As 1001 razões para se optar pela bicicleta

O João Pimentel Ferreira, ciclista urbano e membro da MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, elaborou uma interessante apresentação sobre algumas das razões para escolher a bicicleta como meio de transporte. Contrariamente ao que por vezes se pensa, andar de bicicleta não serve só para poupar dinheiro e fazer exercício físico.

O João conseguiu reunir e resumir algumas das principais vantagens, pelo que recomendo vivamente a leitura dos seguintes diapositivos, que ele teve a gentileza de partilhar na Internet.

Pedalar para o trabalho no Inverno (Parte 2)

Diz o calendário que a primavera já chegou há algum tempo, mas o boletim meteorológico tem mostrado um cenário bem diferente. Com a chuva à porta, vale a pena anotar algumas dicas sobre o uso da bicicleta durante nessas condições.

Fato impermeável – o acessório indispensável nº 2

Para não ficarmos molhados, há muitas técnicas e diferentes tipos de vestuário. Para chuvas ligeiras e percursos curtos, uns guarda-lamas e um casaco semi-impermeável poderão ser suficientes. No entanto, quando chove a sério, é boa ideia ter na bagageira da bicicleta um bom fato impermeável.

Fato impermeável para ciclista

A escolha do fato impermeável deve ser cuidadosa! Confesso que eu mesmo fiz uma má escolha na primeira vez que fui comprar um impermeável. à falta de melhor na loja aonde me dirigi, acabei por sair de lá com um impermeável barato, daqueles que usam os futebolistas amadores. O fato era levezito e até era fácil de vestir por cima da roupa de trabalho. No entanto, as calças não eram assim tão impermeáveis e frequentemente precisava de ter uma muda de roupa disponível no destino.

Acabei por ir posteriormente a uma outra loja e comprar umas calças impermeáveis próprias para ciclismo. Problema resolvido: apesar de custarem quase o triplo, nunca mais cheguei ao trabalho com as calças molhadas. Além disso, estas novas calças impermeáveis eram ainda mais práticas, ao incluírem fechos laterais nas pernas (para facilitar o vestir e despir sem tirar os sapatos ou as botas), ajuste de velcro para evitar interferência com o movimento de pedalar ou com a corrente, e ainda refletores laterais para maior segurança.

Dependendo do tipo de calçado utilizado, poderá ser útil também a utilização de uma cobertura impermeável para os sapatos. Existem modelos muito práticos, fáceis de pôr e tirar, e que permitem manter os pés e o calçado secos durante uma viagem debaixo de chuva intensa.

Normalmente, o fato impermeável deverá incluir um capuz. Se não for o caso, existem também chapéus ou capuzes impermeáveis próprios para ciclistas, alguns dos quais até podem ser utilizados em conjunto com um capacete de ciclismo.

Se o tempo estiver frio, umas luvas (de preferência impermeáveis) ajudarão a manter as mãos confortáveis durante a viagem.

Ao chegar ao destino, depois de tirarmos o fato impermeável, basta um lenço ou uma toalha para secar o rosto, e estamos como novos!

Luzes e refletores

Nunca é demais lembrar! Com o tempo de chuva, a visibilidade é muito baixa e as distâncias de travagem aumentam radicalmente. Assim, as estratégias que permitam aumentar a nossa visibilidade são essenciais para manter a segurança. Como com o tempo de chuva normalmente escurece mais cedo, é boa ideia ter refletores e um bom conjunto de luzes (dianteira e traseira).

(continua…)

Pedalar para o trabalho no Inverno (Parte 1)

Bicicleta chuva

Quando há cerca de 10 meses 2 anos comecei a ir de bicicleta para o emprego, imaginava que seria bem mais difícil do que realmente tem sido. Por um lado, tinha uma certa desconfiança relativamente à boa vontade dos automobilistas em partilharem a estrada (um daqueles assuntos que certamente abordarei um destes dias). E, por outro lado, achava que a lendária chuva da cidade de Braga seria um forte impedimento ao uso da bicicleta. Mas afinal não foi.

Diz-se que lá mais para o norte da Europa há um provérbio ciclista que afirma “There isn’t such a thing as bad weather or good weather: there is bad gear and good gear”. Ou seja, não há bom ou mau tempo para andar de bicicleta: há, isso sim, equipamento adequado ou inadequado a cada condição climatérica. E, contrariamente ao que o senso comum nos poderia levar a pensar, nem sempre um bom equipamento passa necessariamente por compras caras em lojas de especialidade.

Comecemos por salientar que o equipamento certo para cada caso depende de vários fatores: a distância a percorrer, o nível de inclinação, o tipo de estrada, o tipo de bicicleta, a condição física do ciclista e, finalmente, o tempo que faz.

No meu caso, percorro uma distância de 3km até ao local de trabalho, com muito pouca inclinação (quem foi que disse que Braga não era uma boa cidade para se andar de bicicleta?). Faço todo o caminho por estradas de alcatrão, ruas de paralelo e calçadas. No entanto, ainda que tenha um caminho sem lama, é frequente haver lençóis de água em algumas partes do percurso. Sobre a cidade de Braga, costuma dizer-se que é muito chuvosa, mas a verdade é que não é tanto assim. Há bastantes dias de chuva, é verdade, mas ainda muitos mais dias de sol ou de tempo nublado e seco.

Esta série de artigos servirá para registar e partilhar um pouco da minha aprendizagem ao longo deste período, na expectativa de que a informação possa ser útil a quem pretende também começar a pedalar em tempo frio ou molhado.
 

Guarda-lamas: o acessório indispensável nº 1

Guarda lamas

Quando comecei, sabia que um par de guarda-lamas seria uma das características essenciais para a rotina diária. Quis o acaso, contudo, que os meus guarda-lamas tardassem alguns meses até ficarem disponíveis para entrega. Infelizmente, em Portugal, a maior parte das bicicletas ainda são apenas objetos de lazer off-road

Assim, quando surgiram as primeiras chuvadas, a minha estratégia passou por adquirir um impermeável e guardar uma muda de roupa no escritório. E resultou, parcialmente. Por um lado, isso permitiu que eu vencesse o receio inicial de enfrentar a chuva, mesmo tendo que mudar de roupa de vez em quando ao chegar ao destino. Por outro lado, rapidamente me apercebi que a falta dos guarda-lamas também afetava o funcionamento correto da bicicleta. O travão traseiro deixava de funcionar com alguma frequência, ao acumular a areia arrastada pela água, o que implicava a necessidade de alguns minutos diários de limpeza e lubrificação desse mecanismo.

Quando, meses mais tarde, tive a possibilidade de instalar os tão esperados guarda-lamas, pude finalmente dar algum descanso à minha rotina de limpar e lubrificar o travão traseiro. O guarda-lamas tratava de parar os grãos de areia antes que estes chegassem aos mecanismos. Uma outra vantagem, talvez mais óbvia, foi que passei a poder andar de bicicleta com piso molhado mas sem chuva ou com aguaceiros leves, sem impermeável. A minha pergunta de sempre, antes de pegar na bicicleta, deixou de ser “está a chover ou está o chão muito molhado?” e passou a ser “Chove muito?”…

Portanto, sem querer obviamente retirar a suprema importância de um bom conjunto de luzes (independentemente do tempo que faça), o guarda-lamas merece o lugar de acessório essencial para quem usa a bicicleta como veículo utilitário. A tal ponto que eu arriscaria dizer que deveria mesmo fazer parte da bicicleta, não como acessório, mas como componente-base.

(continua…)

De bicicleta na cidade: devemos andar pelos passeios?

Diz o senso comum que na cidade o lugar mais seguro para andar de bicicleta são os passeios e bermas. Tenho vindo a observar, a este propósito, que alguns ciclistas urbanos preferem pedalar pelos passeios, mesmo em ruas com bom piso e pouco movimento. E embora compreenda em parte os motivos que levam a esse tipo de comportamento, creio ser uma prática a evitar, por vários motivos.

1. Andar de bicicleta nos passeios é ilegal

Ainda que o Código da Estrada português apresente ainda algumas lacunas em matéria de inclusão e proteção dos ciclistas, convém ter presente que é o Código da estrada que dita as regras de circulação na via pública e que este deve ser cumprido sempre que possível. Por isso, um dos motivos para circular de bicicleta na faixa de rodagem e não nos passeios é precisamente porque a lei assim determina. No passeio, de acordo com o CE, os ciclistas devem desmontar e levar a bicicleta pela mão.

2. Andar nos passeios é perigoso

Há vários perigos à espreita nos passeios. Boa parte deles são demasiado estreitos e têm buracos ou outros obstáculos que dificultam imenso a circulação dos ciclistas: é frequente haver degraus, pilaretes, árvores, bancos, postes, marcos de correio, sinais de trânsito, etc.

Quem vai a sair de um edifício geralmente não espera que venha uma bicicleta a circular no passeio, o que pode originar acidentes de certa gravidade. Além disso, os passageiros dos carros estacionados junto ao passeio podem a qualquer momento abrir as suas portas, resultando num dos tipos de acidentes mais frequentes com ciclistas.

3. Pelo passeio demoramos mais tempo

Os passeios estão concebidos para a circulação de peões, não de bicicletas. O trânsito pelos passeios é forçosamente mais lento do que na faixa de rodagem. Por um lado, porque é necessário dar inteira prioridade aos peões. E, por outro lado, porque os passeios há inúmeros obstáculos para os veículos de duas rodas. Um ciclista que evite sistematicamente a faixa de rodagem e circule somente pelos passeios vai certamente demorar muito mais tempo a chegar ao seu destino, correndo muito provavelmente alguns riscos desnecessários.

4. Defenda os seus direitos!

Você tem o direito de circular de bicicleta na faixa de rodagem (exceto, naturalmente, em autoestradas e outras vias devidamente sinalizadas). Os condutores de automóveis e outros veículos motorizados têm o dever de partilhar a via pública com todos os veículos, incluindo as bicicletas. Não abdique dos seus direitos.

Ao seguir pela faixa de rodagem, está a contribuir para educar os condutores, acostumando-os à presença dos ciclistas na via pública. Uma maior visibilidade da bicicleta enquanto meio de transporte é um contributo essencial para a melhoria das condições de segurança para ciclistas. À medida que os condutores se vão habituando a circular junto com os ciclistas, tornam-se mais atentos e cuidadosos. Há estudos que mostram que, à medida que aumenta o número de ciclistas nas ruas, aumenta também a sua segurança, diminuindo o número e gravidade dos acidentes.

…relativizar onde é preciso

Devemos conhecer e respeitar o Código da Estrada sempre que ele defende a nossa segurança e a dos que nos rodeiam. O bom senso é útil para ajudar a discernir algumas situações onde podemos relativizar algumas regras. Em alguns casos, pode ser aceitável e até recomendável circular pelos passeios.

Um exemplo simples: numa via de alta circulação automóvel, com uma subida acentuada e velocidades de 70km/h ou mais, uma bicicleta pode efetivamente correr alguns riscos. Ainda que o seu lugar por direito e por dever seja na faixa de rodagem, se houver um passeio suficientemente largo, com piso apropriado e onde estejam a circular poucas pessoas, pode ser boa ideia seguir temporariamente pelo passeio. Obviamente, dando sempre prioridade aos peões, e acautelando todo o tipo de situações imprevistas: alguém que sai de um carro ou de um edifício, peões que mudam de repente de direção, crianças que correm ou brincam no passeio, etc.