Via Ciclável entre Universidade do Minho e Centro Histórico ficará pronta em Maio

Via Ciclável entre Universidade do Minho e Centro Histórico ficará pronta em Maio

No passado dia 28 de Abril de 2016, pelas 21h30, decorreu, no auditório da Junta de S. Vítor, a 11ª sessão ordinária da Assembleia de Freguesia de S. Vítor. No período de intervenção do público, um dos cidadãos pediu a palavra e questionou o Presidente da Junta de S. Victor, Dr. Ricardo Silva, sobre quando iniciariam as obras na Rua D.Pedro V e Nova de Santa Cruz. O Presidente da Junta de S.Victor respondeu que a última informação dada pelo pelouro do Dr. Firmino Marques é que as obras arrancariam já durante o mês de maio e que a via ciclável anunciada em setembro de 2015, que ligará o Campus de Gualtar ao centro histórico através destas duas ruas, ficará finalmente pronta também neste mês de maio.

De lembrar que a Braga Ciclável vem defendendo já desde 2012, aquando do lançamento da Proposta para uma Mobilidade Sustentável, a criação de uma ligação ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico. Na última reunião entre a Braga Ciclável e o Município, realizada em finais do ano passado, fomos convidados a darmos o nosso contributo para que seja implementada a melhor solução, de forma a tornar mais segura a circulação de todos os utilizadores deste trajeto. Esperamos que finalmente todas as ideias se concretizem, dado que esta ligação é uma das mais procuradas pelos bracarenses nas suas deslocações diárias em bicicleta.

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Em 2013/2014, foi também entregue à Câmara Municipal de Braga uma petição pela reorganização do trânsito nas Ruas Nova de Santa Cruz e D. Pedro V com três propostas hierarquizadas. Esta petição contemplava 500 assinaturas de utilizadores dos TUB, estudantes universitários, moradores e comerciantes daquelas ruas. O documento reivindicava a proibição do estacionamento existente nestas ruas, com criação de estacionamento alternativo reservado a moradores, o que permitiria o alargamento da faixa de rodagem em cada um dos sentidos. Era solicitado também o estabelecimento do sentido Este-Oeste (Universidade–Centro) como reservado a autocarros e bicicletas (via partilhada) e do sentido Oeste–Este (Centro–Universidade) como via partilhada por carros, bicicletas e autocarros, recomendando para estas ruas um limite máximo de velocidade de 30km/h, com vista a assegurar uma maior segurança para todos os utentes da via.

Esta semana, alguns moradores entregaram uma nova petição na CMB, sugerindo a retirada dos autocarros dos TUB desta rua e dando preferência ao estacionamento automóvel em detrimento da criação de vias cicláveis. A este propósito, a Braga Ciclável lembra que a criação de uma via ciclável não implica inexistência de estacionamento. Uma zona de coexistência entre os diversos modos de transporte, solução que sempre defendemos para essa rua, é efetivamente uma via ciclável. No entanto, e dada a configuração da rua em questão, parece-nos necessário que a mesma seja reorganizada. A tão procurada fluidez de trânsito, que é tão importante para os automobilistas como para os milhares de utilizadores dos TUB, pode muito facilmente ser alcançada passando o estacionamento para os parques de estacionamento e paras ruas da proximidade, como é o caso da Rua do Taxa ou das ruas junto à Fundação Calouste Gulbenkian. São centenas de lugares de estacionamento, localizados a poucos metros de distância, e que permitem acolher sem grandes dificuldades os cerca de 50 automóveis que atualmente estacionam de forma ilegal na Rua D. Pedro V, condicionando o trânsito nessa rua.

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Rua do Taxa até ao cruzamento com a Rua Dr. Manuel Monteiro (270 m)
Com estacionamento Atual ≈ 54 lugares
Com estacionamento a 90º ≈ 108 lugares

Rua Prof Dr. Elísio de Moura até ao cruzamento com a Rua Dr. Manuel Monteiro (175 m)
Com estacionamento Atual ≈ 35 lugares
Com estacionamento a 90º ≈ 70 lugares

Rua Bernardo Sequeira – até ao cruzamento da Rua Fundação Calouste Gulbenkian (115 m)
Com estacionamento Atual ≈ 23 lugares
Com estacionamento a 90º ≈ 46 lugares

Rua Fundação Calouste Gulbenkian – atualmente 38 lugares
Rua do Conservatório – atualmente 19 lugares
Rua Padre Manuel Alaio – atualmente 9 + 80 + 72 = 161 lugares
Rua Orfeão de Braga – 26 + 22 + 20 = 68 lugares

Total de lugares atual nas ruas adjacentes: 398 lugares
Total de lugares com alteração nas ruas do Taxa, Dr. Elísio de Moura e Bernardo Sequeira: 510 lugares
Aumento de 112 lugares.

Atualmente na D.Pedro V estacionam, ilegalmente, entre 55 a 70 automóveis. Os 112 lugares que seriam criados com a alteração do estacionamento nas Ruas Bernardo Sequeira, do Taxa e Dr. Elísio de Moura, passando estas duas a sentido único, permitiria garantir mais lugares do que os necessários para os veículos que estacionam na D.Pedro V, sendo que não distariam mais do que 200 metros da atual localização.

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Não menos importante, consideramos ainda que a regeneração desta rua deverá ter em conta também a necessidade de alargar os passeios, que atualmente não oferecem condições mínimas de segurança a quem ali circula a pé.

A Braga Ciclável defende que é importante acolher a participação de todas as partes interessadas: dos TUB (que transportam nessa rua cerca de 9000 passageiros por dia), dos ciclistas (centenas de pessoas que todos os dias usam essa rua como principal ligação entre o centro e a zona Este), bem como dos moradores e comerciantes (cujos automóveis costumam ocupar cerca de 50 lugares de estacionamento). Importa portanto agir de forma célere, sem prejuízo para nenhuma das partes, e encontrar a melhor solução para todos, ainda que a mesma possa ser provisória.

Também vais levar aí as batatas?

Também vais levar aí as batatas?

Posso dizer que a maior parte das minhas deslocações na cidade de Braga são feitas de bicicleta e muitas são as vezes que tenho que transportar carga. Para isso a minha bicicleta tem um porta-bagagens traseiro, onde coloco os alforges impermeáveis, e instalei há bem pouco tempo um porta-cargas frontal com um cesto que me permite transportar até 50 litros de carga.

Soluções para transportar carga não faltam: desde alforges, porta alforges, cestos, atrelados ou mesmo bicicletas especiais para carga, as chamadas cargobikes de marcas como a Bakfiets, Nihola, Yuba, Larry vs Harry – Bullit ou mesmo bicicletas de carga da Órbita e outras marcas mais habituais.

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Ciclovia de Lamaçães: 10 anos depois

Ciclovia de Lamaçães: 10 anos depois

No passado dia 23 de Dezembro, completaram-se 10 anos desde que a primeira fase da Ciclovia da Encosta de Lamaçães foi inaugurada. Estávamos em 2005, Braga carecia de infraestruturas dedicadas aos utilizadores da bicicleta, e a construção de uma ciclovia era vista por muitos cidadãos como uma excelente oportunidade para diversificar finalmente as suas opções de mobilidade. Envolta em polémica desde o início, esta ciclovia era aplaudida por uns e criticada por outros.

Dez anos depois, mantêm-se os graves problemas de segurança, já nessa altura apontados pelos utilizadores diários da bicicleta e mais recentemente também denunciados pelo blog Braga Ciclável, bem como uma escandalosa falta de manutenção que diariamente coloca em risco todos quantos se aventuram a circular naquela via:

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Braga Ciclável reuniu com Câmara Municipal de Braga

Braga Ciclável reuniu com Câmara Municipal de Braga

A Associação Braga Ciclável requereu à Câmara Municipal de Braga (CMB) uma reunião com o seu Vice-Presidente, Dr. Firmino Marques, e o Vereador Prof. Miguel Bandeira, no sentido de esclarecer algumas questões pendentes sobre a Via Ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico (cuja implementação havia sido programada para a Semana Europeia da Mobilidade), sobre a falta de manutenção e sinalização dos estacionamentos para bicicletas colocados em 2013, e para ficarmos a conhecer um “Projeto Braga Ciclável” recentemente mencionado à comunicação social por parte de responsáveis da autarquia.

Na sequência deste pedido, realizou-se na passada Quinta Feira, 12 de Novembro, uma reunião na CMB onde estiveram presentes Mário Meireles, Eliana Freitas, Manuela Sá Fernandes e Marta Sofia Silva, em representação da Braga Ciclável, o arquiteto Luís Vaz, Assessor do Vice-Presidente, e o arquiteto João Paulo, do Departamento de Trânsito do Município. A autarquia encontra-se a estudar possibilidades de intervenção na Rua D. Pedro V, tendo solicitado o parecer da Braga Ciclável dado o papel ativo que esta tem desempenhado na promoção da mobilidade em bicicleta na cidade.

Recorde-se a este propósito, que a Braga Ciclável há muito que defende publicamente que a Rua D. Pedro V, juntamente com a Rua de S. Vítor e a Rua Nova de Santa Cruz, constitui um dos principais eixos de acesso ao centro da cidade, para quem vem da zona Este (incluindo, com particular relevância, toda a zona residencial de São Vítor e a zona do Campus Universitário de Gualtar), bem como a principal via de acesso entre o Campus e a Estação. Sendo uma via utilizada diariamente por um grande número de utilizadores de bicicleta, em ambos os sentidos de circulação, e uma vez que não existe uma alternativa mais viável, torna-se imperioso ajustá-la de forma a melhor acolher estes utilizadores, em condições de conforto e segurança.

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Uma das soluções poderia passar pela colocação de faixa ciclável, com marcação horizontal azul, no sentido Este-Centro, a qual poderia incluir a reserva de uma faixa de 20 cm de largura para proteção em relação à berma da estrada, contando a partir daí com uma largura de cerca de 1,20 m para circulação de bicicletas.

A Braga Ciclável entende que a colocação de uma faixa ciclável segregada encostada à direita, sem separação física, ainda que a intenção possa ser a de alertar os condutores de automóveis para a presença de velocípedes em sentido contrário, tem a desvantagem de induzir os utilizadores de bicicleta a utilizar a zona da faixa de rodagem onde frequentemente existem mais perigos (nomeadamente, peões, sarjetas, buracos, areias, pregos e lixo). A este propósito, convém recordar que a ideia de que o velocípede deve circular o mais à direita possível está atualmente descontinuada, tendo evoluído, inclusivé no próprio Código da Estrada, para uma liberdade de escolha no posicionamento por parte da pessoa que utiliza a bicicleta, por forma a que possa circular com o máximo de segurança face a cada situação.

Ora, na Rua D.Pedro V, partilhando a via de trânsito no sentido Universidade do Minho – Centro, a forma mais segura de circular para um ciclista consiste em posicionar-se afastado da berma e na posição mais central possível, evitando assim ser ultrapassado, de forma ilegal e perigosa, por autocarros e taxis.

Esta solução incentivaria à ultrapassagem de taxis e autocarros sem a devida distância lateral de segurança, podendo levar a acidentes facilmente evitáveis. Vejamos como ficaria a distribuição do espaço real disponível na rua em tal cenário:

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Esta hipótese afigura-se-nos como uma alternativa pouco segura para os utilizadores da bicicleta, já que é dada prioridade ao uso do veículo automóvel particular e respectivo parqueamento, pouco contribuindo para uma mobilidade inteligente, inclusiva e sustentável. Esta prioridade vai contra aquela que é defendida no Plano Diretor Municipal que, no tema 4. Mobilidade e Transportes, no ponto 4.3.3 estratégias para o futuro diz que, “considerando a necessidade de uma inversão de prioridades existem algumas metas importantes a atingir”, sendo que uma delas é o aumento do número de utilizadores de bicicleta. Este número é ainda especificado no ponto 4.2.2 “Atingir 10% de índice modal referente ao uso da bicicleta como meio de transporte em Braga na próxima década”. Isto traduz-se em 18 149 pessoas a andar de bicicleta em Braga até 2025. Segundo os critérios funcionais a salvaguardar na construção da rede ciclável, presentes no PDM, a opção apresentada pelo município de marcação horizontal de uma faixa ciclável não respeita o ponto da Segurança.

Face às características da Rua D. Pedro V, incluindo o perfil da via, a largura dos passeios e o tipo de trânsito existente na atualidade, a Braga Ciclável defende que a solução mais viável no momento presente, em termos de relação custo/benefício, passa por passar a permitir também aos ciclistas a circulação no sentido Este-Centro (atualmente, esse sentido de circulação é proibido, com exceção para os veículos de transporte público).

Para tal, será necessário sinalizar em conformidade, de ambos os lados. É desejável assegurar que as velocidades ali praticadas se mantenham dentro de limites de segurança adequados às características da rua, que nos parece enquadrar-se perfeitamente no conceito de “zona 30”. Por outro lado, deve ser eliminado o estacionamento abusivo ao longo de toda a Rua D. Pedro V, que atualmente constitui impedimento frequente ao normal fluxo de trânsito nos dois sentidos (especialmente grave por contribuir para atrasos nos transportes públicos), bem como para as paragens de cargas e descargas (é frequente os moradores, lojistas e distribuidores de mercadorias precisarem de parar em segunda fila ou em contramão devido à presença de carros estacionados abusivamente).

Assim, a Braga Ciclável defende que se encontre uma solução para Cargas e Descargas pontuais nesta rua, revendo o seu perfil para o que está representado na imagem seguinte:

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No imediato a Braga Ciclável defende que seja colocada pelo menos a sinalização vertical que passe a permitir aquilo que hoje já centenas de utilizadores da bicicleta fazem: circular no sentido Universidade do Minho – Centro Histórico.

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Todos os anos, desde 2002, entre os dias 16 e 22 de Setembro a Europa desdobra-se em comemorações relativas à Semana Europeia da Mobilidade, com a realização de inúmeros eventos e a implementação de medidas permanentes relacionadas com a mobilidade. Este ano, Braga participou pela 3ª vez nesta grande celebração, e com um cartaz que fez inveja a outras cidades portuguesas. Mas como correu afinal? E que marcas ficaram deste evento para o futuro da cidade?

Como em qualquer evento desta envergadura, que obriga à colaboração de várias entidades num programa tão extenso quanto diversificado, houve aspetos positivos e aspetos negativos. Cumpre fazer uma reflexão sobre o que ganhou a cidade com este evento e o que poderia ter corrido melhor, para que futuras edições possam ser ainda mais inspiradoras para a sociedade bracarense.

O cartaz e os eventos

Goste-se ou não do desenho gráfico do cartaz, uma coisa é difícil negar: houve eventos para quase todos os gostos e também o propósito de implementar medidas permanentes muito positivas.

Cartaz Braga Semana Mobilidade 2015

Ficámos contudo com a sensação de que o cartaz foi tornado público demasiado tarde e que uma boa parte dos eventos pecaram por fraca divulgação. Foi pena também que não houvesse grande articulação entre alguns dos elementos do cartaz. Por exemplo, aproveitar os passeios de bicicleta, os workshops ou a estreia do documentário Bikes Vs Cars para dar a conhecer os novos estacionamentos para bicicletas e a nova via ciclável. Por outro lado, não se entende que, apesar de avançar com um programa tão ambicioso para esta Semana da Mobilidade e de ter vindo a sugerir metas interessantes em termos de mobilidade sustentável para os próximos anos, a CMB não se tenha feito representar na palestra/debate que se realizou a seguir à exibição do documentário Bikes Vs Cars.

As medidas permanentes

Ao nível da Mobilidade em Bicicleta, o cartaz prometia algumas novidades interessantes, onde se destacavam a instalação de novos suportes de estacionamento para bicicletas (bicicletários) pela cidade e a implementação de uma via ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico através das ruas de São Victor, D. Pedro V e Nova de Santa Cruz. Duas medidas muito bem-vindas e plenamente alinhadas com o que desde há vários anos vimos defendendo.

Já em meados de 2012 na Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, apontávamos como medidas urgentes, precisamente, a instalação de estacionamentos para bicicletas e a implementação de um eixo ciclável entre o Campus de Gualtar, o Centro e a Estação. Mais recentemente, através do Mapa Braga Ciclável e de diversas contagens realizadas no terreno, pudemos comprovar que estas três ruas constituíam uma das principais vias de acesso ao centro e à universidade por parte dos utilizadores de bicicleta, a que não é alheio o facto de ser o percurso mais direto, além de ser quase plano e com tráfego automóvel reduzido.

Novos estacionamentos para bicicletas

A implementação dos bicicletários, apesar de realizada com um certo atraso, foi muito bem sucedida. A Câmara Municipal de Braga fez uma atualização em termos do design dos seus suportes do tipo Sheffield: são mais bonitos e agora já incluem barras horizontais de segurança para invisuais, que funcionam adicionalmente como sinalética integrada indicando visualmente a função a que se destinam. Além disso, a autarquia teve ainda o cuidado de colocar uma boa parte dos estacionamentos junto a infraestruturas e serviços públicos (centros de saúde, Mercado Municipal, Segurança Social, cemitério, museus, central de camionagem, Parque de Exposições), em localizações que, de um modo geral, nos parecem adequadas. Foram colocados mais de 50 suportes, repartidos por 13 novas localizações, algumas das quais com uma adesão imediata por parte dos ciclistas (por exemplo, no novo estacionamento junto à Livraria Centésima Página todos os dias vemos lá bicicletas).

Estacionamento para bicicletas em braga, na Avenida Central, junto á Livraria 100ª Página

É uma melhoria significativa, e provavelmente a marca mais visível que ficou da realização da Semana da Mobilidade. Ainda assim, continua a ser um número de lugares de estacionamento para bicicletas claramente insuficiente para uma cidade desta dimensão e com o número de habitantes que tem. Se o objetivo de Braga é alcançar a médio prazo uma melhor repartição modal, então precisa de investir em força neste tipo de infraestruturas de apoio ao uso dos meios de transporte alternativos. Ficou a faltar também a finalização do trabalho iniciado há cerca de 2 anos pelo anterior executivo: continua a estar em falta a sinalização de 6 locais de estacionamento para bicicletas (por exemplo, junto ao Banco de Portugal) – a colocação das placas de sinalização tarda em ser realizada, e não compreendemos o porquê deste atraso e do silêncio da CMB em relação a este assunto. Finalmente, ainda no que diz respeito a estacionamentos, foi pena a CMB não ter aproveitado para reparar ou substituir um dos suportes que há meses se encontra derrubado no Largo da Senhora-a-Branca…

Via Ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico

A ideia era, finalmente, permitir legalmente a circulação de ciclistas em ambos os sentidos (a via tem dois sentidos mas proíbe, num deles, o trânsito automóvel privado e de velocípedes), sinalizando-o de forma adequada e bem visível para maior segurança de todos. Os ciclistas que diariamente usam a Rua Nova de Santa Cruz, a Rua D. Pedro V e a Rua de S. Vítor nas suas deslocações certamente ficaram tão entusiasmados como nós ao lerem a notícia de que iria ser implementada esta medida durante a Semana da Mobilidade! Só que… afinal não foi. O que se passou afinal?

Rua D. Pedro V

Passado mais de um mês da Semana da Mobilidade, fonte ligada à CMB dá-nos nota que esta medida continua “em estudo”.

A Braga Ciclável realizou nestas e noutras ruas várias contagens de trânsito, tendo concluído que todos os dias ali passam centenas de pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte, em ambos os sentidos. As pessoas escolhem este percurso por um motivo simples: é o melhor percurso para quem vai de bicicleta. É o percurso percurso mais direto entre toda a zona Este e o Centro, praticamente não tem inclinações e a velocidade média e a quantidade do tráfego automóvel são mais reduzidas. Resumindo: é o caminho mais direto, mais rápido e mais seguro. Mas é ilegal, em rigor, no sentido Este-Centro, até que a Câmara decida colocar sinalização que autorize a circulação de bicicletas nesse sentido, juntamente com os transportes públicos. Trata-se de legitimar (e dar proteção legal em caso de acidente ou litígio) um uso que a sociedade bracarense há muito tempo já legitimou de facto, pois na prática é algo que já acontece e sem haver até à data qualquer registo de acidentes envolvendo velocípedes neste eixo.

Poderá ser que o que esteja “em estudo” seja a questão da enorme barreira artificial que representa atualmente, para peões, ciclistas e transportes públicos, o atravessamento da Av. Pe. Júlio Fragata. Esse local também merece uma intervenção, sem dúvida, mas cremos que não será motivo para adiar outras medidas bem mais simples e menos onerosas, que podem ser implementadas facilmente e com benefício imediato.

Até quando é que vamos ter de esperar por esta importante medida que já em 2012 apontávamos como urgente?

Rua Azul – combate ao estacionamento abusivo

Uma outra medida permanente que poderá ter passado mais ou menos despercebida, mas que é também importante para a melhoria da mobilidade é o programa Rua Azul, que consiste numa parceria com as forças da autoridade para fiscalizarem com “tolerância zero” o estacionamento ilegal e abusivo em determinadas ruas. A ser bem sucedida esta medida, acabariam nesses locais as filas de trânsito, os carros parados em cima do passeio, viaturas abandonadas em segunda fila, com os consequentes atrasos para os restantes automobilistas e, sobretudo, para os clientes dos transportes públicos.

Não dispondo de dados abrangentes sobre a forma como este programa está a ser aplicado, é-nos difícil fazer uma avaliação do mesmo. Quantos agentes da Polícia Municipal e da PSP foram destacados diariamente para o patrulhamento das ruas abrangidas pelo programa Rua Azul? Qual a duração desse programa – é mesmo uma medida permanente, ou tem prazo de validade?

Estacionamento ilegal na Rua D. Pedro V

Notamos, contudo, que pelo menos numa das ruas abrangidas por esta medida permanente (Rua D. Pedro V), as placas de sinalização de “Rua Azul” foram entretanto vandalizadas ou mandadas retirar. E também desapareceram dos respetivos postes as placas que proibiam o estacionamento durante o dia (mesmo sem placas, continua a ser proibido estacionar na maior parte da Rua D. Pedro V, à luz do art.º 50 do Código da Estrada). O que aconteceu? Foi um ato de vandalismo e a CMB ainda não mandou colocar novas placas? Ou será que os responsáveis da autarquia acabaram por ceder a pressões desses 50 ou 60 automobilistas que voluntariamente costumavam optar por estacionar ilegalmente prejudicando as restantes centenas ou milhares de utentes daquela via pública?

A concluir…

A Semana da Mobilidade já lá vai e, mesmo com os reparos que aqui fazemos, consideramos que foi uma iniciativa positiva. Para o ano, esperamos que haja mais e melhor, tanto a nível de eventos e medidas permanentes, como nível da organização e divulgação.

A este propósito, acreditamos que é necessário elaborar um plano abrangente da cidade de Braga para a mobilidade e as bicicletas. A intervenção pontual com medidas avulsas é sem dúvida importante, e deve continuar, mas é desejável que passem a fazer parte de um plano, em cuja concepção certamente terão um papel fundamental parcerias entre a CMB, os TUB, a Braga Ciclável e a sociedade em geral. Da nossa parte estaremos disponíveis, como sempre, para colaborar. Só assim poderemos garantir que todas estas medidas contribuirão para um objetivo maior de tornar a cidade um melhor local para viver.

Não é um ciclista, é uma pessoa!

Não é um ciclista, é uma pessoa!

Por vezes vemos pessoas a andarem de bicicleta em cima dos passeios, a andarem em contramão, a passarem vermelhos. Vemos pessoas dentro dos carros revoltadas, mas a verdade é que também presenciamos automobilistas a passar vermelhos, a estacionarem em cima de passeios, a falar ao telemóvel enquanto ao volante.

Claro que a árvore não faz a floresta, nem todas as pessoas que andam de bicicleta ou de carro são iguais. Mas um automóvel, que pesa mil quilos, é pelo menos 50 vezes mais letal do que uma bicicleta que pesa entre 1 e 30 quilos. A uma velocidade de 15 km/h a bicicleta de 20 Kg tem uma força de impacto de 8,5 Kg enquanto que o carro 425 Kg. A força do carro a 50 km/h – velocidade média em Braga – é de 1416,39 Kg. É uma força bem maior do que a de uma pessoa que anda de bicicleta à sua velocidade média, 15 km/h. (mais…)

Por uma Braga Ciclável (1)

Por uma Braga Ciclável (1)

Dizem que em Braga é impossível utilizar a bicicleta como meio de transporte, que se chega ao trabalho a suar muito, que a cidade tem muitas subidas e muitas descidas, que chove muito em Braga, que é impossível levar os filhos, as compras, ou o material de trabalho, que são precisas ciclovias, separadas do tráfego automóvel, para as bicicletas não estorvarem. Que é impossível manter-se o estilo e andar chique no dia a dia, e que deviam andar de capacete, colete refletor, ter seguro, matrícula, pagar IUC, como se falássemos de um automóvel. (mais…)

A Mobilidade Sustentável na Escola Básica 2/3 de Lamaçães

A Mobilidade Sustentável na Escola Básica 2/3 de Lamaçães

A escola EB 2,3 de Lamaçães recebe amanhã, dia 14 de Março de 2015, às 10h00, uma palestra sobre mobilidade sustentável.

Com o objetivo de sensibilizar encarregados e alunos para o uso dos modos suaves de transporte nas deslocações para a escola, esta palestra conta com duas pessoas com uma vasta experiência no uso diário da bicicleta.

Teremos assim o Ricardo Cruz, professor de Português do ensino secundário, entusiasta ciclista urbano desde os anos 90, defensor e ativista da mobilidade em modos saudáveis, sendo, também, um cicloturista convicto e adepto do ciclismo de muito longa distância.

A acompanhá-lo na palestra estará também o Gonçalo Peres, que em 2009 começou a usar a bicicleta nas deslocações perto de casa para levar o primeiro filho à creche, evoluindo o raio de alcance para toda a cidade e todo o planeta, dependendo do tempo disponível. Hoje acompanha os dois filhos às respetivas escolas, sendo estes já autónomos no uso da bicicleta. (mais…)

Orçamento Participativo de Braga – Conheça e vote nas propostas que têm a ver com a bicicleta e os ciclistas

Na sequência da recolha de propostas que a Câmara Municipal de Braga já fez para o Orçamento Participativo, encontra-se a decorrer neste momento a fase de votação.

Orçamento Participativo de Braga

Das ideias apresentadas pelos cidadãos, foi aprovado um total de 94 projetos, que estão agora a ser sujeitos a votação pública, através do site do Orçamento Participativo. Os referidos projetos estão divididos em várias áreas, tendo sido selecionados 14 propostas da área de Trânsito, mobilidade e acessibilidades e 13 propostas da área de Equipamentos (melhoria ou reparação de equipamentos culturais, sociais, etc.).

Das 27 propostas apresentadas nestas duas áreas, destacamos 7 que estão diretamente relacionadas com a causa que defendemos neste espaço, a promoção do uso da bicicleta e o aumento da segurança dos peões e ciclistas. (mais…)