III Braga Cycle Chic desafia bracarenses a pedalar pela mobilidade inclusiva no dia 16 de Setembro

III Braga Cycle Chic desafia bracarenses a pedalar pela mobilidade inclusiva no dia 16 de Setembro

A III edição do Braga Cycle Chic, integrada na semana da mobilidade, promovida pela Câmara Municipal de Braga, está agendada para o dia 16 de Setembro, pelas 14h30, na Praça da República. O evento, organizado pela Associação Braga Ciclável, pretende mostrar que é “possível pedalar na cidade usando roupa do dia-a-dia”.

Este ano o evento conta com uma parceria e participação muito especiais. O NEE’d for Dance, é um projeto de carácter solidário, com a finalidade de estimular e trabalhar competências motoras, cognitivas, comunicativas, afetivas e emocionais, de bebés, crianças, jovens e adultos com necessidades especiais e assim demonstrarem todo o seu potencial à sociedade. Portanto, quem melhor para nos mostrar o caminho longo a percorrer no que respeita a mobilidade inclusiva?

A participação é gratuita, mas poderá fazer um donativo para que o NEE’d for Dance possa continuar a crescer e levar esta oportunidade a cada vez mais pessoas com deficiência. Porque acreditamos que podemos mudar o mundo, pedalada a pedalada, acreditamos também que podemos mudar o mundo ajudando o próximo.

Uma tarde a passear com estilo, de bicicleta pelo centro histórico de Braga, sempre na zona pedonal, com paragens em vários pontos da cidade, é a proposta da Associação para celebrar a bicicleta como meio de transporte, após cerca de 250 pessoas terem marcado presença na segunda edição. Para quem não tiver bicicleta, poderá reservar uma antecipadamente.

A Associação Braga Ciclável assume-se como uma associação de defesa da mobilidade em bicicleta. Tem como objetivo melhorar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte, de forma correta, regrada e consciente, tendo sempre presente todos os benefícios para a saúde, a economia, o ambiente e a sustentabilidade da cidade.


(Artigo originalmente publicado na edição de 22/07/2017 do Diário do Minho)

Uma sala de cristal

Uma sala de cristal

Podemos dizer que as cidades só são cidades porque têm pessoas, e também que as cidades foram construídas para as pessoas. O que muitas vezes nos escapa é a fragilidade das cidades, que está em tudo associada à fragilidade das pessoas. O ser humano é extremamente frágil, tal como um cristal é frágil. Não é preciso muito para se partir uma peça de cristal, e também não é preciso muito para que uma pessoa fique ferida.

Associado à cidade, e às pessoas da cidade, está o stress e a azáfama das rotinas diárias. Com isso perdem-se outras perceções, sendo uma delas a da fragilidade de todo este ambiente urbano. Podemos dizer que quando andamos numa cidade é como andarmos numa sala de cristal, e aí os cuidados têm que ser redobrados. Há quem se desloque na cidade a pé, de cadeira de rodas, de bicicleta, de skate, de patins, de trotinete, de segway, de cavalo, de trator, de tuktuk, de transporte público ligeiro (táxis) ou pesado (autocarros), de camião, ou qualquer outra forma de locomoção.

Apesar de as pessoas se deslocarem de diversas formas, e cada vez mais utilizarem uma combinação de diferentes meios de deslocação, é importante que se comece a tomar consciência da fragilidade de todo o meio urbano e defender os mais frágeis desta “sala de cristal” que é a cidade. Isto tudo porque as pessoas se preocupam mais com um “gato” que anda na “sala de cristal”, quando estão “elefantes” a circular nessa “sala” e a partir todos os “cristais”. É assim que, sem darmos por ela, são as nossas cidades.

O “gato” representa as pessoas que utilizam meios de locomoção mais frágeis (andar a pé, de cadeira de rodas, de bicicleta, de skate, de patins, de trotinete, de segway, de cavalo), enquanto que os elefantes representam os veículos que matam/ferem as pessoas, que são, na maioria dos casos, os automóveis.

E esta agressão é tratada de forma apática, como se fosse algo natural de acontecer, sem que se atribuam responsabilidades a quem produz dano. O problema é que muitas vezes conduzimos uma arma com uma tonelada sem darmos por ela, e o nosso comportamento é transformado quando estamos dentro dessa arma, que é uma caixa de 5 por 2 metros, acabando por perder a noção da capacidade mortal da mesma. É por causa desta perda de noção que é importante que a cidade esteja desenhada para proteger os mais frágeis. Não basta colocar autocolantes a dizer “Cuidado, Frágil”, ou “Smileys tristes” por se ir a uma velocidade excessiva, é mesmo preciso parar estes “elefantes”. Alguns dos que comandam os “elefantes” ganharão consciência e passarão a ter mais atenção, mas é necessário, efetivamente, travar os “elefantes” dentro da sala de cristal, e focar a atenção neles, pois só assim a “sala de cristal” continuará a ter “cristais”, só assim as pessoas irão aproveitar as vantagens, os benefícios e os prazeres das cidades, com a população a apropriar-se das cidades.


(Artigo originalmente publicado na edição de 08/07/2017 do Diário do Minho)

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Usar a bicicleta como meio de transporte tem muitas vantagens para nós e para os que nos rodeiam. Mas… o que é preciso para começar a deixar o carro em casa e passar a utilizar a bicicleta?

1. Uma bicicleta

Provavelmente, até já tem uma bicicleta algures na sua casa. Se não tem avarias, se anda e trava, então serve! Até pode ter um pouco de ferrugem aqui e ali, desde que o quadro e os principais componentes estejam intactos. E nada como uma bicicleta antiga para reviver velhas aventuras. Talvez precise de uma limpeza ou afinação, mas não tem problema: mesmo que não o saiba fazer basta levá-la a uma oficina de bicicletas e o mecânico tratará de a deixar pronta para as suas viagens.

Mas se ainda não tem bicicleta, então o melhor mesmo é comprar uma. Não tem de ser um modelo caro, mas convém que tenha alguma qualidade. Os preços mais altos encontram-se em bicicletas de competição, que poucas vantagens trazem para quem quer um veículo utilitário. Verifique os modelos existentes e que tipo de acessórios trazem. Há marcas que parecem baratas, mas não incluem alguns extras úteis ou mesmo imprescindíveis, como por exemplo um bom conjunto de luzes ou os guarda-lamas.

2. Luzes e refletores

São obrigatórios e absolutamente necessários para quem faz as suas deslocações diárias de bicicleta. Mesmo que não tencione circular de noite, poderá surgir um imprevisto que obrigue a viajar a uma hora mais tardia ou com céu encoberto. As luzes e os refletores, juntamente com uma condução sempre atenta e defensiva, serão as suas melhores medidas de segurança.

Deverá ter dois refletores em cada roda, mais um refletor branco à frente e um vermelho atrás. Deve ter ainda uma luz branca (fixa) à frente e uma luz vermelha (também preferencialmente fixa) atrás. Podem ser a pilhas ou de dínamo, o importante é que funcionem bem e ajudem a ver e ser visto(a).

3. Cesto, grade e/ou alforges

Quando começar a usar a bicicleta, certamente quererá transportar alguns objetos na bicicleta: uma peça de roupa, um poncho ou fato impermeável, um computador portátil, alguns livros, o almoço ou o lanche, algumas compras da mercearia, etc. Ainda que uma simples mochila permita remediar, a verdade é que é muito mais confortável se a bagagem não pesar nas nossas costas, mas sim nas da bicicleta. Suamos menos e conseguimos levar muitas mais coisas na bicicleta, sem complicações. Por isso, vale a pena escolher uma bicicleta que tenha cesto ou grade bagageira e alforges, ou então equipá-la com esses acessórios, que atualmente estão à venda em qualquer loja de bicicletas.

OUTROS EXTRAS

Algo que não pode faltar é um bom cadeado para prender a bicicleta enquanto for tratar dos seus assuntos. Há vários modelos, mas os mais seguros costumam ser aqueles em forma de U.

Também pode ser útil uma bomba de ar e um conjunto de ferramentas para apertar algum parafuso.

Finalmente, guarda-lamas e protetores de corrente evitam que a lama e o óleo sujem a nossa roupa. Se a sua bicicleta não tiver esses acessórios, um mecânico poderá instalá-los.

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?

Há dias um vereador anunciou a disponibilização para teste de uma bicicleta elétrica aos trabalhadores municipais. A iniciativa é muito interessante mas com a configuração atual é muito pouco eficaz. Basta fazermos as contas: se o empréstimo a cada trabalhador for pelo período de uma semana, sabendo que há mais de 2500 trabalhadores, demoraremos 5 décadas a contemplar todos!

É pena que mais uma medida de promoção do uso da bicicleta seja implementada de forma tão tímida. Faz infelizmente lembrar a disponibilização de estacionamentos temporários pelo centro da cidade através da colocação de vedações amovíveis. Tinha um bom propósito mas, além de inconsequente, foi mal executada ao ponto de a descredibilizar.

Numa cidade atulhada de veículos poluentes e com décadas de atraso nas políticas de mobilidade, numa altura em que começamos a sofrer seriamente os efeitos das alterações climáticas, são necessárias medidas mais energéticas, consistentes e em crescendo. O que está em causa, não tenhamos dúvidas, é a qualidade de vida que vamos deixar aos nossos filhos e aos deles. Não se trata de eliminar os carros, mas de reduzir o seu uso ao francamente indispensável.

As bicicletas elétricas são uma extraordinária oportunidade de reduzirmos a poluição sem grande esforço. Quem nunca utilizou uma, recomendo que experimente. De imediato vai perceber as inúmeras vantagens de combinar a versatilidade da bicicleta com um pequeno motor na roda que reduz substancialmente o esforço a pedalar. E, até distâncias de 5Km, qualquer bicicleta é o transporte que nos leva mais rápido de um ponto a outro.

Mas disponibilizar bicicleta(s), por si só, não vai resolver o problema. É preciso implementar diversas outras medidas simultâneas, seja promovendo o uso da bicicleta, seja dando incentivos claros aos trabalhadores que a utilizem, penalizando os que optam sem razão pelo carro. Ao mesmo tempo, os políticos têm de ser os primeiros dar o exemplo. Muitos dos atuais eleitos, assessores e gestores municipais vivem a menos de 5Km. Têm todas as condições para se deslocarem de bicicleta para o trabalho. Nem que para já fosse apenas às sextas-feiras, como se faz noutras cidades.

Assim, a meta da Câmara poderia ser a de reduzir todos os seus parques de estacionamento para metade, eliminando um lugar por cada trabalhador que passe a deslocar-se de bicicleta.


(Artigo originalmente publicado na edição de 24/06/2017 do Diário do Minho)

Trabalhar em bicicleta? Porque não?!

Trabalhar em bicicleta? Porque não?!

Karl von Drais, quando há 200 anos inventou a percursora da actual bicicleta, talvez não tenha tido a noção de que este seria provavelmente o momento do nascimento da mobilidade individual. Fazer-se transportar sem um animal era, até então, impossível. “Draisiana” é a avó alemã da bicicleta, uma máquina que atingia 15 km/h.
A bicicleta é uma inspiração, símbolo de liberdade e de emancipação. Ainda que utilizada pela nobreza por diversão, no último quarto do século XIX, com a crescente industrialização, esta tornou-se o principal veículo das classes operárias.

Mais tarde, profissões em bicicleta como carteiro, bombeiro, alfaiate, amolador, sapateiro, entre outras, eram extremamente comuns. Com simples alterações, dotando a bicicleta das ferramentas e máquinas necessárias, esta tornava-se num versátil e indispensável instrumento de trabalho.

Estas profissões são uma herança e inspiração para os dias que correm. Se estes eram os empreendedores de outrora, hoje a diversidade de profissões em bicicleta é inacreditável. O uso da bicicleta, em substituição dos veículos motorizados, para determinadas profissões, é um excelente passo em direção a uma verdadeira (r)evolução e reinvenção. Um pouco por toda a Europa, são exemplos destas profissões:

  • Bike Courriers / Bike Messenger: são uma nova opção de entrega de documentos e encomendas de forma rápida e eficaz.
  • Biker Advertising: forma muito verde de publicitar uma empresa ou evento, captando mais olhares que um tradicional outdoor.
  • Mobile Laundry Bikers: estes ciclistas recolhem as roupas sujas em casa dos clientes, entregando as mesmas após estarem prontas.
  • Bicycle Movers: com cargo bikes, estes ciclistas recolhem pequenos móveis e ajudam o cliente na mudança de casa, dá para acreditar?
  • Bike Tour Guide: haverá forma mais agradável de conhecer e percorrer as ruas de uma cidade, do que acompanhado por um guia em bicicleta?
  • Ambulance / Police cycle teams: profissionais de saúde e polícia que fazem as suas deslocações diárias de trabalho em bicicleta.

Portugal começou já a dar as primeiras pedaladas neste sentido, e um dia, será uma constante, acreditamos nós!

Segurança na cidade

Segurança na cidade

Já passou mais de um ano desde a última vez que andei de bicicleta! Assim que descobri que estava grávida, também por recomendação do médico, não quis arriscar pedalar! Passaram os nove meses e, já com a princesa cá fora, a bicicleta continuava a acumular pó! Agora, meio ano depois, ainda não arrisco pedalar, mas tenho esperança que brevemente o farei… muito em breve!

Como devem ter reparado, recentemente a cidade de Braga tem vindo a reunir algumas condições que nos permitem percorrer boas distâncias, com alguma segurança! Com a “conclusão” da última fase da ecovia “ribeirinha” do Rio Este, somos capazes de atravessar praticamente a cidade numa via ciclável única (no último troço) e partilhada com via pedonal! Atendendo às recomendações da Braga Ciclável, a C.M. Braga fez com que a ecovia melhorasse consideravelmente e contribuisse com que eu e mais pessoas ganhassem a vontade e coragem para voltar a pedalar ou caminhar em segurança! Este Verão será a minha estreia e, talvez, a da princesinha! Juntamente com a restruturação da Rua Nova de Santa Cruz, que ligada à D. Pedro V e unida à Avenida Central, fará com que pedestres e velocípedes não motorizados façam o percurso Universidade > Estação de caminhos de ferro > Universidade em segurança! (mais…)