Braga Ciclável reuniu com os candidatos do PEV, na Lista da CDU, pelo círculo de Braga
#BragaZeroAtropelamentos
Os acidentes rodoviários condicionam a morte a 1,35 milhões de pessoas, sendo a oitava causa de morte, no mundo, segundo a World Health Organization (WHO). Contudo, ao nível da faixa etária entre os 5 e 29 anos, é a primeira causa de morte.
Mais de metade das mortes acometem os utilizadores vulneráveis: peões, utilizadores de bicicleta e motociclistas.
Em 1997, surgiu, na Suécia, um pensamento novo, sobre os problemas de mobilidade atual e dinâmicas da cidade: a Visão Zero. Ao introduzir e implementar esta forma de pensar a mobilidade, com o foco na redução efetiva da mortalidade, os suecos implementaram medidas de segregação, dos intervenientes na mobilidade urbana, criando mais separadores centrais, ciclovias e passeios. Com a implementação destas medidas, mais humanistas, obtiveram uma redução de 66% de mortes por acidentes rodoviários. Neste momento, a Suécia apresenta 2,8 mortes por cada 100.000 habitantes e Portugal 5.1. A média europeia de peões, vítimas mortais, por milhão de habitantes era de 11, em 2015, e em Portugal, na mesma altura, de 14.
Bogotá, por exemplo, já implementa medidas de redução da mortalidade rodoviária desde 1996, com o favorecimento de vias BUS, reduzindo as vias automóveis, introduzindo 300 Km de vias Cicláveis e 60.000m2 de infraestruturas para peões. Em 2017, adotaram a Visão Zero, com uma coordenação global para redução efetiva das mortes nas estradas, e os resultados começam a ser evidentes.
A República da Coreia apresenta o 3º maior declínio de mortes nas estradas, após ter avaliado as zonas de maior risco, para os utilizadores vulneráveis, e implementado separações seguras dos peões, criando School Bus regulados e Zonas Escola, sendo estas as áreas de maior limitação de velocidade.
São necessárias medidas de contenção da velocidade nos centros urbanos, os locais onde ocorrem a maioria dos atropelamentos. Em 2018, 70% dos Atropelamentos, em Portugal, ocorreram dentro de localidades. Um aumento de 1% da velocidade automóvel aumenta o risco de acidentes fatais em 4% e um aumento de 3% do risco de acidentes graves. Já uma redução de 5% da velocidade reduz em 30% o risco de acidentes fatais, segundo a WHO.
A implementação de zona urbana com velocidade máxima, real, permitida, de 50km/h e 30Km/h, em áreas residenciais é urgente. Não se pode garantir a segurança em áreas residenciais com velocidades de 50Km/h. As, assim, chamadas Zonas 30 exigem que se implementem medidas concretas que dificultem velocidades superiores: não basta colocar sinaléticas e pintar o asfalto, é preciso introduzir, na estrada, medidas que obriguem o seu cumprimento. Muitas cidades colocam floreiras, obstáculos, nas vias de circulação automóvel, para que os veiculos as tenham que contornar, e, assim, abrandar.
Só com esta real obrigatoriedade de redução da velocidade automóvel é que se pode garantir segurança a quem deseja mover-se ativamente em segurança (andar a pé, ou de bicicleta). Mikael Colville-Andersen, um especialista em urbanismo, e grande incentivador à promoção da mobilidade ativa, sugere que nas zonas onde se pode circular de automóvel a 50Km/h não se deve incentivar a andar de bicicleta: nesses locais devem ser criadas áreas segregadas para garantia de segurança.
Recentemente, foram publicados os resultados do estudo DAWN 2 (Diabetes, ATTITUDES, WISHS and NEEDS) que avaliou atitudes, desejos e necessidades das pessoas que vivem com o diagnóstico de diabetes, familiares e cuidadores, bem como profissionais de saúde. Neste estudo fica bem patente que 2 em cada 5 pessoas gostariam de ser fisicamente ativas. O mesmo estudo conclui que a maioria das pessoas refere necessitar de locais adaptados e seguros para a prática de exercício físico, junto da sua área de residência.
Ora, se é necessário implementar medidas de combate à diabetes, ao sedentarismo, à obesidade, entre outras, então, para melhorar a qualidade de vida, assim como a esperança média de vida, a sociedade tem de garantir segurança, para quem se deslocar ativamente. A limitação automóvel nos centros das cidades, exigindo percursos menos amigáveis aos carros e percursos diretos aos utilizadores de bicicleta, peões e utilizadores de transportes público, é um passo fundamental e obrigatório. Só assim se vai garantir a segurança e o estímulo para a utilização da bicicleta, garantindo também democracia na escolha do meio de transporte. Hoje em dia, grande parte das nossas cidades estão “proibidas ao peão e aos utilizadores de bicicleta”, seja pelo ruído, pela poluição, ou pela perigosidade de determinadas vias (ausência de passeios, ausência de ciclovias em zonas que permitem grande velocidade automóvel).
O impacto económico nacional da mortalidade nas estradas é imenso. Um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, realizado por Arlindo Donário e Ricardo Santos, revela que o custo que a sociedade portuguesa teve com vítimas mortais, no período entre 1996 a 2010, foi de 0.5% do Produto Interno Bruto, desse mesmo período. (http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/Publicacoes/Documents/Custo%20dos%20Acidentes%20de%20Via%C3%A7%C3%A3o%20-%20Miolo%20-%20FINAL12.pdf)
Com uma Visão Zero podemos reduzir francamente o número de acidentes, a sua gravidade e facilitar uma maior prática da mobilidade ativa.
Nesse sentido, a Braga Ciclável lançou, e promove, o movimento #BragaZeroAtropelamentos que pretende congregar esforços, de todas as forças vivas da cidade, partidos, forças de segurança, para promoção desta visão de mobilidade, comprovadamente eficaz, e que favorece a saúde e bem estar dos Bracarenses.
Só com uma visão mais humanista da mobilidade, teremos garantias de promoção da mobilidade ativa e segura, promoção de estilos de vida saudáveis, melhoria da qualidade do ar, melhoria do ruído nas cidades e diminuição da mortalidade global nacional, aumentando a esperança média de vida.
Ciclo Passeio Solidário de São João
No dia 16 de Junho, às 10H00, a Braga Ciclável, em colaboração com a Associação Anima Una e a Associação de Festas do São João de Braga, organizou um Ciclo Passeio, pelas ruas da cidade, de cariz histórico e solidário. No local compareceram cerca de meia centena de pessoas, que se fizeram acompanhar com donativos, sobretudo peças de vestuário, para a causa da Associação CPAC, que presta apoio a imigrantes em dificuldades socioeconómicas.
O passeio teve o seu início na Praça da República, um dos locais de passagem obrigatória durante as modernas festividades de São João, depois de uma breve introdução ao evento, à Braga Ciclável com destaque ao seu contributo para a melhoria da mobilidade de peões e utilizadores de bicicleta na cidade, e à CPAC. Essa introdução foi realizada por Arnaldo Pires, Mário Meireles e Rafael Sousa, organizadores do eventos.
Depois de partir da Praça da República, o grupo passou pela Capela de São João de Braga, onde o Dr. Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor e um apaixonado pela história da cidade de Braga, apresentou uma muito relevante e agradável revisão histórica, sobre a grande festa do São João de Braga; a Capela de São João e sua importância; e a já não existente Quinta da Devesa, onde, no passado, os Arcebispos da cidade passavam o verão.

Após se ter ciclado pelo atual parque da ponte, a coluna de bicicletas dirigiu-se para a via pedonal ciclável, do rio Este, e seguiu para o Seminário de Fraião. No local, o grupo foi recebido e acarinhado pelo Sr Padre Manuel Martins, padre responsável pela Comunidade Espiritana de Braga. No mesmo local, junto à Igreja, o Sr Padre Manuel Martins presidiu a uma breve oração que culminou com a benção de todas as bicicletas que participaram no encontro.

Ao longo do passeio, o grupo teve o acompanhamento de uma ciclo-patrulha da Policia de Segurança Pública, que garantiu a segurança de todos no evento.
Para registo fotográfico esteve presente a Midtones Photography (www.midtonesphotography.com) que, com o seu profissionalismo já reconhecido, garantiu a obtenção de imagens, que de outra forma não teria sido possível obter.
É com agrado que a organização comunica que o Ciclo Passeio contou com a presença de adultos e crianças e se desenrolou sem incidentes. A boa disposição e a postura ordeira esteve presente, em todo o desenrolar do encontro. Mais um evento que demontra que é possivel ciclar ao longo da cidade, apesar de muitos a considerarem com uma geografia não amigável para deslocações diárias. Imagine-se como seria caso a cidade permitisse uma correta segregação dos diversos agentes de mobilidade, com maior estrutura ciclável e acalmias, reais, de tráfego.

Como nota final fica um agradecimento a todos que colaboraram ou participaram no evento, permitindo estimular a utilização de bicicletas, a solidariedade entre todos e a divulgação dos registos históricos.
Estacionar em Braga
Usar um carro não é nada barato e, nas deslocações urbanas, paradoxalmente, quando criamos novos lugares de estacionamento automóvel, aparecem ainda mais carros, fazendo com que haja sempre uma grande probabilidade de termos de deixar o carro a uma distância que demora 5 ou 10 minutos a pé. Usar a bicicleta como meio de transporte é uma excelente alternativa que, apesar de ainda faltarem infraestruturas básicas, nos permite facilmente poupar tempo e dinheiro, ao mesmo tempo que desfrutamos mais da cidade e melhoramos a nossa forma física.
A quantidade e a proporção de espaço público (e privado) que se encontra atualmente alocado para estacionamento automóvel encontram-se totalmente desalinhadas com os objetivos que vêm sendo traçados para o futuro da cidade. Fala-se em aumentar o número de ciclistas, em melhorar as condições para quem deseje escolher alternativas ao carro, mas continuam a faltar vias seguras, confortáveis e diretas na maioria dos percursos que necessitamos de realizar no dia-a-dia, bem como estacionamentos de qualidade que nos permitam prender ou guardar as bicicletas em segurança, por períodos que em muitos casos podem ser prolongados. É que, se o roubo de carros atormenta muitos automobilistas em Braga, o furto de bicicletas (integral, ou às peças) é uma calamidade escondida. Quem, nesta cidade, não conhece alguém a quem já tenha sido roubada uma, ou duas, ou mesmo três bicicletas?…

Já lá vão uns anos desde que foi entregue às várias forças políticas de Braga a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, onde alertávamos precisamente para estas questões. Mas continuamos a deparar-nos com uma enorme escassez de estacionamento para bicicletas, sendo que não há ainda nenhum local adequado para estacionamento de média ou longa duração. Continua a existir, isso sim, uma enorme disponibilidade de lugares de estacionamento automóvel, na ordem das várias dezenas de milhares, só na via pública, sem contar com os numerosos estacionamentos privativos e subterrâneos.
Por outro lado, em diversas ruas, o estacionamento automóvel faz-se à custa da fluidez dos transportes públicos ou da qualidade da vivência pedonal, prejudicando moradores, comerciantes e proprietários de imóveis, ao tornar as ruas menos seguras, menos confortáveis e menos atrativas.
Se o objetivo é termos, a curto prazo, 10% das deslocações diárias dentro da cidade a serem feitas de bicicleta, não seria lógico que as infraestruturas disponibilizadas refletissem essa aposta? Se queremos uma quota modal de 10% para os meios de transporte mais económicos e não poluentes, então faz todo o sentido criar, digamos, 10% de lugares de estacionamento para bicicletas. E, claro, 100% de vias seguras, com ZERO atropelamentos e ZERO mortes.
(Artigo originalmente publicado na edição de 1/4/2017 do Diário do Minho)
Quando é que começamos a sério a mudar?
Desde os anos 90 uma irresponsável confusão entre velocidade e fluidez foi alterando as ruas de Braga de forma a servir um único utilizador – o automóvel. Fora do centro histórico, mal temos cidade: as avenidas são uma pista de alta-velocidade, o caminho desejável dos peões foi cortado, o ambiente tornou-se suburbano e agressivo, os passeios estão vazios, as pessoas com mobilidade condicionada e as crianças só estão seguras em casa e os bracarenses passaram a ter de usar o carro para se deslocarem 500m. Não é agradável passear fora do centro e dezenas dos que ousaram utilizar a cidade como se utiliza uma cidade foram atropelados, dando a Braga um triste record.
A oposição, em particular o seu mais longo líder Ricardo Rio, apontou o dedo – e bem – à política automobilista de Mesquita Machado. Conquistado o poder de atenuar esta vergonha, a Coligação PSD-PP podia, em 3 anos, ter revolucionado a cidade. A verdade é que nem as passagens áreas pedonais foram removidas, nem os “novos” políticos dão o exemplo nas suas próprias deslocações! (mais…)
Ultrapassagens perigosas a ciclistas: a falta de educação e o tempo que demoramos a tirar um macaco do nariz

Num destes dias, um dia como tantos outros, saio do emprego ao início da tarde para ir almoçar a casa com a minha esposa e a minha filha. A meio do caminho, na rua D. Pedro V, um automóvel decide ultrapassar-me a mim e a um outro ciclista que segue no mesmo sentido, sem assegurar a necessária distância lateral de segurança.
– Chegue-se para lá! Um metro e meio, é o que diz o Código, um metro e meio!… – disse eu para o condutor quando o carro se aproximou com vidro aberto.
Não consegui ouvir a resposta, mas vi que o passageiro ficou a rir-se de uma forma tal que, dado o contexto, tenho alguma dificuldade em descrever em termos muito simpáticos. Felizmente não houve nenhum acidente, o carro seguiu viagem e eu também segui viagem até casa, enquanto ruminava no sucedido.
Diz o Código da Estrada português (sim, estamos a falar do nosso Código da Estrada, o de Portugal, aquele que todos nós temos a obrigação de conhecer e cumprir quando andamos na estrada) o seguinte, a propósito das ultrapassagens:
Artigo 38º
Realização da manobra1 – O condutor de veículo não deve iniciar a ultrapassagem sem se certificar de que a pode realizar sem perigo de colidir com veículo que transite no mesmo sentido ou em sentido contrário.
2 – O condutor deve, especialmente, certificar-se de que:
a) A faixa de rodagem se encontra livre na extensão e largura
necessárias à realização da manobra com segurança;
(…)
e) Na ultrapassagem de velocípedes ou à passagem de peões que
circulem ou se encontrem na berma, guarda a distância lateral
mínima de 1,5 m e abranda a velocidade.(…)
5 — Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 120 a € 600.
Em abono da verdade, o referido condutor abrandou a velocidade. Onde falhou foi ao não manter uma distância lateral de segurança igual ou superior a 1,5m – que é necessária quando se ultrapassa um veículo de duas rodas, por vários motivos. O condutor e o passageiro que ia a rir-se à janela certamente não conheciam o Código da Estrada, ou não saberiam que uma ultrapassagem daquelas é perigosa e dá uma multa nada agradável para o automobilista em infração, que pode ir até aos 600 euros.
Ainda no mesmo dia, no mesmo local, tive de levar com um outro condutor impaciente. Teve a oportunidade de me ultrapassar mais atrás, onde a estrada era mais larga, mas por algum motivo que eu desconheço, esperou pelo trecho mais estreito (o que passa em frente à sede da AAUM) para se colocar a escassos metros da traseira da minha bicicleta, fazendo roncar o motor e apitando repetidas vezes. Com carros [ilegalmente] estacionados de ponta a ponta da rua, eu não tinha para onde me encostar. O que eu não faria – e nunca faço – era encostar-me a esses carros, arriscando levar na cara com uma porta que se abrisse de repente. Mantenho sempre, por isso, para minha proteção e para proteção dos que me rodeiam, pelo menos um metro de distância em relação aos carros estacionados. Quem vier atrás, que abrande e aguarde. Não custa nada e uns metros mais à frente já pode ultrapassar em segurança.

Assim, aos roncos do motor e às apitadelas, respondi com uns bem mais simpáticos toques de campainha e segui viagem. Mas não pude deixar de pensar no ridículo da situação. Senão, vejamos.
O trecho estreito em questão tem uma extensão de cerca de 200 metros. A 50km/h (a velocidade máxima permitida dentro das localidades, incluindo ali), percorrer esses 200 metros demora cerca de 15 segundos. A uma velocidade de cerca de 25km/h (a que hipoteticamente circulará ali a maior parte dos ciclistas), faz-se em apenas 29 segundos. Estamos a falar de uma diferença de cerca de 14 segundos, que é como quem diz, bem menos de meio minuto. Ou dito ainda de outra forma, o mesmo tempo que gastaríamos a tirar um macaco do nariz, ou bem menos do que esperaríamos se ali houvesse um semáforo…
Será que por causa de uns meros 14 ou 15 segundos vale mesmo a pena demonstrar publicamente tamanha falta de educação e desconhecimento do Código da Estrada, em vez de simplesmente partilhar a via em segurança e cordialidade para com os seus vários utilizadores?

Nova campanha contra atropelamentos parece esquecer aqueles que efetivamente atropelam
Foi esta semana lançada em Braga, com certa pompa, uma nova campanha de sensibilização contra os atropelamentos. A iniciativa insere-se na abertura oficial da Capital Jovem da Segurança Rodoviária e contou com a presença do ministro da Administração, Miguel Macedo, um certo senhor do ACP, etc. Mas será que o alvo da campanha foi bem escolhido?…
A face mais visível da campanha, ou pelo menos aquela que foi hoje noticiada nos jornais, é a pintura de um alerta junto às passadeiras:
“266 feridos em Braga por mês”, recorda o letreiro, acrescentando ainda o slogan “Atenção, todos somos peões!”.
Assim de repente, uma coisa que me faz uma certa “espécie”, são os locais onde os avisos foram pintados: à entrada de passadeiras – local onde os peões devem passar sempre que possível e onde têm prioridade face a veículos. Ora, não faria tanto ou mais sentido dirigir essa mensagem a quem se desloca num veículo que tem efetivamente o poder de atropelar pessoas?…
Em vez de dizer aos peões, por outras palavras, qualquer coisa como “vocês parecem um bando de maluquinhos com tendências suicidas, vejam lá se vestem uma armadura com capacete e se desviam dos carros quando forem a atravessar nestas passadeiras!”, não faria mais sentido apelar ao bom senso dos condutores e tornar mais visíveis as passadeiras em questão, com lombas, sinalização horizontal e vertical, luzes, etc.? Porque não lembrar os condutores que os seus veículos – quaisquer que eles sejam – são na verdade uma arma em potência e que por isso mesmo é sua responsabilidade usá-los de forma cautelosa, moderando velocidades, mantendo distâncias de segurança e parando para deixar passar peões e/ou ciclistas, conforme cada caso, e nos termos em que a isso obriga o Código da Estrada?
Parece que continuamos a praticar Prevenção Rodoviária pela velha escola, a da triste remediação, a do “desviem-se todos para deixar passar os carros, se não querem ser atropelados”. A filosofia (e a prática daí decorrente) deveria ser outra, deveria ser de cariz efetivamente preventivo: moderação de velocidade, distâncias de segurança, condução atenta minimizando fatores de distração (telemóveis, anúncios publicitários excessivos, etc.), respeito pelas passadeiras e locais de atravessamento de ciclistas, respeito pelas regras de prioridade, condução sem álcool ou outras drogas no sangue, etc.
Só que essas mensagens, não adianta serem escritas nos locais onde se encontram as vítimas dos atropelamentos. Elas precisam de chegar a quem atropela, a quem corre o risco ou tem o poder de atropelar. Só assim se contribuirá para evitar que continuem a acontecer em Braga acidentes como um que eu presenciei há algum tempo, em que um automóvel com condutor distraído atropelou 3 pessoas de uma vez só, quando iam a passar numa passadeira. Ou como aquele que há uns meses feriu com alguma gravidade o Mário Meireles quando regressava a casa de bicicleta, devidamente posicionado na via e com a bicicleta devidamente iluminada. Ou como um outro acidente absurdo (os atropelametos são sempre absurdos, não são?) que no ano passado matou em Sta. Lucrécia de Algeriz o Sr. António Vieira quando se deslocava em bicicleta para os lados da Póvoa de Lanhoso cumprindo as regras de trânsito…
Não faltam exemplos tristes que nem gostamos de recordar. Há comportamentos de risco de parte a parte, mas o maior perigo, pelas leis da física, está no objeto mais pesado e que se desloque a uma maior velocidade. Logo, é aí que é preciso incidir em primeiro lugar. De outro modo, estaremos a ver o mundo ao contrário.
P.S. – A título de sugestão, deixamos aqui alguns slogans alternativos, usados numa manifestação recente, e que porventura resultarão em lemas talvez mais apropriados para futuras campanhas de Prevenção Rodoviária.



Condutor distraído atropelou ciclista na ciclovia de Lamaçães
Por um membro do nosso grupo no Facebook, chega-nos a triste notícia de que ocorreu hoje mais um acidente em Braga, em plena ciclovia da Variante da Encosta (Lamaçães), de que resultou um ciclista ferido num pé e num pulso.
Não dispomos de informação muito detalhada mas, de acordo com os relatos de pessoas que disseram presenciar o lamentável sucedido, o ciclista estaria a contornar aquela rotunda (dentro da ciclovia), tendo sido nessa altura abalroado por um carro que entrava nesse momento na rotunda.
Sabemos que aquela é uma via que tem alguma tradição de “aceleras”, em virtude de um fraco desenho em matéria de acalmia de trânsito, e que a referida ciclovia apresenta também alguns defeitos que temos vindo a apontar e que urge corrigir. Uma melhor sinalização das passagens de velocípedes nas rotundas deve evidentemente estar no topo da agenda!
Ainda assim, vale a pena lembrar que, apesar de as condições não serem as ideais, o conhecimento e o cumprimento do Código da Estrada podem ajudar a prevenir muitos acidentes deste tipo.
Nomeadamente:
Artigo 25.º
Velocidade moderada
1 – Sem prejuízo dos limites máximos de velocidade fixados, o condutor deve moderar especialmente a velocidade:
a) À aproximação de passagens assinaladas na faixa de rodagem para a travessia de peões e ou velocípedes;
(…)
e) À aproximação de utilizadores vulneráveis;
(…)
h) Nas curvas, cruzamentos, entroncamentos, rotundas, lombas e outros locais de visibilidade reduzida;
(…)
2 – Quem infringir o disposto no número anterior é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.Artigo 31.º
Cedência de passagem em certas vias ou troços1 – Deve sempre ceder a passagem o condutor:
(…)
c) Que entre numa rotunda.
3 – Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600, salvo se se tratar do disposto na alínea b), caso em que a coima é de (euro) 250 a (euro) 1250.Artigo 32.º
Cedência de passagem a certos veículos(…)
3 – Os condutores devem ceder passagem aos velocípedes que atravessem as faixas de rodagem nas passagens assinaladas.
(…)
5 – Os condutores de velocípedes a que se refere o n.º 3 não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.
(…)
7 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.
Todos temos o dever de conhecer estas regras e zelar pela nossa segurança e pela dos que nos rodeiam na estrada, independentemente do tipo de veículo em que nos deslocamos em cada momento.
Desejamos ao ciclista as melhoras e que rapidamente possa voltar a pedalar por Braga.
