Mobilidade Sustentável – o que é e porque é tão importante?

Mobilidade Sustentável – o que é e porque é tão importante?

A expressão “Mobilidade Sustentável” entrou definitivamente no vocabulário corrente da nossa classe política, como forma de exprimir o seu empenho na construção de qualquer coisa moderna e ecológica que a sociedade espera constituir um alicerce para um mundo melhor. Mas, por vezes, há palavras que de tanto repetidas, parecem perder o seu sentido original. O que é afinal a Mobilidade Sustentável e porque é tão importante?

Falar de Mobilidade Sustentável é falar de um uso inteligente, estratégico e eficiente dos diversos modos de transporte, por forma a garantir que, por um lado, aproveitamos ao máximo o seu potencial prático e económico e, por outro lado, o fazemos de modo a conservar os recursos naturais e económicos, e também de forma a promover um tipo de ocupação do espaço público que nos permita fruir da cidade em condições de conforto, saúde e segurança. Ou seja, transportar um maior número de pessoas para os locais necessários, reduzindo os custos das viagens, bem como os decorrentes da construção e manutenção da rede viária, reduzindo a poluição e reduzindo o espaço público alocado para circulação ou estacionamento de veículos.

O que num primeiro olhar parece um paradoxo é, afinal de contas, um objetivo prático e concreto para o qual temos de começar a trabalhar já. Reduzir níveis de ruído, gases e partículas poluentes (que todos os anos nos causam doenças) é uma prioridade. Sem saúde, não há qualidade de vida nem bem-estar. Nem uma economia forte, se isso interessar mais.

Ao mesmo tempo, sabemos que o espaço urbano é limitado. Ocupar as ruas com mais carros, mesmo elétricos, atrofia as zonas residenciais e comerciais e torna-as menos seguras, mais barulhentas e de um modo geral menos aprazíveis.
É por isso tempo de apostar em alternativas, que existem e são do conhecimento geral. Uma boa rede de transportes públicos permite assegurar a deslocação de um grande número de pessoas, sem entupir a cidade de carros (um autocarro substitui facilmente cerca de 40 automóveis e ocupa muito menos espaço). Por outro lado, a bicicleta permite percorrer de forma económica distâncias curtas, até cerca de 5km, e com grande eficiência em termos de tempo, quando comparamos com o automóvel e levamos em consideração custos, estacionamento, etc. Não polui, não faz ruído e ocupa muito menos espaço que um carro.

A implementação de uma Mobilidade Sustentável (inteligente, estratégica, eficiente) à escala de uma cidade como Braga requer coragem política, arrojo intelectual e capacidade de planeamento e execução. Para conseguir o máximo benefício para todos os cidadãos, vai ser necessário levar a cabo medidas que num primeiro momento podem até nem ser populares. Mas não fazer agora esse investimento seria comprometer irremediavelmente uma parte importante do futuro da próxima geração.


(Artigo originalmente publicado na edição de 05/08/2017 do Diário do Minho)

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Usar a bicicleta como meio de transporte tem muitas vantagens para nós e para os que nos rodeiam. Mas… o que é preciso para começar a deixar o carro em casa e passar a utilizar a bicicleta?

1. Uma bicicleta

Provavelmente, até já tem uma bicicleta algures na sua casa. Se não tem avarias, se anda e trava, então serve! Até pode ter um pouco de ferrugem aqui e ali, desde que o quadro e os principais componentes estejam intactos. E nada como uma bicicleta antiga para reviver velhas aventuras. Talvez precise de uma limpeza ou afinação, mas não tem problema: mesmo que não o saiba fazer basta levá-la a uma oficina de bicicletas e o mecânico tratará de a deixar pronta para as suas viagens.

Mas se ainda não tem bicicleta, então o melhor mesmo é comprar uma. Não tem de ser um modelo caro, mas convém que tenha alguma qualidade. Os preços mais altos encontram-se em bicicletas de competição, que poucas vantagens trazem para quem quer um veículo utilitário. Verifique os modelos existentes e que tipo de acessórios trazem. Há marcas que parecem baratas, mas não incluem alguns extras úteis ou mesmo imprescindíveis, como por exemplo um bom conjunto de luzes ou os guarda-lamas.

2. Luzes e refletores

São obrigatórios e absolutamente necessários para quem faz as suas deslocações diárias de bicicleta. Mesmo que não tencione circular de noite, poderá surgir um imprevisto que obrigue a viajar a uma hora mais tardia ou com céu encoberto. As luzes e os refletores, juntamente com uma condução sempre atenta e defensiva, serão as suas melhores medidas de segurança.

Deverá ter dois refletores em cada roda, mais um refletor branco à frente e um vermelho atrás. Deve ter ainda uma luz branca (fixa) à frente e uma luz vermelha (também preferencialmente fixa) atrás. Podem ser a pilhas ou de dínamo, o importante é que funcionem bem e ajudem a ver e ser visto(a).

3. Cesto, grade e/ou alforges

Quando começar a usar a bicicleta, certamente quererá transportar alguns objetos na bicicleta: uma peça de roupa, um poncho ou fato impermeável, um computador portátil, alguns livros, o almoço ou o lanche, algumas compras da mercearia, etc. Ainda que uma simples mochila permita remediar, a verdade é que é muito mais confortável se a bagagem não pesar nas nossas costas, mas sim nas da bicicleta. Suamos menos e conseguimos levar muitas mais coisas na bicicleta, sem complicações. Por isso, vale a pena escolher uma bicicleta que tenha cesto ou grade bagageira e alforges, ou então equipá-la com esses acessórios, que atualmente estão à venda em qualquer loja de bicicletas.

OUTROS EXTRAS

Algo que não pode faltar é um bom cadeado para prender a bicicleta enquanto for tratar dos seus assuntos. Há vários modelos, mas os mais seguros costumam ser aqueles em forma de U.

Também pode ser útil uma bomba de ar e um conjunto de ferramentas para apertar algum parafuso.

Finalmente, guarda-lamas e protetores de corrente evitam que a lama e o óleo sujem a nossa roupa. Se a sua bicicleta não tiver esses acessórios, um mecânico poderá instalá-los.

Foi assim o regresso dos Encontros com Pedal

Foi assim o regresso dos Encontros com Pedal

Realizou-se este sábado, dia 10 de junho, pelas 17h00, em Braga, uma nova edição dos Encontros com Pedal, numa parceria da Associação Braga Ciclável com o blogue Aqueles Que Viajam. Conviver, partilhar experiências sobre a utilização da bicicleta e passear pelo centro da cidade neste meio de transporte foi o mote para este grupo de ciclistas se encontrarem junto à emblemática esplanada do café A Brasileira. 

E foi dali, tal como era aliás habitual há alguns anos, que saiu o grupo para um passeio de bicicleta em direção a um lanche cheio de boa disposição. O destino, para além da passagem por alguns dos “postais turísticos” do centro, era a zona da Sé. A Dona Petisca, um dos estabelecimentos daquela área, esteve encarregue de servir uma mesa que deliciou o apetite e a boa disposição dos presentes. (mais…)

Estacionar em Braga

Estacionar em Braga

Usar um carro não é nada barato e, nas deslocações urbanas, paradoxalmente, quando criamos novos lugares de estacionamento automóvel, aparecem ainda mais carros, fazendo com que haja sempre uma grande probabilidade de termos de deixar o carro a uma distância que demora 5 ou 10 minutos a pé. Usar a bicicleta como meio de transporte é uma excelente alternativa que, apesar de ainda faltarem infraestruturas básicas, nos permite facilmente poupar tempo e dinheiro, ao mesmo tempo que desfrutamos mais da cidade e melhoramos a nossa forma física.

A quantidade e a proporção de espaço público (e privado) que se encontra atualmente alocado para estacionamento automóvel encontram-se totalmente desalinhadas com os objetivos que vêm sendo traçados para o futuro da cidade. Fala-se em aumentar o número de ciclistas, em melhorar as condições para quem deseje escolher alternativas ao carro, mas continuam a faltar vias seguras, confortáveis e diretas na maioria dos percursos que necessitamos de realizar no dia-a-dia, bem como estacionamentos de qualidade que nos permitam prender ou guardar as bicicletas em segurança, por períodos que em muitos casos podem ser prolongados. É que, se o roubo de carros atormenta muitos automobilistas em Braga, o furto de bicicletas (integral, ou às peças) é uma calamidade escondida. Quem, nesta cidade, não conhece alguém a quem já tenha sido roubada uma, ou duas, ou mesmo três bicicletas?…


Já lá vão uns anos desde que foi entregue às várias forças políticas de Braga a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, onde alertávamos precisamente para estas questões. Mas continuamos a deparar-nos com uma enorme escassez de estacionamento para bicicletas, sendo que não há ainda nenhum local adequado para estacionamento de média ou longa duração. Continua a existir, isso sim, uma enorme disponibilidade de lugares de estacionamento automóvel, na ordem das várias dezenas de milhares, só na via pública, sem contar com os numerosos estacionamentos privativos e subterrâneos.

Por outro lado, em diversas ruas, o estacionamento automóvel faz-se à custa da fluidez dos transportes públicos ou da qualidade da vivência pedonal, prejudicando moradores, comerciantes e proprietários de imóveis, ao tornar as ruas menos seguras, menos confortáveis e menos atrativas.

Se o objetivo é termos, a curto prazo, 10% das deslocações diárias dentro da cidade a serem feitas de bicicleta, não seria lógico que as infraestruturas disponibilizadas refletissem essa aposta? Se queremos uma quota modal de 10% para os meios de transporte mais económicos e não poluentes, então faz todo o sentido criar, digamos, 10% de lugares de estacionamento para bicicletas. E, claro, 100% de vias seguras, com ZERO atropelamentos e ZERO mortes.


(Artigo originalmente publicado na edição de 1/4/2017 do Diário do Minho)

Vai um ciclista à minha frente – e agora?

Vai um ciclista à minha frente – e agora?

Quando circular atrás de um ciclista, deixe sempre uma distância frontal de segurança. O que é uma distância de segurança adequada? Vai depender de muitos fatores, como o estado do piso e a velocidade de circulação. Mas, basicamente, basta imaginar que, por azar, o ciclista à nossa frente se desequilibra ou tropeça num buraco e cai de imediato. A distância de segurança será a que permita automobilista parar em segurança sem atropelar o ciclista. Pode parecer um exagero, mas a verdade é que os imprevistos acontecem quando menos os esperamos, e a prevenção é o melhor remédio.

A este propósito, posso relatar algo que se passou comigo um destes dias, cá em Braga. No fim de um dia de trabalho, quando regressava a casa, de bicicleta, parei numa passadeira para ceder a passagem a uma senhora. Um carro que seguia atrás de mim, apesar de já vir a baixa velocidade, não conseguiu parar a tempo e bateu-me por trás. Um guarda-lamas partido, uma roda empenada, talvez um risco ou amolgadela no pára-choques… E uma grande sorte de não ter havido feridos nem mortos a lamentar.

Tenho notado imensas situações como esta, em que carros, autocarros e camiões se encostam perigosamente a poucos metros da traseira das bicicletas, situação em que, se o ciclista cai ou trava de repente, é impossível parar sem atropelar.

Deixo por isso um conselho de amigo a todos os condutores, inspirado numa das regras mais importantes e mais frequentemente descuradas do Código da Estrada: guardem sempre distância de segurança, sobretudo quando vai uma bicicleta à vossa frente. E abrandem, se necessário. Matar ou tornar alguém inválido não é um risco que queiram correr, acreditem!

Igual cuidado deve ser tido também ao efetuar uma manobra de ultrapassagem a uma bicicleta. Não podemos esquecer-nos de que um ciclista nem sempre consegue circular em linha reta. Frequentemente precisa de desviar-se de pequenos buracos ou outros obstáculos na via, bem como de executar um ligeiro ziguezague para se equilibrar. É por isso que a lei obriga a abrandar e deixar uma distância lateral de segurança de pelo menos um metro e meio ao ultrapassar um ciclista, para além, obviamente, de mudar totalmente para a via de trânsito à esquerda.

A terminar, acrescentaria apenas que uma das melhores formas de prevenir acidentes na estrada é reduzir a velocidade. Abrandar significa literalmente salvar vidas. E isso todos nós podemos fazer quando conduzimos um veículo na estrada. Não há pressa que justifique correr o risco de atropelar alguém.

Com estas três pequenas dicas, creio que podemos tornar a condução na nossa cidade bem mais segura para todos. Vamos a isso?


(Artigo originalmente publicado na edição de 04/02/2017 do Diário do Minho)

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?

Quem se interessa pela Mobilidade Sustentável e pelo que se vai dizendo e escrevendo sobre esse assunto certamente se recordará das declarações de Ricardo Rio, a propósito da sua “Visão Política”: até 2025, Braga deverá reduzir em 25% a utilização do automóvel e passar a ter 18 mil utilizadores regulares de bicicleta. Com esses objetivos em vista, este executivo prometeu 76km de vias cicláveis, isto é, ruas e avenidas concebidas ou adaptadas para serem realmente seguras, confortáveis e práticas para quem se desloca de bicicleta.

Mas passando das palavras às ações, é preciso começar a implementar medidas concretas que permitam alcançar as metas definidas, sem deixar de avaliar os resultados periodicamente.

A este propósito, tivemos há dias a oportunidade de ler nos jornais da nossa praça que o Município de Braga prevê a utilização de apenas 1,5% do orçamento municipal para 2017 em medidas relacionadas com a promoção da Mobilidade Suave, sendo referidos 500 mil euros para criação de uma Ciclovia Urbana de Braga, 200 mil euros para medidas de acalmia de trânsito e 750 mil euros para promoção da mobilidade pedonal. Em termos de comparação, e uma vez mais segundo a informação divulgada estes dias pela comunicação social, o investimento nessa área será praticamente equivalente em montante (mas não em proporção) ao do município vizinho de Vila Verde, que decidiu investir nessas áreas quase 5% do seu orçamento municipal para 2017.

Estes números do orçamento, convém notar, são mínimos quando comparados com os montantes gastos anualmente com a construção e manutenção da infraestrutura rodoviária do concelho. Não parecem portanto demonstrar na prática uma grande vontade de melhorar as condições para quem pretenda deslocar-se diariamente de bicicleta em Braga, nem de incentivar cada vez mais pessoas a fazê-lo.

Grandes opções do orçamento municipal de Braga para 2017 nas áreas de transportes e Mobilidade
Se queremos realmente tornar Braga uma cidade onde se vive bem, mesmo não usando o carro, precisamos de começar já a investir mais a sério em domínios onde durante décadas não investimos. E a verdade é que faltam 8 anos para chegarmos a 2025. Resta apenas cerca de um ano para terminar o mandato atual e continuamos à espera da quase totalidade dessas obras…

A terminar, deixo apenas duas perguntas:

– Quantos novos lugares de estacionamento para bicicletas foram criados em Braga em 2016?

– Quantos quilómetros de vias cicláveis foram criados este ano? (mais…)

Usar a Bicicleta no Inverno

Usar a Bicicleta no Inverno

Com a chegada do outono, e o inverno aí à porta, muitas bicicletas tendem a ficar encostadas a um canto, à espera da primavera. Mas não tem de ser assim. Quer utilize a bicicleta em lazer, em desporto ou em contexto utilitário, como meio de transporte, pode continuar a pedalar mesmo em dias de frio ou chuva. Com pequenas adaptações ao seu equipamento habitual, verá que é afinal uma coisa simples e que mesmo no inverno já não precisa de pegar tantas vezes no carro.

Basta olhar para outras cidades da Europa, com climas bem mais agrestes do que o nosso, para perceber que por lá a bicicleta continua a ser amplamente utilizada, mesmo com chuva, neve e gelo. O nosso clima, felizmente, é bastante ameno mesmo no inverno e na maior parte dos dias não chove, ou só chove em algumas horas. E a verdade é que, com o equipamento certo, como um simples fato impermeável, podemos continuar a usar a bicicleta em muitas das nossas deslocações, com o habitual conforto e chegando secos ao nosso destino.

Em primeiro lugar, convém ter a bicicleta devidamente afinada e lubrificada. Por isso, se ainda não fez uma revisão geral à bicicleta, esta é uma boa altura. Pondere também pedir ao seu mecânico para colocar uns guarda-lamas e um protetor de corrente, caso a bicicleta não os tenha. E talvez uma grade para a bagagem. Dá sempre jeito, para levar as compras e não só, e nesta altura ainda dá mais mais jeito porque, mesmo que não chova, podemos levar o nosso fato impermeável para a eventualidade de vir a chover mais tarde.

É bom lembrar que nesta altura todo o cuidado é pouco. Em caso de má visibilidade, não hesite em usar as luzes até de dia. Isso ajudará os outros condutores a notarem a sua presença, por entre os para-brisas molhados e embaciados. Para além das más condições de visibilidade, com a água os travões não respondem tão bem. Convém por isso moderar especialmente a velocidade, para não derrapar ao curvar ou travar.

Vamos lá pedalar?

Dica 1

Para a chuva não ser um problema, basta usar um fato ou poncho impermeável, que poderá vestir por cima da sua roupa normal. Se o calçado não for à prova de água, nas lojas de bicicletas encontrará coberturas impermeáveis para os sapatos, que fazem maravilhas. Umas luvas, uma gola ou bandana e um gorro ou chapéu vão certamente ajudar a vencer o frio.

Dica 2

Verifique se tem todos os refletores obrigatórios (branco à frente, vermelho atrás, e ainda dois laranja em cada roda) e se as luzes funcionam (branca à frente, vermelha atrás). Nesta época, os dias são mais curtos, há menos luz e a chuva dificulta a visibilidade, pelo que um bom conjunto de luzes é essencial.

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(Artigo originalmente publicado na edição de novembro de 2016 da Revista Rua)

© foto: Tiago Ribeiro Photography

Basta de atropelamentos!

Basta de atropelamentos!

Na manhã deste domingo, um grupo de ciclistas foi violentamente abalroado por um automóvel que circulava em velocidade excessiva na Avenida António Macedo, em Braga. De acordo com as notícias publicadas pela comunicação social e com os relatos que têm vindo a público, houve vários feridos e um dos ciclistas perdeu a vida.

A Braga Ciclável recebeu com tristeza esta notícia, e partilha essa dor e tristeza com os amigos e familiares das vítimas. Também nós acreditamos que não é admissível continuarem a acontecer, em plena cidade, acidentes como este. Cada vida que se perde, cada ciclista que é atropelado na estrada, leva consigo um pedaço da felicidade de todos os que o rodeiam. Em momentos como este, ninguém sai a ganhar. Todos perdem. O desleixo das autoridades, os excessos dos condutores, a indiferença da sociedade em geral, saem caro, muito caro.

É por isso urgente aplicar medidas efetivas de acalmia de trânsito. A responsabilidade para evitar estas mortes e ferimentos, e todo o sofrimento e prejuízo que daí advêm, cabe a todos.

Acidente em Braga - atropelamento na Avenida António Macedo

Cada condutor tem uma responsabilidade individual, que se reflete no tipo de condução, na velocidade a que escolhe circular (e não, não somos obrigados a seguir a corrente, não somos obrigados a circular à velocidade máxima permitida, e muito menos a velocidades superiores a esse limite), no cuidado com que mantém as distâncias de segurança e a permanente atenção a todos os utilizadores da via pública, incluindo peões e ciclistas. É inaceitável matar alguém na estrada só porque se vai com mais pressa e se circula num veículo rápido e mais pesado. Cada condutor tem de ser responsabilizado pelos seus atos e pelas consequências que deles advêm, porque não há seguro algum que possa devolver as vidas roubadas a peões e a ciclistas como este que perdeu a vida no passado domingo.

As forças de segurança e autoridade têm também a responsabilidade de sensibilizar e fazer cumprir a lei. Sabemos que nas ruas e avenidas de Braga continuam a ser praticadas velocidades excessivas e que, infelizmente, ainda é prática corrente o perigosíssimo uso do telemóvel durante a condução. É urgente combater esses comportamentos de risco, que causam acidentes e que ferem com gravidade e matam pessoas.

Finalmente, mas não menos importante, à autarquia cabe o fundamental papel de remodelar a nossa rede viária, implementando mecanismos que aumentem a segurança para todos os utentes, independentemente da sua forma de locomoção. Não é concebível que a maior zona habitacional de Braga seja atravessada por uma via onde se praticam velocidades muito superiores a 50km/h, numa altura em que várias cidades europeias apostam em força no limite máximo de 30km/h como forma de aumentar a segurança. A acalmia de trânsito deve pois ser uma prioridade, para que acidentes como este não voltem a acontecer.

É urgente acabar com os atropelamentos em Braga. A estrada é de todos, a estrada tem de ser segura para todos!

 
Fotos gentilmente cedidas pelo nosso leitor e amigo Carlos Veríssimo.

3 ideias erradas sobre a bicicleta na estrada

3 ideias erradas sobre a bicicleta na estrada

A bicicleta é um meio de transporte que desde há muito inspira a criatividade de poetas, músicos, cientistas, e não só. Mas é também frequentemente objeto de ideias erradas que teimam em persistir por mais tempo do que seria desejável. É um tema vastíssimo, por isso hoje abordaremos apenas três desses mal-entendidos, sobre a bicicleta na estrada.

“O lugar da bicicleta é na berma ou no passeio”

O lugar da bicicleta, por norma, é na própria faixa de rodagem, por onde devem circular os veículos em geral. Só podem circular de bicicleta nos passeios as crianças até 10 anos de idade. Ainda assim, a berma pode opcionalmente ser utilizada pelo ciclista, que deve tomar as devidas precauções de segurança para evitar atropelamentos a peões ou mesmo acidentes decorrentes da presença de obstáculos (árvores, postes, degraus, buracos…).

“As bicicletas só podem circular em fila e encostadas à direita”

Com as atualizações do Código da Estrada (CE) introduzidas em 2014, as bicicletas passaram a poder circular a par, como forma de aumentar a sua visibilidade e segurança. Foi ainda clarificado que devem manter da berma uma distância que permita evitar acidentes (por ex., com buracos, peões, portas de carros). E convém lembrar que é proibido ultrapassar um ciclista sem mudar para outra via de trânsito: ao ultrapassar uma bicicleta, os condutores são obrigados a abrandar a velocidade, passar para a via da esquerda e guardar uma distância lateral mínima de 1,5 metros. (mais…)