Como estacionar a bicicleta de forma segura

Como estacionar a bicicleta de forma segura

Parquear a bicicleta em locais públicos é um desafio diário para qualquer ciclista urbano. Tal implica procurar um local específico para o efeito ou em alternativa um poste, uma árvore ou outro local fixo que permita prender a bicicleta e torná-la indisponível para os “amigos do alheio”.

Existem vários tipos de suportes para estacionamento de bicicletas, existem até cidades que desenvolveram o design dos seus próprios suportes. Do ponto de vista da segurança, é fundamental que eles permitam prender as duas rodas e o quadro das bicicletas. Em Braga a grande maioria dos suportes segue o modelo de Sheffield, um U invertido que cumpre os principais requisitos de segurança. (mais…)

Condutor distraído atropelou ciclista na ciclovia de Lamaçães

Condutor distraído atropelou ciclista na ciclovia de Lamaçães

Por um membro do nosso grupo no Facebook, chega-nos a triste notícia de que ocorreu hoje mais um acidente em Braga, em plena ciclovia da Variante da Encosta (Lamaçães), de que resultou um ciclista ferido num pé e num pulso.

Não dispomos de informação muito detalhada mas, de acordo com os relatos de pessoas que disseram presenciar o lamentável sucedido, o ciclista estaria a contornar aquela rotunda (dentro da ciclovia), tendo sido nessa altura abalroado por um carro que entrava nesse momento na rotunda.

Sabemos que aquela é uma via que tem alguma tradição de “aceleras”, em virtude de um fraco desenho em matéria de acalmia de trânsito, e que a referida ciclovia apresenta também alguns defeitos que temos vindo a apontar e que urge corrigir. Uma melhor sinalização das passagens de velocípedes nas rotundas deve evidentemente estar no topo da agenda!

Ainda assim, vale a pena lembrar que, apesar de as condições não serem as ideais, o conhecimento e o cumprimento do Código da Estrada podem ajudar a prevenir muitos acidentes deste tipo.

Nomeadamente:

Artigo 25.º
Velocidade moderada

1 – Sem prejuízo dos limites máximos de velocidade fixados, o condutor deve moderar especialmente a velocidade:

a) À aproximação de passagens assinaladas na faixa de rodagem para a travessia de peões e ou velocípedes;

(…)

e) À aproximação de utilizadores vulneráveis;

(…)

h) Nas curvas, cruzamentos, entroncamentos, rotundas, lombas e outros locais de visibilidade reduzida;

(…)

2 – Quem infringir o disposto no número anterior é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.

Artigo 31.º
Cedência de passagem em certas vias ou troços

1 – Deve sempre ceder a passagem o condutor:

(…)

c) Que entre numa rotunda.

3 – Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600, salvo se se tratar do disposto na alínea b), caso em que a coima é de (euro) 250 a (euro) 1250.

Artigo 32.º
Cedência de passagem a certos veículos

(…)

3 – Os condutores devem ceder passagem aos velocípedes que atravessem as faixas de rodagem nas passagens assinaladas.

(…)

5 – Os condutores de velocípedes a que se refere o n.º 3 não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.

(…)

7 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.

Todos temos o dever de conhecer estas regras e zelar pela nossa segurança e pela dos que nos rodeiam na estrada, independentemente do tipo de veículo em que nos deslocamos em cada momento.

Desejamos ao ciclista as melhoras e que rapidamente possa voltar a pedalar por Braga.

Aprovado novo Código da Estrada, que protege mais os peões e ciclistas

O passado dia 24 de julho de 2013 foi um dia histórico para Portugal. Após décadas de discussões públicas sobre os erros da nossa legislação rodoviária, depois de milhares de mortos e feridos nas nossas estradas, que culminariam em janeiro deste ano com a Manifestação Nacional “Basta de Atropelamentos”, foi finalmente aprovado na Assembleia da República o novo Código da Estrada, que vem proteger peões e ciclistas de uma forma nunca antes vista no nosso país. (mais…)

Circular de bicicleta à noite: luzes e refletores

Luzes de bicicleta, à frente e atrás

Para quem anda de bicicleta à noite: por favor, usem sempre luzes e refletores nas vossas bicicletas, para vossa segurança e para segurança de todos!

A lei obriga a usar luzes, mas nestas coisas não é por obrigação legal que precisamos de agir – é mesmo para salvar a nossa pele. Andar sem luzes à noite ou de madrugada é um comportamento de risco, cujas consequências podem ser gravíssimas. As luzes da bicicleta, mesmo que não sirvam para iluminar o caminho, servem para sermos vistos no trânsito pelos outros condutores e, deste modo, prevenir acidentes.

Em qualquer loja de bicicletas, encontrarão à venda vários modelos de luzes para bicicleta. Não tem de ser um farol potente de BTT, daqueles que encandeiam e incomodam todos por quem passam. Para circular em zonas bem iluminadas da cidade, basta uma simples luz branca à frente e outra vermelha atrás (sem piscar, de preferência). Os refletores nas rodas também ajudam a tornar-nos visíveis para os outros condutores e devem ser utilizados.

Não há nada como sair à noite se bicicleta para tomar um copo com os amigos, ir ao teatro ou ao cinema, ou simplesmente para sentir a brisa fresca no corpo. Usando luzes e refletores, estamos a contribuir ativamente para que o possamos continuar a fazer por muitos muitos mais anos. Boas pedaladas!

Saiba quanto lhe custa realmente usar o automóvel

O João Pimentel Ferreira, engenheiro eletrotécnico e de computadores e também um utilizador diário da bicicleta como meio de transporte, criou e disponibilizou na sua página pessoal um formulário muito prático que ajuda a calcular as despesas associadas ao uso do carro. Basta introduzir os valores adequados ao seu caso e clicar no botão “Calcular”, para rapidamente compreender um dos principais benefícios da utilização dos transportes públicos e da bicicleta.

E você? Sabe quanto lhe custa realmente ir de carro para o emprego?…

Vejam aqui:

http://autocustos.com

Ciclista atropelado em Gualtar – algumas considerações…

Acidente bicicleta

Contaram-me que, ontem à tarde, ocorreu em Gualtar um acidente envolvendo um ciclista e um jipe.

De acordo com as informações (não confirmadas) que conseguimos apurar, a vítima terá sido um homem que seguia de bicicleta e que foi violentamente abalroado por uma viatura de todo-terreno. Aparentemente, o motorista em questão terá adormecido ao volante. O ciclista, ao que dizem, tinha um problema de saúde nas pernas, sendo que andava de muletas e usava a bicicleta para ajudar na recuperação.

Até ao momento, não sabemos se o ciclista sobreviveu nem qual o seu estado. Sabemos apenas que foi socorrido no local por uma viatura do INEM.

Não conheço as pessoas envolvidas, nem estou na posse dos detalhes do lamentável sucedido. Mas não posso deixar de tecer algumas considerações sobre os comportamentos de risco de uns e de outros, que muitas vezes resultam em acidentes como este…

1) Os pecados dos automobilistas (ou motoristas em geral)

Antes de mais, é bom lembrar que há muitos automobilistas, camionistas e motoristas de transportes públicos que são conscienciosos e cuidadosos, e que partilham a estrada com o necessário respeito. As palavras que se seguem não são para eles. Dito isto, cumpre assinalar que muito há por fazer em matéria de formação e sensibilização de condutores. Os condutores de veículos motorizados deveriam ter obrigatoriamente uma sólida formação em matéria de segurança rodoviária, porque merecem particular atenção pela simples razão de que os veículos que conduzem, pelas suas caraterísticas (peso, tamanho, velocidade, etc.), são bastante mais perigosos para peões e ciclistas.

Então e quais são alguns dos pecados dos motoristas, que colocam em risco peões e ciclistas?:

  • Circular em EXCESSO DE VELOCIDADE. Para além do cumprimento dos limites máximos de velocidade (que dentro das localidades portuguesas é de 50Km/h, caso não exista sinalização adicional), os condutores têm de assegurar-se também que a velocidade a que circulam lhes permita parar em segurança caso surja algum obstáculo. Nem todos cumprem a primeira, quanto mais a segunda parte!…
  • PERSEGUIR CICLISTAS encostando-se perigosamente à sua traseira, sem manter a necessária distância de segurança. O que acontece se o ciclista à sua frente se desequilibrar, ou tropeçar numa pedra ou num buraco?…
  • NÃO ABRANDAR a velocidade antes de começar a ultrapassar um ciclista.
  • Não deixar uma DISTÂNCIA LATERAL DE SEGURANÇA de cerca de 1,5m ao ultrapassar o ciclista. (Nota: ver aqui como deve ser feita uma ultrapassagem.)
  • NÃO RESPEITAR as regras do Código da Estrada quando encontram um sinal de STOP ou de cedência de passagem. É ERRADA a ideia de que “a bicicleta nunca tem prioridade”. Em todos os cruzamentos sinalizados, a bicicleta é considerada um veículo, pelo que tem naturalmente prioridade quando os veículos que se aproximam de outras direções encontram um sinal de cedência de passagem. Igualmente, quanto um ciclista circula numa rotunda adequadamente sinalizada, os veículos que nela entram devem ceder a passagem.
  • BUZINAR ou gritar pela janela, em vez de sinalizar atempadamente e realizar as suas manobras em segurança.

2) Os pecados dos ciclistas

Justiça seja feita, muitos ciclistas, infelizmente, ainda continuam a ter também alguns comportamentos de risco que podemos considerar graves:

  • Circular de noite sem LUZES/REFLETORES.
  • Pedalar em passeios e passadeiras, como se fossem peões (o ciclista só é considerado peão quando desce da bicicleta e a leva pela mão).
  • Desconhecer ou ignorar o Código da Estrada, sobretudo as partes que se referem às regras de PRIORIDADE e ao SENTIDO DE CIRCULAÇÃO. Em cruzamentos não sinalizados, devemos ceder a passagem e não devemos nunca circular em contramão.
  • Não respeitar os SEMÁFOROS. Um sinal vermelho significa “Pare!”, mesmo para um ciclista…
  • Não utilizar a SINALIZAÇÃO MANUAL antes de mudar de faixa ou de direção. Não podemos esperar que os outros condutores adivinhem para onde nos vamos dirigir.
  • Circular DEMASIADO PELA ESQUERDA ou em ziguezague, impedindo a ultrapassagem, quando há espaço suficiente para que esta possa ser feita em segurança.
  • Circular DEMASIADO PELA DIREITA, correndo o risco de embater nos passeios, na porta de um carro estacionado ou num buraco da estrada. Esta é, aliás, uma das maiores causas de acidentes rodoviários envolvendo ciclistas…

3) Os pecados das autarquias

Algumas vias foram pensadas apenas em função dos veículos motorizados, sem levar em conta a existência da bicicleta enquanto meio de transporte. Pior ainda, muitas cidades portuguesas não têm um “mapa ciclável”, isto é, um plano global que considere as vias por onde os utilizadores da bicicleta poderão circular em segurança para chegarem aos seus destinos. Quando há vias pensadas exclusivamente para trânsito motorizado, as autarquias têm a responsabilidade ou a obrigação (pelo menos moral) de oferecer alternativas válidas aos cidadãos que escolhem utilizar veículos mais económicos e não-poluentes nas suas deslocações diárias.

Muitas vezes, pequenos ajustes na sinalização podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, medidas de acalmia de trânsito e a criação de vias partilhadas BUS+Bici devidamente sinalizadas como tal.

O grande pecado de muitas autarquias portuguesas é, simplesmente, ignorarem a bicicleta (e o peão?) no planeamento urbano e no momento de conceber ou alterar a sua rede viária.

4) Os pecados dos legisladores

Já ia sendo tempo de Portugal atualizar o seu Código da Estrada, para passar a oferecer uma maior proteção aos utentes da via pública que são mais vulneráveis: peões e ciclistas. Não bastam meras recomendações da Assembleia da República, é necessário elaborar leis e fazê-las cumprir.