Os problemas de mobilidade em Braga

Os problemas de mobilidade em Braga


Nos últimos seis anos, em Braga, as questões associadas à mobilidade têm sido negligenciadas, ignoradas, adiadas. Penso que a maioria dos bracarenses concorda que o trânsito está mais caótico e que urge intervir na resolução dos problemas de mobilidade que se vão agravando.

A cidade continua muito car-oriented, apesar dos discursos apontarem noutras direções (multi-modalidade, modos suaves, transportes públicos). Diz-se uma coisa, mas no terreno nada se faz de acordo com essa narrativa.

Vejo problemas a duas escalas: micro e macro. Ao nível macro, é necessário intervenções nos seguintes temas: combate às velocidades elevadas, desvio do trânsito de atravessamento, ligação rua Nova Santa Cruz – rua D. Pedro V, nó de Infias, construção de ciclovias, aumento do número de faixas bus, melhoria do transporte público, implementação do transporte BRT.

Ao nível micro, é necessário intervir mais naquelas pequenas coisinhas que, somadas, impedem que exista em Braga uma melhor mobilidade. Refiro-me, por exemplo, ao estacionamento em paragens de autocarro, em cima dos passeios, nas zonas de carga/descarga, em 2.ª ou mesmo 3.ª fila, em rotundas, nas zonas ajardinadas, etc. A inação das forças policiais perante estes casos torna este um problema sem resolução e que impede a implementação efetiva de outras medidas. Para que servirá construir uma ciclovia se depois os automóveis a podem usar para estacionar? (como sucede na rua Nova de Santa Cruz); para que serve colocar pilaretes numa rotunda se depois os carros lá estacionam na mesma? (como sucede na rotunda junto ao colégio D. Diogo de Sousa).

Não se vê também o executivo camarário a aprender com os casos de sucesso ao nível micro. Vejamos dois exemplos: (1) foi implementada a circulação de bicicletas em contra-fluxo nas ruas D. Pedro V e São Vítor; (2) junto à escola André Soares, uma paragem de autocarro foi circundada por pilaretes, dificultando os carros de ocupar essa paragem para estacionamento. Se estas duas experiências parecem ter-se revelado positivas, por que razão não são replicadas? Aliás, esta abordagem de implementar coisas de forma ágil e iterativa e sem grandes investimentos, deveria ser experimentada noutros contextos. A ideia genérica consiste em experimentar uma dada alternativa com recurso a soluções provisórias (e de baixo custo). Se a mesma se revelar positiva, passa-se à solução definitiva. Se não, reverte-se a experiência e retoma-se a configuração inicial.

Devo dizer que não tenho qualquer esperança em ver alterações significativas nesta matéria. Se ao fim de quase seis anos, nada de relevante se fez, é muito provável que nos próximos dois/três anos nada se fará. O executivo de Ricardo Rio não revelou capacidade/competência para avançar com medidas que há muito fazem todo o sentido. Em alguns casos, anunciou obras que depois não saíram do papel (e.g., 80 km de ciclovias, atravessamento Nv. Sta. Cruz – D. Pedro V).

Verdadeiramente que foi feito de relevante em Braga neste período na mobilidade? Pouco, muito pouco, quase nada. A péssima intervenção na rua Nova de Santa Cruz, a obra mais impactante feita pela CMBraga na mobilidade, foi um acumulado de erros. A obra foi mal planeada, foi mal executada e está já muito degradada. Tanto assim é, que não houve sequer coragem para a inaugurar. Este exemplo talvez nos aponte a razão para a CMBraga não fazer nada (de significativo) no domínio da mobilidade. Se for para mudar para pior, talvez seja mais prudente não fazer nada!

Experimentar andar de bicicleta

Experimentar andar de bicicleta


Sou utilizador regular de bicicleta, para locomoção diária em Braga, há mais de 25 anos. Comecei a fazê-lo depois de ter estado a estudar/trabalhar durante 6 meses em Bristol (Inglaterra). A casa onde morava estava mal servida de transportes públicos e ficava longe do local de trabalho, pelo que não tive outra solução a não ser recorrer à bicicleta.

A experiência desta utilização, mais ou menos forçada, da bicicleta revelou-se muito gratificante. Percebi muito rapidamente as diversas vantagens que o seu uso encerra. (mais…)