Verde, sustentável, ecológico, biológico, orgânico, eco-friendly,… um conjunto de adjetivos cada vez mais presentes no nosso vocabulário e que, frequentemente associados a substantivos, parecem tornar a nossa vida melhor… cidade verde, mobilidade sustentável, transporte ecológico, produto biológico, alimento orgânico, consumo eco-friendly.

Mas o que é que estas palavras, que andam agora nas bocas do Mundo, trouxeram efetivamente de novo? Consumos mais conscientes? Deslocações mais ambientalmente responsáveis? Para uma muito pequena percentagem da população, sim. Para outra muito grande percentagem da população, nem por isso. O “verde” tornou-se moda e, não raras vezes, um “verde” que se fica apenas pelas aparências.

E as cidades são uma das vítimas destas (apenas) tendências. Cidades cujos responsáveis pelo seu planeamento estratégico se dizem empenhados no desenvolvimento de planos de mobilidade sustentável que muitas das vezes não passam do papel ou, quando postos em prática, se revelam ineficazes e, portanto, pouco úteis à função para a qual foram concebidos e executados. Redes inter-modais de transportes cujas partes se encontram desarticuladas entre si, ciclovias mal executadas que apresentam riscos para os seus utilizadores, bicicletários com dimensão e implantação disfuncionais, manutenção da prioridade dada ao automóvel, iluminação do espaço público insuficiente, são alguns dos problemas que persistem, apesar da imagem cumpridora que divulgam.

Mas quero acreditar que não o fazem propositadamente com o objetivo de defraudar o cidadão. Quero acreditar que se trata de desinformação e essa, apesar dos fundos e esforços investidos no que já está feito, pode muito bem ser gradualmente corrigida.

A desinformação exigirá vontade dos técnicos e autoridades responsáveis em procurar a informação correta onde ela existe, exigirá vontade em estudar exemplos bem sucedidos um pouco por todo o Mundo e aproveitar aquilo que pode ser aplicado ao nosso contexto, exigirá vontade de sair das suas secretárias e ir ao terreno para perceber como as pessoas vivem a rua e fazem uso do espaço que é delas e que deve ser construído com elas e para elas. É preciso vontade.

Marta Sofia Silva
Marta Sofia Silva

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