Há carros a mais!

Há carros a mais!

Temos assistido a um aumento de tráfego automóvel que leva a congestionamentos nas ruas. O excesso de carros numa cidade traduz-se nisso mesmo: filas. E o problema do trânsito só se resolve com melhor mobilidade a pé, de bicicleta e em transporte público, ou seja, formas de mobilidade que são muito mais eficientes em termos da ocupação do espaço público.

A cidade de Braga é constituída por 11 freguesias do concelho onde residem 126 710 pessoas. É na cidade que surgem os problemas de mobilidade. O (pequeno) congestionamento de trânsito automóvel na cidade de Braga não é novidade. Há, por exemplo, um mau encaminhamento na saída das autoestradas A11 e A3, em Celeirós, onde os automóveis que querem ir para Infias são encaminhados pela Av. Padre Júlio Fragata (8,7 km), quando deviam ser encaminhados pelo trajeto mais curto, mais rápido e mais direto – a Avenida António Macedo (6,7 km).

Mas o tráfego automóvel que sai do Concelho representa menos de 25% do tráfego automóvel, de acordo com estudos do Quadrilátero de 2013. A maior parte das viagens de automóvel são dentro da cidade. Estas são as viagens que congestionam a cidade, porque muitas vezes não é necessário, nem é eficiente, utilizar o carro nestas viagens. Em viagens até 8 km a bicicleta e o transporte público são mais eficientes. Se combinarmos estes dois modos de transporte ainda melhor. Agora imaginem que se conseguia substituir uma parte destas viagens de carro feitas dentro da cidade por viagens feitas de bicicleta e/ou de transporte público: a cidade ficava menos congestionada, porque andavam menos carros na rua e haveria menos carros estacionados a ocupar o espaço público.

Então o que é preciso para reduzir o número de pessoas a andar de carro e aumentar as que andam de bicicleta e transportes públicos? Simples, adequar a infraestrutura existente. Não, não é preciso criar mais estradas, mais túneis e mais viadutos. Aliás, dever-se-ia trabalhar no sentido de reverter a existência de túneis e viadutos na cidade, e isso só reduzindo o número de carros a circular. É necessário acalmar as ruas, reduzir as velocidades e reduzir o número de carros, sim, mas é fundamental redesenhar as ruas por forma a que exista uma infraestrutura (em muitos casos segregada) que garanta a segurança de quem pedala e que traga vantagens a quem vai dentro do autocarro.

Ricardo Rio e Miguel Bandeira prometeram 76 km de vias cicláveis, mas está quase tudo por fazer. É hora de avançar pelo menos com o Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro de Braga, anunciado e aprovado pelo executivo em janeiro de 2018 e que prevê entre 2018 e 2020 a execução de 20 km de ciclovias segregadas no núcleo da cidade.

Pedalar é saudável!

Pedalar é saudável!

As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.

De Praga a Budapeste

De Praga a Budapeste

De Praga a Budapeste por estrada são 528 Km. Por ciclovias e estradas secundárias programamos 518 km de bicicleta em autonomia, a fazer em nove etapas de 75 km cada.

O caminho foi-se fazendo, umas vezes rápido outras mais lento, não estávamos a contar com o calor abrasador, talvez inusual para esta época do ano naquelas paragens, obrigando-nos a saltar duas etapas, já que, as anteriores de montanha, com um desnível acentuado, nos tinham literalmente quebrado. A paisagem compensava o desnível, assim como a simpatia das pessoas. No total fizemos 450 km. As odisseias pelo caminho foram muitas, aventuras e desventuras que ficam por contar.

Na República Checa, até Brno, seguimos por estradas nacionais, vias partilhadas, nomeadamente a via 19, 24 e via 1. Estas, fazem-se em terreno montanhoso sempre acompanhados pela floresta centro-europeia onde nos refrescamos à sombra de ciprestes, faias, carvalhos e nogueiras. Nas áreas mais cultivadas, o lúpulo e o milho eram as culturas mais presentes, as estradas eram circundadas por árvores de fruto como macieiras, pereiras, abrunheiros e cerejeiras.
Depois de Brno e já na Eslováquia, apanhamos fragmentos da EuroVelo 9 (rota do âmbar). A rota é plana com vinhas circundantes, antes de chegar à área de paisagem protegida, a cidade cultural de Lednice-Valtice da UNESCO. Passamos também pela EuroVelo 13, apelidada de Cortina de Ferro, esta passa por todos os países que pertenceram ao pacto de Varsóvia. Aproximou-nos da época histórica que estes países viveram durante a guerra fria. No ponto em que a Áustria, a Eslováquia e a Hungria se encontram, há numerosos memoriais e marcas assinalando esse conturbado período da história europeia. Este fragmento da Hungria, faz parte da Grande Planície Húngara e a rota passa por uma paisagem encantadora com inúmeras pequenas povoações.

A EuroVelo 6 tão ansiada por nós, segue ao longo do Danúbio, era já um sinal de aproximação a Budapeste. Este segmento da Eurovelo húngara está protegido como um sítio Natura 2000, que fornece às espécies ameaçadas habitats naturais.

A Europa é anfitriã de uma extensa rede de ciclovias, num total de 15 trilhos de longa distância, chamados de rotas EuroVelo que percorrem 43 países.

Já em Budapeste e a relaxar nas termas, depois do longo percurso, tivemos duas contrariedades antes da partida, embalar as bicicletas, as companhias aéreas são rigorosas relativamente ao transporte de velocípedes e a necessidade de transportar as bicicletas para o aeroporto de Budapeste que fica a 20kms do centro da cidade. Os autocarros não permitem o transporte de bicicletas. Fomos de comboio até cerca de 15kms do aeroporto, pedalámos 5kms até ao mesmo. Depois de todas as aventuras, o trajeto foi duro o calor apertou, mas olhando para trás, surge a questão “vale a pena?” sim, se querem experimentar um turismo diferente, em permanente contacto com a natureza, conhecer gentes, degustar gastronomia, ver paisagens magnificas, esta é uma excelente forma de fugir às grandes confusões das cidades europeias que em agosto são caóticas.

Pedalar pela Europa: a perspetiva de uma principiante

Pedalar pela Europa: a perspetiva de uma principiante

Uma parte considerável das grandes cidades europeias tem já uma preocupação constante pela instalação das infraestruturas necessárias para a utilização da bicicleta. Em muitas dessas cidades, este é considerado o principal meio de transporte, que se prenderá, a meu ver, com preocupações ambientais e económicas, implementação de hábitos de vida saudáveis, entre tantos outros motivos.

De uma recente experiência intensa por oito países, poderia falar da – tão badalada nesta temática – cidade de Amesterdão, de Nuremberga – pela sua organização exemplar – passando por Varsóvia e até Florença – referenciando o seu sistema de bicicletas partilhadas, da Mobike, cujo lema é o “free slow”, que considero valer a pena pesquisar e, quiçá, implementar na nossa realidade geográfica.

Escolhi para meu testemunho, relativamente à experiência na utilização da bicicleta, a cidade de Viena. Para uma ciclista, ainda inexperiente em meio urbano, um tanto insegura na partilha da estrada com automobilistas e cuja vivência ciclista até agora tinha sido apenas a cidade de Braga, Viena revelou-se um verdadeiro paraíso.
A condução da bicicleta em Viena está garantida pela existência de extensas ciclovias preparadas para a sua utilização, com a devida sinalização, integradas no sistema de trânsito da cidade, e com a frequente existência de estacionamentos em diversos pontos da cidade – tornando-se eficaz e confortável a utilização deste veículo como meio de transporte.

Revelou-se extremamente agradável conduzir uma bicicleta numa cidade em que o trânsito flui facilmente e cujo civismo dos habitantes enche de orgulho os próprios e os que a visitam. Do que lá experienciei, posso dizer que o excesso de velocidade, por norma, não é praticado e os automobilistas não ultrapassam os ciclistas em condições perigosas para os mesmos, respeitando a ciclovia, quando existente, e a distância mínima de segurança entre eles na faixa de rodagem.

A utilização da bicicleta, concomitantemente com transportes públicos, o automóvel e a existência de peões, ocorre em perfeita simbiose. Todos coabitam em harmonia, sentindo-se permanentemente a cordialidade e o respeito pela existência uns dos outros.

É evidente que a infraestrutura da cidade terá sido pensada precisamente nesse sentido: permitir a existência e a escolha, por parte de todos, de qualquer meio de transporte.

Não sendo conhecedora das leis que regulamentam o trânsito na capital austríaca, perpassa-me a ideia de que nos seus habitantes se encontram inculcados valores como a tolerância e o respeito pelo próximo, aliado a aspetos de outra ordem como o humanismo e o civismo, que conduziram a este investimento ativo e consciente no ciclismo urbano.

As cicloficinas estão de regresso a Braga

As cicloficinas estão de regresso a Braga

As cicloficinas regressam a Braga já na próxima terça feira, dia 18 de setembro, às 19h, na ponte sobre o Rio Este junto ao Skate Park do Complexo da Rodovia. Nestes encontros informais, as pessoas aparecem e efetuam a própria manutenção da bicicleta ou ajudam a arranjar a bicicleta de outros. Acontecerão no 1º sábado de cada mês na Rua do Castelo e na 3ª terça feira de cada mês nos Campos da Rodovia. A cicloficina arranca este ano com os apoios da Associação Braga Ciclável, e das empresas Go By Bike, Bike Zone e Cycles Oliveira.

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Veículos para a igualdade

Veículos para a igualdade

Não será novidade para nenhum bracarense as despesas que ter um carro implica. Os preços dos combustíveis têm subido constantemente em 2018, com a gasolina 95 a custar 1,60€ por litro e o gasóleo 1.39€. Se recuarmos a 2000, o preço da gasolina não chegava a custar 1€, o gasóleo custava menos de metade. Soma-se ainda o IUC, o seguro obrigatório, a manutenção e o custo inicial da compra, muitas vezes a crédito. Nos primeiros quatro meses do ano, os bancos e as empresas financeiras disponibilizaram 972 milhões de euros em empréstimos para a compra de carro. Somando todas estas variáveis, que todos os anos aumentam, chegamos a uma despesa brutal. Convém lembrar que o salário médio em Portugal não sobe praticamente desde 2010, levando a menos orçamento alocado para despesas essenciais como uma boa alimentação, cuidados de saúde e educação.

A mobilidade é uma necessidade tão básica como a habitação ou os cuidados médicos. (mais…)