de saúde e exercício;
  • os impactos económicos e sociais.

Infelizmente, numa visão errada das coisas, a bicicleta continua a ser considerada muitas vezes apenas como um mero objecto de lazer, em vez de lhe ser reconhecido o seu papel enquanto modo de transporte ecológico, prático e extremamente eficaz em meio urbano. Apesar dos seus benefícios e da sua eficácia evidente e comprovada, o uso da bicicleta como modo de transporte ainda é subestimado pelas autoridades municipais bracarenses.

Hoje sabemos que a única forma de atrair mais pessoas para o uso da bicicleta nas viagens quotidianas é criar condições para o seu uso. Isso consegue-se construindo ou readaptando infraestruturas viárias e de parqueamento. Ou seja, apenas com uma rede ciclável segura, confortável e que torne a utilização da bicicleta possível se conseguirão alcançar os 10% de utilizadores da bicicleta e passar de uma cidade em fase de arranque (Starting Cycling City), para uma cidade em fase de aceleração (Climber Cycling City).

Somente após a criação das infraestruturas que sirvam eficazmente uma rede ciclável segregada, se podem efetuar campanhas de atração de crianças e de pessoas, em idade ativa, para o uso da bicicleta. Isto é-nos dito pela União Europeia, bem como pelas melhores práticas internacionais. Agir de forma divergente é contrariar claramente todas as recomendações. Não há registo de uma cidade que tenha conseguido alcançar estas metas europeias sem primeiro ter investido de forma correta na rede ciclável.

Cronologia recente da Mobilidade em Bicicleta em Braga

A ciclovia da Encosta foi criada em 2005, com alguns sobressaltos. Desde então, até ao dia de hoje, foi intervencionada uma única vez, para deixar de ser verde e passar a ser vermelha e para que mais alguma, suposta, segurança fosse criada.

Em 2013, o movimento Braga Ciclável, lançou a Proposta Para uma Mobilidade Sustentável, um manifesto subscrito por várias entidades da cidadania bracarense, como desafio à autarquia e como um alerta aos diversos partidos políticos da cidade de Braga.

Entretanto, desde esse ano, foram gastos cerca de 500 mil euros em Estudos e Projetos, relacionados com a promoção da mobilidade ativa e redução da utilização automóvel. Esta informação é de conhecimento público, uma vez que se encontra acessível no Base Gov e nos Relatórios e Contas. Podemos por isso dizer, hoje, que em Braga já temos estudos suficientes e só nos falta a ação, para a concretização dos projetos.

Em maio de 2014, foram anunciados 76 km de vias cicláveis em Braga. Essas vias, que à data presente, ainda se encontram quase todas por implementar, fazem parte da rede ciclável do PDM.

Em 2015, foi permitida a circulação de bicicletas na Rua D. Pedro V no sentido anteriormente reservado apenas aos transportes públicos, tornando assim legal algo que as pessoas muito naturalmente já faziam.

Em 2016, foram gastos 320 mil euros na regeneração da Rua Nova de Santa Cruz. No final, o carro saiu novamente privilegiado, com lugares de estacionamento que não existiam antes. Os passeios ficaram mais curtos e com a mesma cor da ciclovia, o que causa grande confusão e situações de risco para peões e ciclistas, e foi criada uma situação de segregação numa rua onde tal não se justificava.

Em dezembro de 2016, foi adjudicado à Allen – Project Management Consulting, Lda. o “projeto de execução de inserção da Rede Ciclável do Centro Urbano de Braga”, por 66 600 euros.

Em 2017, do plano eleitoral do atual executivo, constava:
a regeneração da Ciclovia de Lamaçães – com extensão de 800 metros para ligação ao Campus de Gualtar, da Universidade do Minho a implementação da “Rede Estruturante Pedonal e Ciclável e da Inserção Urbana de Transporte Público”.

Em dezembro 2017 foi aprovada, em reunião de executivo municipal, a obra da Primeira fase da “Rede Estruturante Pedonal e Ciclável e da Inserção Urbana de Transporte Público” para poder ser submetido a candidatura de fundos comunitários. Um investimento de cerca de 11 milhões de Euros que ainda não avançou. De acordo com o documento aprovado, o projeto prevê a criação de pistas cicláveis em 22 km de extensão, formando uma rede estruturante. O documento falava em intervenções na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, em toda a Rodovia e na Ciclovia de Lamaçães. [Documento aqui]

Em janeiro de 2018 foi anunciado, publicamente, o projeto, sendo que na altura foi dito que, em fevereiro do mesmo ano, o mesmo seria discutido publicamente. Não houve discussão pública até hoje, maio de 2019. [Notícia aqui]

No Plano Plurianual do Plano de Atividades da Câmara Municipal para 2018, destacam-se 8 111 000€ para esse projeto, sendo que o mesmo estava dividido entre 2018, 2019 e 2020, contudo mais de metade do valor seria aplicado em 2019. Este orçamento não foi executado.

Já no Plano de Atividade de 2019 o valor desce drasticamente para 1 833 750€, para as mesmas rúbricas.

Esse investimento prende-se apenas com a regeneração da ciclovia da encosta e o seu aumento de 800 metros até ao campus de Gualtar ficando, portanto, de fora a generalidade das medidas coordenadas que são necessárias para que possa ser criada uma rede ciclável na cidade.

Estratégias

Existe um documento europeu, apoiado por diversas entidades e empresas europeias, para a estratégia da mobilidade em bicicleta onde se apontam 4 objetivos centrais:

  • A bicicleta deve ser um parceiro equitativo, no sistema de mobilidade;
  • Um aumento do uso da bicicleta na União Europeia, numa média de 50% entre 2019/20 e 2030;
  • Reduzir para metade a taxa de ciclistas mortos e gravemente feridos (por km pedalado), entre 2019/20 e 2030;
  • Aumentar o investimento da União Europeia na mobilidade em bicicleta para 3 mil milhões, em 2021-27, e 6 mil milhões, em 2028-34.

Portugal tem também um documento estratégico que inclui a mobilidade em bicicleta, intitulado “Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa”, criado este ano e no qual o objetivo é que as cidades alcancem os 10% de pessoas a pedalar e um índice modal de 7,5%, a nível nacional. [Documento Aqui]

Braga tem, apenas, algumas metas delineadas no Plano Diretor Municipal. Não possui, ainda, um documento estratégico para a mobilidade ativa que estabeleça as metas intercalares e as medidas que levem a que essas metas sejam alcançáveis, e que especifique qual a metodologia objetiva de avaliação da sua eficácia.

Em 2013, o atual executivo camarário alterou o projeto de Mobilidade em Bicicleta, no PDM de Braga, alterando a rede ciclável prevista de 29 km (apresentado em 2013 pelo ainda executivo de Mesquita Machado) para 76km (apresentado na revisão do PDM, já no primeiro mandato da Coligação Juntos por Braga) e estabelecendo uma meta de 10% de utilizadores da bicicleta em 2025. Ao mesmo tempo, pretendia-se alcançar uma redução de 25% do uso do automóvel na cidade.

Ora de acordo com o estudo do quadrilátero, das 335 000 viagens diárias efetuadas em Braga, 263 000 são internas ao Concelho. Das 263 000 viagens diárias efetuadas dentro do concelho de Braga, cerca de 160 000 viagens são feitas diariamente com recurso ao automóvel e em distâncias abaixo dos 4 km. Em Braga a taxa de ocupação é de 1,2 passageiros por automóvel. Isto significa que estas deslocações podiam ser substituídas por outro modo de transporte.

O Município de Braga quer que 18 000 pessoas utilizem a bicicleta, em Braga, no ano 2025. Hoje serão apenas cerca de 800.

Para isto ser alcançado, é necessário criar uma rede estruturante, segura e segregada que torne a bicicleta uma verdadeira alternativa ao automóvel. Ou seja, é preciso garantir a segurança das pessoas que querem utilizar a bicicleta. Não se tiram 18 000 pessoas dos carros e se põem a andar de bicicleta com as ruas e avenidas que hoje temos, que permitem e induzem à prática de velocidades que não são compatíveis com o uso de modos ativos. Não se pode ficar à espera de “mais massa crítica”, de um momento em que haja mais pessoas a utilizar a bicicleta do que as existentes, e usar isso como pretexto para manter as condições atuais, que são francamente más. Faz hoje parte do conhecimento geral que, nas cidades europeias onde não existe infraestrutura, apenas 3% da população está disposta a pedalar, 30% nunca pedalaria e 55% da população apenas optaria por pedala se existisse uma infraestrutura adequada.

Para que as nossas crianças passem a ir de bicicleta para a escola, não chegam vias de coexistência ou com limite de 30km/h, onde apenas se pintem sinais ou se coloquem smileys. Apenas com uma rede segregada que garanta realmente a segurança das crianças é que os seus pais irão permitir que a bicicleta seja uma opção viável. A segurança não se discute.

O proclamado plano de promoção da mobilidade em bicicleta, que incluía uma rede ciclável, foi um projeto apresentado pelo atual executivo com um prazo de 12 anos para as metas propostas. Estamos hoje a metade do percurso e Braga possui apenas uma rede viária que continua a permitir à bicicleta circular em coexistência com o automóvel, conforme prevê o Código da Estrada, mas sem as necessárias condições de segurança e conforto. Não é, por isso, de estranhar que ainda continuemos abaixo do patamar de 1% de utilizadores da bicicleta.

Para além disso, o município de Braga tem ainda como metas e objetivos para 2025 uma redução de 25% dos utilizadores de automóveis, em relação a 2014. Uma meta que é difícil de alcançar, se tivermos em conta o aumento recente do número de lugares de estacionamento e respetiva falta de fiscalização, em determinadas zonas no centro da cidade, assim como o aumento da despesa com vista à melhoria dos pontos de acesso rodoviário que privilegiam o automóvel.

Sem resposta ao pedido de reunião que a Braga Ciclável endereçou no dia 29 de abril de 2019 ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Braga, há várias perguntas importantes que ficam por responder:

  1. O porquê do abandono da estratégia de mobilidade em bicicleta? Esperar pelo PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Sra. Eng. Paula Teles não deve ser uma justificação, uma vez que desde 2015 que existem PMUS orçamentados no Município, cujos orçamentos podem ser consultados nos relatórios e contas.
  2. A Câmara Municipal de Braga desistiu de apostar na mobilidade ativa, e mais concretamente nas bicicletas. Porquê?
  3. Porque não executou a Câmara Municipal de Braga o projeto aprovado, por unanimidade, em reunião de câmara, de dezembro de 2017, que previa a construção de uma primeira rede ciclável estruturante, na cidade, com uma extensão de 22 km? Não terá sido por problemas financeiros, uma vez que havia um envelope financeiro comunitário destinado a isso.
  4. Porque desistiu a Câmara Municipal de Braga de criar condições para os seus residentes utilizarem a bicicleta como modo de transporte e, em vez disso, voltou a falar e apostar apenas no trânsito automóvel?
  5. Porque é que a Câmara Municipal de Braga não encara o associativismo no domínio dos modos ativos como um contribuidor importante para a resolução de um problema estrutural da cidade de Braga?

Tomada de posição

Sobre a regeneração da Ciclovia de Lamaçães há três pontos a frisar:

  1. Esperamos que os problemas apontados sejam verdadeiramente resolvidos e as velocidades efetivamente reduzidas;
  2. Esperamos que a extensão de mais 800 metros, até ao campus de Gualtar, tenha sofrido alterações ao que estava projetado e não seja implementada a solução apresentada na junta de freguesia de Nogueira. As soluções aí apresentadas colocam a vida das pessoas que queiram utilizar a bicicleta naquele troço em risco, uma vez que não reduz velocidades nem larguras de via, abatendo árvores e não garantindo a segurança deste percurso. O próprio técnico especialista concordou connosco.

    Mais concretamente:

    • Entre a Rotunda do McDonalds e a Avenida D.João II o projeto prevê que a ciclovia passe a ser bidirecional. Aqui a estrada perderia árvores e o separador ajardinado entre passeio e estrada, aumentando a zona de passeio do lado do INL, sendo que a ciclovia bidirecional circularia por aí. A este propósito, é de lembrar que a interseção de ciclovias bidirecionais com vias banalizadas aumenta a possibilidade de conflitos e aumenta o risco de acidente em 13 vezes. Isto porque quando a pessoa circula de bicicleta de forma contrária à natural circulação automóvel, em contramão (não confundir com contra fluxo) a probabilidade de colisão é maior, cerca de 13 vezes maior.
    • O acesso entre a rotunda do McDonalds e a universidade está projetado para ser feito sem alteração à faixa de rodagem da “Variante de Gualtar”, por um acesso que está constantemente congestionado e ocupado com estacionamento ilegal e que constitui também um acesso a garagens. Esta opção obriga a um aumento substancial do percurso para os ciclistas, com um desvio em relação àquele que é o caminho mais óbvio, mais curto e mais direto, ou seja, o troço de estrada entre estas duas rotundas. Para além disso, opta-se pela bidirecionalidade da ciclovia, ao invés de se ter uma ciclovia unidirecional de cada lado da chamada “Variante de Gualtar”.
    • Ou seja, na solução preconizada na versão do projeto que foi apresentada, não há legibilidade do percurso, que não segue o caminho mais direto, nem o mais confortável, nem o mais seguro, bem pelo contrário. Esperamos, pois, que se opte por uma melhor solução, ao nível da faixa de rodagem, que neste momento tem largura em excesso, o que permitirá tornar a ligação à universidade bem mais legível, confortável, rápida, direta e segura.
    • Aqui consideramos que o projeto deve ser revisto para que, na Avenida de Gualtar (a avenida situada entre as rotundas da Universidade e do McDonald’s/Meliã, com cerca de 24 metros de perfil), existam duas pistas cicláveis segregadas exclusivas unidirecionais, uma de cada lado, com 1,5 metros de largura cada uma. Para além disso, as rotundas deverão seguir o mesmo desenho que todas as outras já mencionadas, com intervenção a ser feita também nas vias de saída da mesma, tornando-as saídas com apenas uma via de trânsito e com passadeiras sobreelevadas ao nível do passeio.
  3. Não se pode usar a regeneração de uma via como sendo a grande estratégia e o impulsionador da mobilidade em bicicleta, de uma cidade. Em pleno século XXI uma via, seja ela de que modo de transporte for, não pode estar 14 anos sem qualquer manutenção. Muito menos com a criação de obras que não preservam essa via, como foi o caso da obra do Leroy Merlin, situação que ainda hoje não foi resolvida e apresenta perigo para as pessoas que por ali passam.

Esperamos que Braga não cometa os erros de planeamento de Guimarães, nem de Vila Verde (e de outras cidades). Esperemos que Braga não coloque barreiras nos cruzamentos das ciclovias com as estradas, barrando a fluidez dos utilizadores da bicicleta, não substitua os passeios por pistas cicláveis e não crie ciclovias desgarradas e sem o desejado e fundamental efeito de rede. Como aparentemente não há estratégia, resta-nos esperar que se sigam as boas práticas, para se conseguirem alcançar os resultados propostos.

A Braga Ciclável não concorda que se deixe cair o investimento em mobilidade ativa, em Bicicleta, até então previsto.

Este aparente desinvestimento vai contra as boas práticas em termos de mobilidade, bem como está em contracorrente com centenas de cidades europeias, que têm reforçado as suas políticas no domínio da mobilidade em bicicleta.

A Braga Ciclável não entende como se desperdiçam fundos europeus que visam uma melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, proporcionando-lhes mais e melhores opções de mobilidade, com todos os benefícios clínicos, ambientais e económicos que daí poderiam advir.

A Braga Ciclável pede ao município que retome o investimento previsto e execute pelo menos os 22 km de rede ciclável aprovados já em executivo municipal, com fundos europeus alocados e previstos no programa eleitoral, para benefício de todos os munícipes, que de forma direta ou indireta, beneficiam dela.

Apesar da falta de resposta ao pedido de agendamento de uma reunião com o Presidente do Executivo Camarário, a Braga Ciclável continua a demonstrar a sua total disponibilidade de diálogo e participação na elaboração de medidas e estratégias que possam mudar o rumo da mobilidade do Município de Braga do estado em que ela se encontra agora.

Mantemos a certeza de existir entre nós o objetivo comum de melhorar a qualidade de vida dos nossos cidadãos, sejam eles pessoas que andem a pé ou de bicicleta bem como de transportes públicos ou até mesmo de carro, que em muito beneficiarão de medidas de redução do número de automóveis das nossas ruas. Todos temos a beneficiar da melhoria do ar que respiramos assim como do menor tempo despendido no trânsito e do espaço público libertado.


ANEXO I: Estudos e Projetos de Mobilidade

2013
250 000€ – Estudo de Mobilidade do Quadrilátero – Atkins & Way2go

2015
novembro
71 000 € – Aquisição da prestação de serviços de assessoria técnica à elaboração do plano estratégico de desenvolvimento sustentável de Braga [PEDUS 2020 (contém PAMUS, PERU, PAICD)] – entrega em 4 meses (março 2016) – QUATERNAIRE PORTUGAL – CONSULTORIA PARA O DESENVOLVIMENTO, S.A. – Fonte: http://www.base.gov.pt

2016
fevereiro
50 000 € – Encomendado estudo à UM para melhorar o transito e dar mais segurança aos peões – soluções para atravessamento Rua Nova de Santa Cruz-D.Pedro V, Rua do Caires e Nó de Infias
-Fonte: notícia comunicação social

outubro
29 500€ – Aquisição de serviços de consultoria técnica para o estudo de um modelo de gestão do parqueamento urbano. – 4 meses após assinatura (fevereiro 2017)- Allen – Project Management Consulting, Lda – Fonte: http://www.base.gov.pt

dezembro
66 600€ – Aquisição de Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro Urbano de Braga – contrato até 13 de janeiro de 2017 – Allen – Project Management Consulting, Lda – Fonte: http://www.base.gov.pt

2018
fevereiro
69 000€ – Estudo da Mobilidade e Gestão de Tráfego – 12 meses após assinatura (fevereiro 2019) – Entidade adjudicatária: MPT – Mobilidade e Planeamento do Território, Lda. – Fonte: http://www.base.gov.pt

março
8 000€ Aquisição de serviços de projeto de execução da rede ciclável – Allen – Project Management Consulting, Lda – Fonte: http://www.base.gov.pt

TOTAL:
294 100€ + 250 000€ Estudo do Quadrilátero
De 2013 a 2018 foram gastos 544 100€ em estudos e projetos.

#BragaZeroAtropelamentos

#BragaZeroAtropelamentos

#BragaZeroAtropelamentos  – Movimento Cívico

Por uma cidade favorecedora da mobilidade ativa, segura e saudável.

Enquadramento do movimento

Perante a constatação do elevado número de atropelamentos, cerca de 2535, dos quais resultaram 55 mortes, em 19 anos, no concelho Braga, com tudo o que isso acarreta para o atropelado, em primeiro lugar, para a família, e, em geral, para a sociedade, o Movimento Cívico – #BragaZeroAtropelamentos pretende alertar para esta problemática e destacar que muito há a fazer, para que este número se aproxime do ZERO. Apesar de parecer utópico, cidades de complexidade semelhante a Braga, já o conseguiram atingir ou estarão muito próximo disso, tendo para isso investido em infraestruturas e reordenamento do seu território.

O movimento e a sociedade civil

O movimento pretende ser um agente ativo, no seio da comunidade bracarense, desenvolvendo e promovendo contatos e diálogo, com a comunidade civil, forças de segurança, executivos e técnicos municipais, e a Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (ANSR).

O seu objetivo é encontrar soluções e estimular a sua implementação, para uma redução efetiva do número de atropelamentos, na cidade de Braga.

O movimento nasce na Associação Braga Ciclável, entidade que procura ajudar a criar uma  cidade mais amiga pessoas que andam a pé e de bicicleta. O foco deste movimento é, sobretudo, a segurança na estrada, dos elementos mais vulneráveis e mais sujeitos a lesões graves, ou morte, em caso de acidente: os peões e os utilizadores de bicicletas.

Pretende-se identificar e dar a conhecer os “pontos negros” da cidade – locais onde já ocorreram atropelamentos – que tenham vitimado peões e/ou utilizadores de bicicletas, assim como os pontos de maior risco, para quem se move ativamente.  Após a sua identificação, pretende-se notificar e alertar as entidades responsáveis, para que sejam elaboradas medidas com vista à sua não repetição. O envolvimento da sociedade e da comunicação social é fundamental.

É, também, pretendido reactivar ações de grupo, como MASSA CRÍTICA, e introduzir as GHOST BIKES, com o objetivo de dar maior visibilidade aos pontos negros e de maior risco, da cidade, e promover o conhecimento acerca do circunstancialismo dos acidentes, envolvendo peões e utilizadores de biciletas.

Anualmente, o movimento compromete-se se a apresentar os casos de atropelamentos registados, no ano anterior, com dados da ANSR, em sessão aberta à comunidade e com convites dirigidos a responsáveis camarários, da área da mobilidade: Guarda Nacional Republicana, Bombeiros Sapadores e Voluntários, Polícia de Segurança Pública, Polícia Municipal e à ANSR.

Planos de ação

O movimento #BragaZeroAtropelamentos pretende, ao longo do ano, :

–  A divulgação, regular, do número de acidentes de viação, envolvendo peões e/ou utilizadores de bicicletas, na cidade de Braga, de acordo com os dados fornecidos pela ANSR;

– Estimular à efetiva redução da velocidade automóvel permitida, no centro da cidade, implementando de forma eficaz as zonas 30 e de coexistência, garantindo que os veículos motorizados não excedem as velocidades, aí permitidas, com recurso a técnicas de acalmia de tráfego e não apenas a sinalização horizontal e vertical;

– Estimular à correcta sinalização das vias de coexistência (utilizadores de bicicletas e automobilistas ou bus+bici); assim como das passadeiras, com a sua sobreelevação, em relação à via de circulação, e a proibição de estacionamento automóvel, 5 metros, antes e depois, das mesmas;

– Estimular uma comunicação menos leviana, quando ocorre uma colisão de um veículo que atropele e mate ou deixe pessoas feridas, passando a utilizar palavras como “colisão” ou “choque” ao invés de “acidente” #ColisaoNaoAcidente;

– Estimular operações de fiscalização da velocidade, nas ruas e avenidas da cidade, como sejam as avenidas que compõem a Rodovia ou mesmo as Avenidas da Liberdade, 31 de Janeiro ou Júlio Fragata, envolvendo as autoridades para esta problemática municipal;

– Estimular as autoridades a defenderem os utilizadores vulneráveis, levando a que criem campanhas que coloquem o ónus e o foco no veículo e não na vítima;

Por uma cidade favorecedora da mobilidade ativa, segura e saudável.

#BragaZeroAtropelamentos

  

Bike Friendly Index coloca Braga em 41º lugar entre os municípios portugueses

Bike Friendly Index coloca Braga em 41º lugar entre os municípios portugueses


O município de Braga, que alberga uma das maiores e mais jovens cidades portuguesas, encontra-se em 41º lugar no que diz respeito à implementação de medidas de promoção e proteção do uso da bicicleta no dia-a-dia. A classificação no Bike Friendly Index, que acaba de ser lançado pelo grupo de investigação BEAM, é bastante fraca face à dimensão do concelho e da cidade. E apesar de refletir na sua generalidade um panorama que é ainda muito pouco animador a nível nacional, o fraco resultado de Braga contrasta com os resultados de dezenas de municípios portugueses, incluindo Lisboa, Porto ou Esposende, que conseguiram alcançar pontuações bem mais elevadas.

O Bike Friendly Index, uma iniciativa do grupo de investigação BEAM com a colaboração da empresa Pulsar!, é descrito pelos autores como sendo o resultado de uma experiência acumulada de investigação e projecto na área da mobilidade activa. O índice foi construído tendo por base a literatura científica conhecida sobre os fatores que explicam os níveis de utilização da bicicleta, bem como o compromisso político, para avaliar o quanto os municípios portugueses estão a investir no sentido da promoção da bicicleta e da mobilidade urbana sustentável em geral.

Desta forma, o índice é composto por 5 dimensões (Declive, Ambiente construído, Infraestruturas cicláveis, Compromisso político e Utilização da bicicleta atual), que são avaliadas através de um conjunto de 12 indicadores:

  • Declive do Concelho
  • Declive das áreas urbanas
  • Densidade
  • Diversidade
  • Desenho Urbano
  • Infraestruturas do Concelho
  • Infraestruturas das Áreas Urbanas
  • Despesa por Área Urbana
  • Despesa per capita
  • Peso da bicicleta na repartição modal concelhia
  • Peso das mulheres na quota de utilizadores de bicicleta
  • Peso dos modos ativos e transportes públicos na repartição modal concelhia

Este excelente trabalho, executado pelo Prof. Doutor David S. Vale e pelo Arq. António Pedro Figueiredo, pode ser consultado no site do Bike Friendly Index, onde como não poderia deixar de ser, a metodologia é também explicada.

Percorrendo o relatório, observa-se que o Município de Braga aparece num desolador 41º lugar no ranking global do Bike Friendly Index, que mede a “amigabilidade de um concelho para a utilização da bicicleta enquanto modo de transporte urbano” em Portugal Continental. O Município de Braga alcança apenas 3,2 pontos de 10 possíveis num ranking que é liderado pela Murtosa (6,08 pontos), sendo que Lisboa (5,84 pontos) e Vila Real de Santo António (4,92 pontos) completam o pódio.

No Norte do país, os concelhos do Porto, Matosinhos, Valongo, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende e Peso da Régua receberam mais pontuação que a cidade de Braga. No Minho Braga é o segundo município com maior pontuação, atrás de Esposende (3,45), seguindo-se Vila Nova de Famalicão (2,67), Vizela (2,37), Guimarães (2,31), Viana do Castelo (2,29), Vila Verde (2,19), Ponte da Barca (2,17), Valença (2,12), Barcelos (2,05), Celorico de Basto (2,02) e Vila Nova de Cerveira (2,00). Todos os restantes concelhos do Minho receberam uma pontuação inferior a 2, numa escala de 0 a 10.

A classificação de muitos destes municípios deverá ser consideravelmente diferente no próximo ano, uma vez que, por exemplo, em Vila Verde há infraestrutura em finalização – ainda que com alguns problemas técnicos. Em Barcelos, foi anunciada recentemente uma primeira rede ciclável urbana, que servirá o centro da cidade e as escolas, ligando o ensino superior ao centro e à estação, bem como as escolas a áreas residenciais. Estas duas intervenções pretendem cativar mais cidadãos para o uso da bicicleta e, ao mesmo tempo, mostram a existência de um compromisso político. Ou seja, pelo menos nestes municípios a pontuação deverá aumentar, podendo mesmo facilmente ultrapassar Braga.

Entretanto, em Braga continuamos à espera dos 22 km de rede ciclável que foram anunciados em janeiro de 2018 pelo Vereador Miguel Bandeira nos jornais locais e que iria começar a ser discutido publicamente em 2019. Essa intervenção, segundo o mesmo vereador, contemplava a Rodovia, a Avenida 31 de Janeiro, a Avenida da Liberdade e a Ciclovia de Lamaçães. De lembrar, a este propósito, que esse projeto foi aprovado em dezembro de 2017 pelo executivo municipal, e que segundo a informação técnica levada a essa reunião, terá um custo de 11 440 613,07 euros suportado por fundos comunitários no âmbito do PAMUS. A mesma informação dizia que “após aprovação poderá submeter-se à abertura de concurso público internacional, para a respectiva execução“.

Apesar da suposta iminência deste investimento, nunca é demais esquecer que a bicicleta gera para a sociedade um benefício de 0,18€ por cada km percorrido a pedalar, ao passo que o uso do carro traz um custo de 0,11€ por km percorrido. Além disso, o custo do carro para cada indivíduo é de cerca de 0,89€ por km percorrido.[1]

Continuaremos a trabalhar para que a cidade de Braga seja mais amiga dos peões e das pessoas que utilizam a bicicleta, esperando que o Município de Braga anuncie, para muito em breve, a execução do projeto dos 22 km da rede ciclável (ou até mesmo dos 76 km prometidos), por forma a que em 2019 ou em 2020 a cidade de Braga possa vir a disputar um lugar na liderança do Bike Friendly Index.

[1]Gössling, S., Choi, A., Dekker, K., & Metzler, D. (2019). The social cost of automobility, cycling and walking in the European Union. Ecological Economics, 158, 65-74.