Ciclo Passeio Solidário de São João

Ciclo Passeio Solidário de São João


No dia 16 de Junho, às 10H00, a Braga Ciclável, em colaboração com a Associação Anima Una e a Associação de Festas do São João de Braga, organizou um Ciclo Passeio, pelas ruas da cidade, de cariz histórico e solidário. No local compareceram cerca de meia centena de pessoas, que se fizeram acompanhar com donativos, sobretudo peças de vestuário, para a causa da Associação CPAC, que presta apoio a imigrantes em dificuldades socioeconómicas.

O passeio teve o seu início na Praça da República, um dos locais de passagem obrigatória durante as modernas festividades de São João, depois de uma breve introdução ao evento, à Braga Ciclável com destaque ao seu contributo para a melhoria da mobilidade de peões e utilizadores de bicicleta na cidade, e à CPAC. Essa introdução foi realizada por Arnaldo Pires, Mário Meireles e Rafael Sousa, organizadores do eventos.

Depois de partir da Praça da República, o grupo passou pela Capela de São João de Braga, onde o Dr. Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor e um apaixonado pela história da cidade de Braga, apresentou uma muito relevante e agradável revisão histórica, sobre a grande festa do São João de Braga; a Capela de São João e sua importância; e a já não existente Quinta da Devesa, onde, no passado, os Arcebispos da cidade passavam o verão.

Após se ter ciclado pelo atual parque da ponte, a coluna de bicicletas dirigiu-se para a via pedonal ciclável, do rio Este, e seguiu para o Seminário de Fraião. No local, o grupo foi recebido e acarinhado pelo Sr Padre Manuel Martins, padre responsável pela Comunidade Espiritana de Braga. No mesmo local, junto à Igreja, o Sr Padre Manuel Martins presidiu a uma breve oração que culminou com a benção de todas as bicicletas que participaram no encontro.

Benção das Bicicletas

 

Ao longo do passeio, o grupo teve o acompanhamento de uma ciclo-patrulha da Policia de Segurança Pública, que garantiu a segurança de todos no evento.

Para registo fotográfico esteve presente a Midtones Photography (www.midtonesphotography.com) que, com o seu profissionalismo já reconhecido, garantiu a obtenção de imagens, que de outra forma não teria sido possível obter.

É com agrado que a organização comunica que o Ciclo Passeio contou com a presença de adultos e crianças e se desenrolou sem incidentes. A boa disposição e a postura ordeira esteve presente, em todo o desenrolar do encontro. Mais um evento que demontra que é possivel ciclar ao longo da cidade, apesar de muitos a considerarem com uma geografia não amigável para deslocações diárias. Imagine-se como seria caso a cidade permitisse uma correta segregação dos diversos agentes de mobilidade, com maior estrutura ciclável e acalmias, reais, de tráfego.

Como nota final fica um agradecimento a todos que colaboraram ou participaram no evento, permitindo estimular a utilização de bicicletas, a solidariedade entre todos e a divulgação dos registos históricos.

Braga Ciclável reuniu com concelhia do CDS-PP

Braga Ciclável reuniu com concelhia do CDS-PP


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 3 de junho, com representantes da concelhia de Braga do CDS-PP. O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Altino Bessa, Francisco Peixoto, João Medeiros, Luís Pedroso e Rafael Oliveira, do CDS-PP, e Arnaldo Pires, Mário Meireles e Victor Domingos, da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança. A este respeito, salientou que é fundamental garantir que as imediações das escolas tenham passeios e passadeiras com boas condições e devidamente desimpedidos, e que as velocidades reais de circulação do trânsito motorizado não constituam risco para as crianças e jovens que se desloquem a pé ou de bicicleta. Criar condições para que os alunos possam deslocar-se em segurança pelos seus próprios meios ou em transportes públicos, defendeu Arnado Pires, é permitir que eles desenvolvam a sua autonomia pessoal. Ao mesmo tempo, seria uma forma de melhorar significativamente a fluidez do trânsito, já que para muitos pais já não seria necessário levarem diariamente os filhos à escola.

Mário Meireles destacou os exemplos positivos de Sevilha e de cidades italianas que também conseguiram, recentemente, dar passos consideráveis no sentido da melhoria de condições para o uso da bicicleta e onde esse uso aumentou exponencialmente, reduzindo o número de automóveis no meio urbano, melhorando os transportes públicos e aumentando a segurança das vias para todos os seus utilizadores.

Ainda no que diz respeito aos atropelamentos, Arnaldo Pires, médico de profissão, partilhou um pouco da sua experiência profissional, para concluir que todas as vidas contam e que o objetivo de todos os setores da sociedade tem de ser a Visão Zero, ou seja, reduzir para zero o número de atropelamentos. Uma utopia que, afirma, pode ser alcançada, mas que sobretudo permite traçar uma meta clara. No entender da Braga Ciclável, é importante que sejam analisados os dados referentes aos atropelamentos, no sentido de identificar possíveis pontos negros e conceber intervenções eficazes, que deverão ser avaliadas de forma objetiva. Como exemplo de uma reflexão que consideram necessária, apontam o nó de Infias, onde circular a pé ou de bicicleta continua a ser perigoso. É importante, defende Arnaldo Pires, que ao intervencionar esta e outras vias o Município garanta um desenho democrático das vias, isto é, um desenho inclusivo, onde as necessidades de todos os utilizadores, incluindo peões e ciclistas, sejam devidamente acauteladas.

Braga Ciclável reune com concelhia CDS-PP Braga - João Medeiros, Altino Bessa, Luís Pedroso

Altino Bessa, do CDS-PP, referiu a este propósito que por vezes há limitações jurídicas a que há que atender, como por exemplo nos casos em que as vias a intervencionar não estão afetas ao Município mas sim às Infraestruturas de Portugal.

Mário Meireles afirmou que “temos de começar a considerar a cidade de Braga de acordo com os limites geográficos da própria cidade, e não somente o centro histórico”. Como exemplos de medidas práticas que são necessárias um pouco por toda a cidade, e relativamente económicas e fáceis de implementar, referiu as passadeiras, que devem estar devidamente visíveis, elevadas ao nível do passeio, e com outras medidas de abrandamento do trânsito, incluindo estreitamento das vias. Por outro lado, recordou a necessidade de adaptar as rotundas por forma a apenas terem uma via de trânsito em cada saída, conforme parecer o jurídico que a Braga Ciclável divulgou, reduzindo assim o número de atropelamentos a peões e ciclistas, bem como a probabilidade de colisão entre veículos nesses locais. Os cruzamentos, defende, devem também em muitos casos ser sobrelevados. Estas e outras medidas permitiriam reduzir a velocidade e o número de carros, aumentando assim a segurança e a fluidez do trânsito, com claros benefícios para todos.

A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

Uma oportunidade para desacelarar

Uma oportunidade para desacelarar


O compasso em que vivemos as nossas vidas é cada vez mais acelerado e stressante e muitos de nós somos absorvidos pelo caos, a pressão e a pressa, levando a que a nossa mente se transforme numa autêntica autoestrada.

Andar de bicicleta no dia-a-dia é uma boa forma de reivindicar o nosso próprio tempo e focar a atenção no presente. É um excelente meio para criar um espaço mental livre e estarmos conectados com as nossas emoções, sensações físicas e com o meio envolvente. Assim, esquecemos e pedalamos para o lugar onde queremos ir com a mente atenta aos sons, à paisagem e a nós. A consciência que desenvolvemos ao andar de bicicleta ajuda-nos a libertar preocupações e a escapar a padrões de pensamento negativos. Somos confrontados com os nossos medos e com os nossos limites e superamos a cada momento desafios, tornando-nos mais autossuficientes e independentes.

A investigação tem revelado que utilizar a bicicleta na rotina diária, além de tornar o corpo mais saudável, apresenta grandes benefícios também para o cérebro aumentando a produção de proteínas usadas para o desenvolvimento de novas células cerebrais. Estando também cientificamente comprovados os benefícios para a saúde emocional, ajudando a combater a depressão e ansiedade. De acordo com autorrelatos de utilizadores de bicicleta, presentes consistentemente em diversos estudos, verifica-se que os fatores psicológicos como relaxamento, redução de stress, diversão, prazer e interação social são as principais motivações para o início e/ou continuidade da utilização da bicicleta como modo de transporte.

Quando estamos dentro da carapaça de um automóvel, estamos demasiados focados no destino, em chegar o mais rápido possível, levando a que o espaço temporal entre o partir e o chegar seja quase um tempo morto, uma perda de tempo – estar preso no trânsito é sempre um constrangimento, todos nós sabemos. Quando a deslocação é feita através da bicicleta o percurso é o encanto maior da viagem, possibilitando uma infinidade de conexões intermediárias que geralmente são muito valiosas e que conduzem a uma ótima sensação de bem-estar. O tempo do percurso deixa de ser apenas um tempo de deslocação e passa a contar como tempo útil, como tempo de vida.

@Diário do Minho, 15 de junho de 2019

V Braga Cycle Chic

V Braga Cycle Chic


No próximo dia 29 de Junho Braga recebe a 5.ª edição do Cycle Chic, organizada pela associação Braga Ciclável.

O evento, que terá como ponto de partida a Praça da República às 15h, conta este ano com a presença do secretário de estado e adjunto da mobilidade, José Mendes.

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Ciclo Passeio Solidário de São João

Ciclo Passeio Solidário de São João


Ciclo Passeio Solidário de São João

No dia 16 de Junho, a Braga Ciclável organiza mais um passeio de bicicleta, pela cidade, desta vez de cariz solidário. Este passeio conta com a colaboração da Associação Anima Una, Midtones Photography e da Associação de Festas do São João de Braga.

Este passeio, terá o seu inicio na Praça da República, pelas 10:00. Depois passará pela Capela de São João de Braga, onde se desenrolará uma breve resenha histórica, sobre a grande festa do São João de Braga. Terminará, pelas 11h30, junto à Igreja do Seminário de Fraião.

Este passeio terá um ritmo urbano, sem qualquer vertente competitiva, numa ótica de informação, conhecimento da festividade principal da cidade, associado a um cariz solidário. Haverá um cumprimento escrupuloso das regras de trânsito e as pessoas que nele participarão serão totalmente responsáveis pelos seus atos.

O percurso foi elaborado tendo em conta a possibilidade de comparecerem crianças e por forma a evitar pontos onde as velocidades dos automóveis não permitem a circulação em segurança de pessoas em bicicleta. Ao longo do passeio, o grupo, terá o acompanhamento de uma patrulha da Policia de Segurança Pública.

Este é um evento de participação livre, sem inscrição e sem organização formal. A participação não está sujeita a inscrição prévia, sendo que basta aparecer no local às 10:00 do dia 16 de Junho.

A breve resenha histórica ficará a cargo do Dr Ricardo Silva, presidente da junta de freguesia de São Victor.

Caso assim pretendam, incentivamos a doar vestuário ou outros bens, para a causa do CEPAC (www.cepac.pt/home).

Porquê a escolha da CEPAC?

A CEPAC é uma IPSS que presta auxílio a imigrantes oriundos se diversos países, sobretudo de origem africana.
O seu objetivo é a facilitação de integração dos imigrantes na comunidade, apoio psicossocial, financeiro, alimentar e formativo, de acordo com as necessidades de cada um.
Apesar de não ser uma organização recente, a problemática que a Europa vive, com o fluxo migratório africano atual e a catástrofe humanitária no mar mediterrâneo, torna importante dar visibilidade e colaborar com estas instituições que, silenciosamente, tanto fazem por quem delas tanto necessita.

Dia 16 traga vestuário, que já não lhe faça falta, e nós encaminharemos para a CEPAC. Teremos, perto da Praça da República, um pequeno reboque para transportar os bens que sejam oferecidos ao CEPAC.

O Ciclo Passeio Solidário de São João vai contar com o profissionalismo da Midtones Photography, para o registo fotográfico do evento.
(consulte em www.midtonesphotography.com).

Contamos com a sua presença.

Braga Ciclável reuniu com concelhia da CDU

Braga Ciclável reuniu com concelhia da CDU


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 3 de junho, com representantes da concelhia de Braga da Coligação Democrática Unitária (CDU). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes o vereador Carlos Almeida e o deputado da assembleia municipal Marcos Couto, da CDU, e Arnaldo Pires, Sara da Costa e Victor Domingos, da associação Braga Ciclável. O vice-presidente da Braga Ciclável, Victor Domingos, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte graves a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança. Assinalou também a importância de garantir que todos os cruzamentos e passadeiras têm condições de visibilidade adequadas, o que em alguns casos não acontece no presente, seja pela presença de veículos estacionados, seja por causa de contentores de recolha de lixo mal posicionados.

Braga Zero Atropelamentos - reunião com CDU

Carlos Almeida exprimiu a sua consonância com os objetivos deste movimento cívico promovido pela Braga Ciclável, destacando a importância crucial do desenho urbano para a segurança de todos os utentes da via pública. Recordou, a este respeito, o antigo vereador do trânsito, Eng. Casais Baptista, que já há décadas tentara implementar na cidade de Braga uma rede de parques de estacionamento periféricos articulados com os transportes públicos, no sentido de favorecer a mobilidade intermodal e reduzir o número de veículos motorizados em circulação no interior da cidade.

O vereador da CDU referiu ainda que seria bom criar zonas sem carros nas imediações das escolas e jardins de infância, bem como garantir uma mais eficaz fiscalização do estacionamento nas paragens de transportes públicos, por forma a aumentar a segurança das crianças. Carlos Almeida mostrou-se disponível para dar voz à Visão Zero e trazer estes temas para a ordem do dia, no contexto das suas intervenções a nível municipal.

A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

Será a mobilidade ciclável um bom investimento público?

Será a mobilidade ciclável um bom investimento público?


A análise do custo/benefício deve ser um aspeto fundamental de suporte às decisões de investimento público. No entanto, este tipo de análises nem sempre são um exercício simples: se por um lado, os custos não se restringem aos que estão diretamente associados a uma dada obra, por outro, a totalidade dos benefícios não se faz sentir no imediato.

Esta introdução vem a propósito de um estudo que se dedica a analisar o custo/benefício dos investimentos feitos em mobilidade ciclável na cidade espanhola de Sevilha.

A partir do ano de 2003, foi estabelecido um plano que transformou Sevilha numa improvável cidade modelo para a mobilidade ciclável. Do plano fizeram parte a construção de cerca de 140km de ciclovias urbanas, um sistema de bicicletas partilhadas com 260 pontos de partilha e “bicicletários” para o parqueamento de cerca de 5000 bicicletas. Com este plano, entre 2006 e 2011 houve um aumento, em números redondos, de 6.000 para 70.000 utilizadores regulares da bicicleta. No entanto, terá sido ele um bom investimento de dinheiros públicos?

Um estudo realizado por uma equipa liderada pelo professor de Economia da Universidade de Sevilha, José Ignacio Castillo Manzano, publicado em 2017 na revista Land Use Policy, assegura que sim. Nele foram considerados não só os custos diretos deste investimento como também os custos de manutenção e outro tipo de custos, como por exemplo o aumento do número de acidentes entre carros e bicicletas (que, naturalmente, aumentou em números absolutos devido ao aumento do número de bicicletas). Do lado dos benefícios pesaram na balança, por exemplo, a redução dos custos associada à diminuição da emissão de poluentes, a redução do tempo médio das deslocações, as poupanças relacionadas nos custos de manutenção dos veículos a motor, que passaram a fazer menos quilómetros, etc. Feitas as contas, e considerando um prazo de 25 anos, o investimento na mobilidade ciclável terá, em Sevilha, um retorno de cerca de 130% do valor investido, o que, de acordo com o autor, é um valor muito significativo quando comparado com outras infraestruturas urbanas e do setor dos transportes.

@Diário do Minho, 1 de junho de 2019

Carta Aberta – Bicicletário Fórum Braga

Carta Aberta – Bicicletário Fórum Braga


A instalação de estacionamentos adequados para bicicletas na cidade de Braga é uma das reivindicações mais antigas da Braga Ciclável. A medida era destacada como uma das mais urgentes na Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, que foi lançada em 2012 e entregue ao Município e às várias forças políticas, incluindo ao então vereador Ricardo Rio.

Depois de darmos nota da remoção de (bons)bicicletários na Rua Nova de Santa Cruz e no Parque de Exposições de Braga (agora Fórum Braga), fruto das obras, e de alertarmos o Município para a colocação com erros de estruturas de estacionamentos para bicicletas na Rua Dom Afonso Henriques e no Mercado Municipal, somos surpreendidos com a colocação de empena-rodas no agora Fórum Braga.

Perante tal situação dirigimos a seguinte carta ao Presidente da Câmara Municipal de Braga e a dois dos seus Vereadores para poderem agir. Até à presente data não recebemos qualquer resposta.

Carta aberta ao
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga, Dr. Ricardo Rio
Exmo. Senhor Vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, Dr. João Rodrigues
Exmo. Senhor Vereador da Mobilidade, Professor Doutor Miguel Bandeira

 

Dirigimos esta carta a vossas excelências por considerarmos que o assunto é da vossa
responsabilidade, uma vez que se trata de mobiliário urbano numa praça que nos parece ser pública.
Caso assim não seja, pedimos que remetam a mesma a quem de direito ou nos indiquem a que
responsável deve ser dirigida esta comunicação.

 

Desde o início da instalação dos bicicletários em que a estrutura utilizada é do tipo Sheffield, a partir
do ano 2012, temos vindo a tentar trabalhar com o município por forma a garantir uma instalação
acertada dos bicicletários, quer quanto à infraestrutura, quer quanto às localizações.
Fazemo-lo tendo sempre como fundamento as melhores práticas da matéria e utilizando manuais como
justificação para tal. Ajudamos a definir as localizações do Plano de Implementação de
Estacionamentos para Bicicletas em Braga, que existe na Divisão Municipal do Urbanismo – apesar de
termos deixado o alerta, na altura, de que as distâncias entre as estruturas de um bicicletário deveriam
ser maiores, tal como recomendado pelos manuais de boas práticas.

 

Ao vermos serem instaladas estruturas de forma errada decidimos enviar-vos duas cartas abertas, em
momentos diferentes e sobre colocações diferentes. Não obtivemos qualquer resposta às mesmas e
tornamo-las públicas. À comunicação social – Jornal de Notícias – disse Miguel Bandeira que “estas
estruturas estão a ser instaladas segundo os principais interlocutores”, mas “há correções a fazer”.
O tipo de suporte apontado como sendo o mais adequado para a solução de estacionamentos de curta
duração para bicicletas possui essa barra e tem (ou tinha) sido utilizado pelo Município (ver Figura 1).

Tipo de suportes recomendados a nível nacional e internacional

No primeiro mandato da coligação foram colocadas estruturas Sheffield no então Parque de Exposições de Braga e na Rua Nova de Santa Cruz. Estes suportes, que são os mais adequados para o estacionamento de bicicletas, foram removidos aquando das obras. As estruturas foram retiradas e não foram recolocadas.

 

Nos últimos dias foi colocada uma estrutura metálica que pretende servir de estacionamento para bicicletas, mas não serve. A estrutura colocada é conhecida, entre técnicos, especialistas da mobilidade em bicicleta e utilizadores da bicicleta, como “empena-rodas”. A mesma estrutura é indicada como “má prática” nos manuais de estacionamento para bicicletas.

 

Surpreende-nos ver uma alteração como esta, que acaba sendo um retrocesso na qualidade das infra-estruturas instaladas e na política anteriormente assumida. Não faz sentido mudar o tipo de suporte, sem uma estratégia fundamentada e sem manter um design igual para melhor perceção da população relativamente à função dos suportes.

 

Não se entende este retrocesso depois de se ter definido a melhor estrutura para estacionamento de bicicletas, tendo sido Braga referência na instalação deste tipo de estruturas e na escolha do modelo acertado. Hoje, depois de tantas reuniões realizadas no passado recente, de toda a informação e sua evidência sobre o assunto, assumimos que nos é difícil aceitar que se cometam erros, crassos e básicos, como é a instalação deste empena rodas, em 2019.

 

Lamentamos que a esta altura se volte a discutir o tipo de suporte, quando podíamos estar a discutir estratégias para aumentar o uso da bicicleta em Braga como uma das alternativas reais e desejáveis ao uso do transporte individual na cidade.

 

Continuamos, como sempre, disponíveis para discutir previamente estas e futuras situações, de modo a evitar que se repitam erros.

 

Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Exas.,
subscrevemo-nos com os nossos melhores cumprimentos,

 

Pela Braga Ciclável
Mário Meireles (Presidente)
Victor Domingos (Vice-Presidente)

Ministro das Infraestruturas recebe representantes da Mobilidade em Bicicleta

Ministro das Infraestruturas recebe representantes da Mobilidade em Bicicleta


O Ministro das Infraestruturas, Dr. Pedro Nuno Santos, reuniu na passada terça-feira, dia 28 de maio, pelas 20 horas, com representantes da FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta.

José Manuel Caetano, Presidente da FPCUB, fez um breve enquadramento do longo historial da federação, que é uma das sete associações de defesa do ambiente, de âmbito nacional, e apontou a necessidade de incluir nos cadernos de encargos de material circulante, como sejam os barcos ou os comboios, a possibilidade de transporte de bicicletas. Solicitou ainda, especial atenção para os barcos que atravessam o Tejo e todos os comboios, sem esquecer as ligações a Espanha, como é o exemplo das ligações ferroviárias que permitem o regresso dos peregrinos e cicloturistas nos caminhos de Santiago.

Destacou-se a necessidade de apostar, com determinação na rede EuroVelo, cuja coordenação desta rede europeia em Portugal, é competência da FPCUB. Torna-se evidente a necessidade de executar a rede já planeada em parceria com as entidades locais, tal como, dar os próximos passos acompanhando a vontade espanhola para criar uma nova rota EuroVelo (Mariana) de ligação entre Lourdes, Madrid, Elvas, Vila Viçosa, Reguengos, Évora, Lisboa e Fátima.

Filipe Beja, na qualidade de membro do Conselho Consultivo para a Mobilidade Sustentável, deu ênfase a todo o trabalho efetuado pela FPCUB, seus associados e restante movimento ambientalista, que ao longo dos anos têm exercido o seu dever de cidadania ativa, contribuindo com pareceres, documentos e participações públicas em diversos fóruns e assembleias. Fez-se ainda referência à cooperação institucional que tem sido desenvolvida ao longo do tempo com o IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a CP – Comboios de Portugal, a ANSR – Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, o Turismo de Portugal, a IP – Infraestruturas de Portugal, a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, as Áreas Metropolitanas e Comunidades Intermunicipais, várias Câmaras Municipais do País, a ECF – European Cyclists’ Federation e a ConBici – Coordinadora en defensa de la bici, a par, naturalmente, dos distintos Governos de Portugal.

Para Jorge Coelho, de Faro e membro do Conselho Consultivo para a Mobilidade Sustentável, é necessário aproveitar o processo de eletrificação da Linha do Algarve para colocar vias cicláveis e pedonais nas pontes e em outros locais onde seja adequado. Para além disso é fundamental concluir os processos de resolução de conflitos relativamente à necessidade de infraestruturas seguras de apoio à EuroVelo.

Já Mário Meireles, de Braga, também membro do Conselho Consultivo para a Mobilidade Sustentável e Presidente da associação Braga Ciclável, recordou as conclusões do “XVI Congresso Ibérico: A bicicleta e a cidade. Para além da mobilidade… a acessibilidade”, organizado pela FPCUB e pela congénere espanhola CONBICI, que vão ao encontro das sugestões de todos os grupos nacionais que promovem o uso da bicicleta, e das quais se destaca a necessidade de fechar o processo de revisão do RST – Regulamento de Sinalização e Trânsito, bem como de sinalizar e reorganizar as vias de trânsito que não são segregadas, para que estas permitam uma utilização segura da bicicleta, entre as quais se destacou a necessidade de vias BUS+Bici e de zonas de coexistência.

Deu-se nota da necessidade de uma Rede Nacional de Infraestruturas Cicláveis, com hierarquização e uniformização de redes à escala nacional, regional e local, com uma sinalização normalizada e regulamentada pelo IMT/ANSR – prevista portanto num novo RST – e integrando também a sinalização da EuroVelo.

Na sequência de pedidos de longa data, relativos à estação de Braga, reforçou-se a necessidade de construir locais seguros para o estacionamento de média e longa duração junto a interfaces de transporte, deixando ainda o pedido de aproveitamento das oportunidades de financiamento comunitário dedicado às infraestruturas cicláveis e à promoção da utilização da bicicleta.

Propôs-se a criação de um modelo institucional de âmbito nacional, que poderá estar no IMT, que faça a gestão integrada da Rede Nacional de Infraestruturas Cicláveis, tendo competências para identificar e sinalizar rotas, definir normas técnicas e de sinalização, proceder à manutenção da infraestrutura e desenvolvimento dessas rotas, fazer projetos e construir infraestrutura dedicada ou adaptada, onde seja necessário, e reunir e disponibilizar informação de transportes públicos e turismo ao longo das rotas. Esta estrutura pode basear-se numa adaptação do modelo suíço, que com um orçamento de cerca de 15 milhões de euros possui 9 rotas nacionais, 54 rotas regionais, 49 rotas locais) e que se estima que tenham mais de 11 milhões de viagens por ano em bicicleta.

Ainda integrado neste modelo institucional, a FPCUB propôs-se a criar uma Rede Nacional de Cidades Cicláveis, em parceria com o INE – Instituto Nacional de Estatística, e com o IMT, para que se possa promover uma rede de partilha e capacitação técnica, assim como, monitorizar os movimentos pendulares urbanos feitos em bicicleta (o número de km pedalados, a evolução do uso da bicicleta e da infraestrutura na cidade) constituindo-se um repositório de dados cicláveis abertos à comunidade.

A existência de um fundo ciclável pode promover e potenciar eficazmente, a adesão dos municípios a modelos de desenvolvimento previstos pelo governo (implementando redes cicláveis nas cidades). Mário Meireles defendeu que apenas depois de se criarem condições de circulação em segurança na infraestrutura é que se pode passar à promoção da utilização da bicicleta nas escolas, para que as crianças vejam correspondidas as suas expectativas na circulação em ambiente urbano seguro.

Por fim, foi ainda dada nota ao Senhor Ministro, de que a FPCUB continua disponível e interessada em contribuir para o interesse público e para a promoção da utilização da bicicleta, contudo, a FPCUB não foi convidada a participar na elaboração e acompanhamento da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa 2030. Deixamos assim como, proposta, uma profunda revisão deste documento e do que lhe antecedeu: “Portugal Ciclável 2030”. Mais se acrescentou que não pode ser ignorada a qualidade técnica dos serviços públicos, entre os quais do próprio IMT, assim como, o Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e Outros Modos Suaves (CiclAndo) o qual, com pontuais reajustes, atualizações e integração com o Programa Nacional de Investimentos 2030, serviria melhor os interesses do País.