Segurança na cidade

Segurança na cidade

Já passou mais de um ano desde a última vez que andei de bicicleta! Assim que descobri que estava grávida, também por recomendação do médico, não quis arriscar pedalar! Passaram os nove meses e, já com a princesa cá fora, a bicicleta continuava a acumular pó! Agora, meio ano depois, ainda não arrisco pedalar, mas tenho esperança que brevemente o farei… muito em breve!

Como devem ter reparado, recentemente a cidade de Braga tem vindo a reunir algumas condições que nos permitem percorrer boas distâncias, com alguma segurança! Com a “conclusão” da última fase da ecovia “ribeirinha” do Rio Este, somos capazes de atravessar praticamente a cidade numa via ciclável única (no último troço) e partilhada com via pedonal! Atendendo às recomendações da Braga Ciclável, a C.M. Braga fez com que a ecovia melhorasse consideravelmente e contribuisse com que eu e mais pessoas ganhassem a vontade e coragem para voltar a pedalar ou caminhar em segurança! Este Verão será a minha estreia e, talvez, a da princesinha! Juntamente com a restruturação da Rua Nova de Santa Cruz, que ligada à D. Pedro V e unida à Avenida Central, fará com que pedestres e velocípedes não motorizados façam o percurso Universidade > Estação de caminhos de ferro > Universidade em segurança! (mais…)

Roleta Russa à Moda de Braga

Roleta Russa à Moda de Braga

Conduzir na nossa cidade cada vez mais é uma aventura!

Mesmo não havendo filas gigantes, que provocam stress, aumentam a poluição e derretem a paciência, como em cidades maiores, os condutores de Braga são verdadeiros pilotos! Desde ultrapassagens em cima de curvas, linhas contínuas, excesso de velocidade (fazem de qualquer via uma autêntica autoestrada), a fracos acessos e fraco policiamento!

Como condutora (automobilista e ciclista) que sou, fiz bastantes quilómetros em cidades com tradição de ciclismo urbano, como Copenhaga e Amesterdão e concluo que circular de bicicleta na nossa cidade não é propriamente uma actividade segura e agradável!

Actualmente, como esposa de um ciclista assíduo, ainda por cima grávida, não consigo sentir-me descansada, sabendo que ele partilha as vias com condutores de máquinas que, apenas com um retrovisor poderão magoá-lo, ou outro tipo de consequências de maior gravidade! Cada vez que ele sai de bicicleta, mal confirma que saiu do trabalho e que vai a caminho de casa, verifico o minuto a que ele saiu, oiço o ponteiro dos segundos a passar e fico apreensiva a ver as luzes dos automóveis na cidade, das janelas de nossa casa. Tento procurar as luzes da bicicleta dele, o que é praticamente impossível, imaginando que está a chegar são e salvo! Passam-se os segundos, formando minutos e ele não chega, pego no telemóvel e envio uma mensagem e… recebo resposta: “Estou na garagem! Acabei de chegar!”. Parece que tudo pára nesse momento!

Porque é que temos que passar por isto? Pedir-lhe que pare de andar de bicicleta será uma maldade! Mais ninguém sofre o mesmo? A culpa não é dos peões, dos ciclistas que conservam a cidade, que respeitam os outros, mas sim de quem desrespeita, de quem governa e não defende as pessoas, não defende a cidade. Pedalar ou caminhar em segurança é um direito de todos!

BASTA DE ATROPELAMENTOS E ACIDENTES!

Bebé a Bordo?

GRÁVIDAS PODEM ANDAR DE BICICLETA?

Sim, mas com precauções a tomar: evitar percursos acidentados e arriscados, nunca andar só e parar no terceiro trimestre. Atenção: as grávidas primeiramente deverão confirmar com o médico que as acompanha!

POSSO FAZER DESLOCAÇÕES DE BICICLETA COM O BEBÉ?

Sim, a partir dos 9 meses, já existem cadeiras compatíveis e homologadas para tal! Para além de saudável para a mãe, em condições favoráveis e confortáveis (sem trânsito, sem mau tempo, etc.), a criança desfrutará de algo novo e terá experiências únicas e até poderão ajudar a desenvolver o prazer de andar de bicicleta no futuro!


(Artigo originalmente publicado na edição de dezembro de 2016 da Revista Rua)

Bicicleta e Gravidez

Bicicleta e Gravidez

No momento em que uma mulher que gosta e anda de bicicleta recebe a confirmação de que está grávida, várias questões surgem no pensamento:

“E agora, posso continuar a usar a bicicleta?”

“Que cuidados adicionais devo ter?”

“Como será a reação do meu corpo e do meu bebé ao uso da bicicleta?”

Para obter resposta a este tipo de questões, a opção mais prudente e sensata é conversar com o obstetra ou médico que fará a vigilância e acompanhamento da gravidez. Este profissional de saúde é a melhor escolha para ajudar a mulher a decidir sobre o que é mais seguro fazer até ao término da gravidez. (mais…)

Casada com um ciclista…

Casada com um ciclista…

Poderia escrever sobre vários temas relacionados com a bicicleta, mas achei que seria interessante partilhar episódios do quotidiano de quem vive com um ciclista.

Muitas vezes os ciclistas possuem mais do que uma bicicleta, que utilizam de acordo com o contexto em que estão inseridos: na estrada, lazer, desporto, comutação, passeios de BTT, convívios, etc.. Por isso, no final de cada utilização da bicicleta, ouvimos sempre variadas histórias: desde o automobilista que não respeitou o ciclista na estrada, às peripécias da descida de um monte, a falta de sinalização na cidade, passando pelas marcas no corpo deixadas pela vegetação, até à lama acumulada na roupa e no calçado…

Viver com um ciclista significa que o tempo disponível para nós – as mulheres – também tem de ser dividido com elas (as bicicletas), pois também precisam de ser “cuidadas”! Lavar a bicicleta após um passeio no monte ou cidade, cuidar dos travões, lubrificar, afinar, verificar as luzes para andar na estrada, trocar os pneus consoante a estação….todo um ritual de procedimentos!

Nestas circunstâncias, em vez de nos questionarmos sobre tal estilo de vida, o melhor e mais correcto é fazer o mesmo e usufruir dos prazeres e benefícios em andar de bicicleta! Ser mulher ciclista é ser mais que mulher de ciclista…é pedalar pelo prazer, pedalar pela tranquilidade, pedalar pelas saias e salto alto! As “preocupações” com a roupa suja de lama, óleo e calçado cheio de terra para lavar ficam para segundo plano!

Toca a aproveitar o bom tempo para tirar as bicicletas de casa e usufruir do melhor que elas nos dão!

Não se esqueçam de participar no próximo II BRAGA CYCLE CHIC, que é já no dia 5 de Junho!
A participação é gratuita, sujeita a inscrição prévia, em: http://bragaciclavel.pt

Boas pedaladas!!


(Artigo originalmente publicado na edição de 28/05/2016 do Diário do Minho)

Carros ou cidadãos?

Carros ou cidadãos?

Desde a sua invenção, a utilização principal da bicicleta era nada mais, nada menos o meio das pessoas se moverem dentro das localidades! A roda foi reinventada e com ela o pneu, que por mera curiosidade, foi inicialmente pensado para tornar mais confortável a deslocação de bicicleta! Logo Michelin, a famosa marca de pneus, revolucionou o mundo das rodas, criando pneus para bicicletas, coches e futuramente, contrariando os fabricantes, alterou o conceito dos automóveis! (mais…)

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Todos os anos, desde 2002, entre os dias 16 e 22 de Setembro a Europa desdobra-se em comemorações relativas à Semana Europeia da Mobilidade, com a realização de inúmeros eventos e a implementação de medidas permanentes relacionadas com a mobilidade. Este ano, Braga participou pela 3ª vez nesta grande celebração, e com um cartaz que fez inveja a outras cidades portuguesas. Mas como correu afinal? E que marcas ficaram deste evento para o futuro da cidade?

Como em qualquer evento desta envergadura, que obriga à colaboração de várias entidades num programa tão extenso quanto diversificado, houve aspetos positivos e aspetos negativos. Cumpre fazer uma reflexão sobre o que ganhou a cidade com este evento e o que poderia ter corrido melhor, para que futuras edições possam ser ainda mais inspiradoras para a sociedade bracarense.

O cartaz e os eventos

Goste-se ou não do desenho gráfico do cartaz, uma coisa é difícil negar: houve eventos para quase todos os gostos e também o propósito de implementar medidas permanentes muito positivas.

Cartaz Braga Semana Mobilidade 2015

Ficámos contudo com a sensação de que o cartaz foi tornado público demasiado tarde e que uma boa parte dos eventos pecaram por fraca divulgação. Foi pena também que não houvesse grande articulação entre alguns dos elementos do cartaz. Por exemplo, aproveitar os passeios de bicicleta, os workshops ou a estreia do documentário Bikes Vs Cars para dar a conhecer os novos estacionamentos para bicicletas e a nova via ciclável. Por outro lado, não se entende que, apesar de avançar com um programa tão ambicioso para esta Semana da Mobilidade e de ter vindo a sugerir metas interessantes em termos de mobilidade sustentável para os próximos anos, a CMB não se tenha feito representar na palestra/debate que se realizou a seguir à exibição do documentário Bikes Vs Cars.

As medidas permanentes

Ao nível da Mobilidade em Bicicleta, o cartaz prometia algumas novidades interessantes, onde se destacavam a instalação de novos suportes de estacionamento para bicicletas (bicicletários) pela cidade e a implementação de uma via ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico através das ruas de São Victor, D. Pedro V e Nova de Santa Cruz. Duas medidas muito bem-vindas e plenamente alinhadas com o que desde há vários anos vimos defendendo.

Já em meados de 2012 na Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, apontávamos como medidas urgentes, precisamente, a instalação de estacionamentos para bicicletas e a implementação de um eixo ciclável entre o Campus de Gualtar, o Centro e a Estação. Mais recentemente, através do Mapa Braga Ciclável e de diversas contagens realizadas no terreno, pudemos comprovar que estas três ruas constituíam uma das principais vias de acesso ao centro e à universidade por parte dos utilizadores de bicicleta, a que não é alheio o facto de ser o percurso mais direto, além de ser quase plano e com tráfego automóvel reduzido.

Novos estacionamentos para bicicletas

A implementação dos bicicletários, apesar de realizada com um certo atraso, foi muito bem sucedida. A Câmara Municipal de Braga fez uma atualização em termos do design dos seus suportes do tipo Sheffield: são mais bonitos e agora já incluem barras horizontais de segurança para invisuais, que funcionam adicionalmente como sinalética integrada indicando visualmente a função a que se destinam. Além disso, a autarquia teve ainda o cuidado de colocar uma boa parte dos estacionamentos junto a infraestruturas e serviços públicos (centros de saúde, Mercado Municipal, Segurança Social, cemitério, museus, central de camionagem, Parque de Exposições), em localizações que, de um modo geral, nos parecem adequadas. Foram colocados mais de 50 suportes, repartidos por 13 novas localizações, algumas das quais com uma adesão imediata por parte dos ciclistas (por exemplo, no novo estacionamento junto à Livraria Centésima Página todos os dias vemos lá bicicletas).

Estacionamento para bicicletas em braga, na Avenida Central, junto á Livraria 100ª Página

É uma melhoria significativa, e provavelmente a marca mais visível que ficou da realização da Semana da Mobilidade. Ainda assim, continua a ser um número de lugares de estacionamento para bicicletas claramente insuficiente para uma cidade desta dimensão e com o número de habitantes que tem. Se o objetivo de Braga é alcançar a médio prazo uma melhor repartição modal, então precisa de investir em força neste tipo de infraestruturas de apoio ao uso dos meios de transporte alternativos. Ficou a faltar também a finalização do trabalho iniciado há cerca de 2 anos pelo anterior executivo: continua a estar em falta a sinalização de 6 locais de estacionamento para bicicletas (por exemplo, junto ao Banco de Portugal) – a colocação das placas de sinalização tarda em ser realizada, e não compreendemos o porquê deste atraso e do silêncio da CMB em relação a este assunto. Finalmente, ainda no que diz respeito a estacionamentos, foi pena a CMB não ter aproveitado para reparar ou substituir um dos suportes que há meses se encontra derrubado no Largo da Senhora-a-Branca…

Via Ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico

A ideia era, finalmente, permitir legalmente a circulação de ciclistas em ambos os sentidos (a via tem dois sentidos mas proíbe, num deles, o trânsito automóvel privado e de velocípedes), sinalizando-o de forma adequada e bem visível para maior segurança de todos. Os ciclistas que diariamente usam a Rua Nova de Santa Cruz, a Rua D. Pedro V e a Rua de S. Vítor nas suas deslocações certamente ficaram tão entusiasmados como nós ao lerem a notícia de que iria ser implementada esta medida durante a Semana da Mobilidade! Só que… afinal não foi. O que se passou afinal?

Rua D. Pedro V

Passado mais de um mês da Semana da Mobilidade, fonte ligada à CMB dá-nos nota que esta medida continua “em estudo”.

A Braga Ciclável realizou nestas e noutras ruas várias contagens de trânsito, tendo concluído que todos os dias ali passam centenas de pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte, em ambos os sentidos. As pessoas escolhem este percurso por um motivo simples: é o melhor percurso para quem vai de bicicleta. É o percurso percurso mais direto entre toda a zona Este e o Centro, praticamente não tem inclinações e a velocidade média e a quantidade do tráfego automóvel são mais reduzidas. Resumindo: é o caminho mais direto, mais rápido e mais seguro. Mas é ilegal, em rigor, no sentido Este-Centro, até que a Câmara decida colocar sinalização que autorize a circulação de bicicletas nesse sentido, juntamente com os transportes públicos. Trata-se de legitimar (e dar proteção legal em caso de acidente ou litígio) um uso que a sociedade bracarense há muito tempo já legitimou de facto, pois na prática é algo que já acontece e sem haver até à data qualquer registo de acidentes envolvendo velocípedes neste eixo.

Poderá ser que o que esteja “em estudo” seja a questão da enorme barreira artificial que representa atualmente, para peões, ciclistas e transportes públicos, o atravessamento da Av. Pe. Júlio Fragata. Esse local também merece uma intervenção, sem dúvida, mas cremos que não será motivo para adiar outras medidas bem mais simples e menos onerosas, que podem ser implementadas facilmente e com benefício imediato.

Até quando é que vamos ter de esperar por esta importante medida que já em 2012 apontávamos como urgente?

Rua Azul – combate ao estacionamento abusivo

Uma outra medida permanente que poderá ter passado mais ou menos despercebida, mas que é também importante para a melhoria da mobilidade é o programa Rua Azul, que consiste numa parceria com as forças da autoridade para fiscalizarem com “tolerância zero” o estacionamento ilegal e abusivo em determinadas ruas. A ser bem sucedida esta medida, acabariam nesses locais as filas de trânsito, os carros parados em cima do passeio, viaturas abandonadas em segunda fila, com os consequentes atrasos para os restantes automobilistas e, sobretudo, para os clientes dos transportes públicos.

Não dispondo de dados abrangentes sobre a forma como este programa está a ser aplicado, é-nos difícil fazer uma avaliação do mesmo. Quantos agentes da Polícia Municipal e da PSP foram destacados diariamente para o patrulhamento das ruas abrangidas pelo programa Rua Azul? Qual a duração desse programa – é mesmo uma medida permanente, ou tem prazo de validade?

Estacionamento ilegal na Rua D. Pedro V

Notamos, contudo, que pelo menos numa das ruas abrangidas por esta medida permanente (Rua D. Pedro V), as placas de sinalização de “Rua Azul” foram entretanto vandalizadas ou mandadas retirar. E também desapareceram dos respetivos postes as placas que proibiam o estacionamento durante o dia (mesmo sem placas, continua a ser proibido estacionar na maior parte da Rua D. Pedro V, à luz do art.º 50 do Código da Estrada). O que aconteceu? Foi um ato de vandalismo e a CMB ainda não mandou colocar novas placas? Ou será que os responsáveis da autarquia acabaram por ceder a pressões desses 50 ou 60 automobilistas que voluntariamente costumavam optar por estacionar ilegalmente prejudicando as restantes centenas ou milhares de utentes daquela via pública?

A concluir…

A Semana da Mobilidade já lá vai e, mesmo com os reparos que aqui fazemos, consideramos que foi uma iniciativa positiva. Para o ano, esperamos que haja mais e melhor, tanto a nível de eventos e medidas permanentes, como nível da organização e divulgação.

A este propósito, acreditamos que é necessário elaborar um plano abrangente da cidade de Braga para a mobilidade e as bicicletas. A intervenção pontual com medidas avulsas é sem dúvida importante, e deve continuar, mas é desejável que passem a fazer parte de um plano, em cuja concepção certamente terão um papel fundamental parcerias entre a CMB, os TUB, a Braga Ciclável e a sociedade em geral. Da nossa parte estaremos disponíveis, como sempre, para colaborar. Só assim poderemos garantir que todas estas medidas contribuirão para um objetivo maior de tornar a cidade um melhor local para viver.

Pedalar no feminino

Pedalar no feminino

Já lá vão os tempos em que meninos e meninas aprendiam a andar de bicicleta, andavam em grupo e divertiam-se a pedalar…na chegada da adolescência, os rapazes continuavam a utilizar a bicicleta para diferentes fins (deslocação para a escola, desporto, lazer, etc.), enquanto as raparigas deixavam a bicicleta para trás. Nesta fase do crescimento, os interesses mudavam, ajudados também pelo facto da nossa sociedade encarar a bicicleta como algo mais masculino do que propriamente feminino. Por outro lado, as bicicletas em geral eram criadas e desenvolvidas tendo em vista o utilizador do sexo masculino, descurando assim todas as potencialidades do enorme mercado feminino. Contudo, bastava viajarmos para algum país do norte da Europa para nos depararmos com uma realidade totalmente diferente: a bicicleta era e é usada como meio de transporte, por qualquer faixa etária, sexo, estrato social e em todas as estações do ano. (mais…)