Humanizar a cidade

Humanizar a cidade

A bicicleta tornou-se o meu principal meio de transporte. É a bicicleta que eu escolho para me deslocar na cidade de Braga. Quando algo me impede de usar a bicicleta escolho o serviço que a TUB me oferece.

Esta é a minha estratégia de mobilidade e partilho-a com o máximo de pessoas, porque considero que esta mudança multiplicada por um número suficiente tornará Braga uma cidade melhor para todos. As emoções que provocam esta minha ação evangelizadora remetem-me para momentos da minha infância: longe do alcatrão impermeável, do ar poluído, em contacto diário com a natureza e sem os atuais protecionismos exagerados por parte dos pais. Tudo isto porque o sítio onde brincava era seguro e sobretudo saudável.

Viver numa cidade não tem que ser sinónimo de ar mais poluído, de estradas entupidas com condutores cansados, sedentários, termo acondicionados.

Há a tendência recorrente em olhar para as cidades vizinhas e utilizar a expressão “não estamos assim tão mal”. No entanto, é precisamente ao contrário que devemos pensar e agir, procurando inspiração em outros locais, olhando sempre, em primeiro lugar, para a nossa cidade.

Eu não quero saber quais são as cidades que estão pior que nós (os meus pais nunca aceitaram como desculpa para o meu mau resultado, a média da turma), mas quero, sim, a possibilidade que existe de tornar a cidade de Braga equipada com tudo o que uma aldeia tem de melhor para dar: ar puro, espaços verdes para as crianças brincarem em segurança, ruas seguras e, de preferência, sem pessoas a morrer na estrada.

‘A aldeia’ a que todos recorremos aos fins de semana – o chamado ‘turismo rural’ – que traz tanta satisfação a tantas pessoas, muitas delas nem sabem bem porquê, mas a verdade é que toda a gente procura esta tranquilidade e esta infância, tão comum a muitos de nós.

Com a vontade de transpor este cenário para a realidade bracarense, somos cada vez mais. A associação Braga Ciclável, da qual eu sou associado, promove as cicloficinas que reúne ciclistas urbanos para pequenas afinações nas bicicletas e, nestes momentos, muitos são aqueles que se juntam a nós, na luta para devolver a cidade às pessoas, para devolver o ar puro às pessoas, para devolver mais espaços verdes, em vez de alcatrão, às pessoas, porque motivar uma mobilidade mais suave é sobretudo tornar as cidades mais humanas.

Falta Pedalada à política de Mobilidade

Falta Pedalada à política de Mobilidade

É urgente uma mudança na estratégia de mobilidade da cidade de Braga, tal como o atual executivo defendeu antes de ser eleito. Braga tem-se demonstrado uma cidade mais procurada para viver e mais visitada, o que levou ao aumento do trânsito rodoviário. Por consequência, o ar que respiramos tornou-se mais prejudicial, o nível de ruído aumentou e o tempo em deslocações também. A estação de monitorização de Frei Bartolomeu Mártires, em São Victor, registou valores relativos à qualidade do ar em 2017 superiores àqueles permitidos pela legislação nacional.

Aumentou também o número de pessoas que usam a bicicleta para se deslocarem na cidade. Basta estar atento às estradas em horas de ponta e às ineficientes e ainda insuficientes ciclovias da cidade. Se quisermos ser um pouco mais ambiciosos, podemos também contar muitos mais ciclistas urbanos imaginários em todas aquelas novas ciclovias que foram prometidas e tão bem vistas antes de a coligação ser eleita, e que até agora ainda não viram a luz do dia.

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Pedalar por Braga

Pedalar por Braga

Sou um recente ciclista urbano. Uso a bicicleta para deslocações na cidade de Braga: para me deslocar para o trabalho, para fazer compras e para passear no fim-de-semana. Descobri que a bicicleta me permite sentir e viver a cidade de uma forma mais humana: não poluo, não ocupo espaço desnecessário, economizo dinheiro e na maioria das vezes também tempo. Revela-se, por isso, bastante óbvio para mim que Braga, na sua área plana, desde São Pedro de Este até Ferreiros, é ciclável.

No entanto, fui-me deparando com algumas dificuldades. Concretamente, os problemas de segurança que a ciclovia da Variante da Encosta apresenta são inaceitáveis. O executivo camarário não poderá alegar falta de informação se uma situação negativa acontecer no futuro. Estes problemas serão resolvidos se o primeiro parágrafo do capítulo ‘Mobilidade’ do programa eleitoral do executivo eleito se tornar uma medida cumprida.

Braga é exemplo de uma cidade que cresceu com base num modelo centralizado no automóvel. Comprova-se contando as estradas, muitas delas vias rápidas, e os parques de estacionamento subterrâneos. As consequências no centro da cidade foram e continuam a ser as vias congestionadas, os índices de poluição do ar (índices de poluição que tornam os bracarenses pessoas menos saudáveis), poluição sonora elevada e aumento da sinistralidade. Fatores que contribuíram para tornar o centro da cidade desagradável para habitação. Corrobora-se esta afirmação contando o número de habitações construídas nos subúrbios enquanto o centro ficou desabitado e degradado durante muitos anos.

No meu entendimento, a bicicleta deverá ser um objeto de análise e estratégia política pelos seus efeitos benéficos na vida das cidades. A adoção de uma estratégia de mobilidade que permita que uma grande parte da população bracarense se desloque de bicicleta apresenta consequências muito positivas na saúde, no ambiente, na economia e no urbanismo.

Considero que em Braga há uma vontade na opinião pública no sentido de tornar a cidade menos centrada no automóvel e mais nas pessoas.

Julgo ser este o momento de tomar medidas, com intenções claras de afirmar o uso da bicicleta em Braga, em detrimento da realização de obras que demonstram falta de coragem e estratégia. É necessário desenvolver uma estratégia séria e global para a cidade. As vias de Braga estão à disposição do executivo para que possam, na primeira pessoa, entender o que significa ser ciclista urbano na cidade que os escolheu. Facilmente se tornará percetível de que é possível tornar Braga definitivamente ciclável, abraçando todos os benefícios que isso implica.

Motivar o uso da bicicleta em Braga é sobretudo estar preocupado com as pessoas que vivem na cidade. É um ato individual com imensa consciência coletiva.