Trabalhar em bicicleta? Porque não?!

Trabalhar em bicicleta? Porque não?!

Karl von Drais, quando há 200 anos inventou a percursora da actual bicicleta, talvez não tenha tido a noção de que este seria provavelmente o momento do nascimento da mobilidade individual. Fazer-se transportar sem um animal era, até então, impossível. “Draisiana” é a avó alemã da bicicleta, uma máquina que atingia 15 km/h.
A bicicleta é uma inspiração, símbolo de liberdade e de emancipação. Ainda que utilizada pela nobreza por diversão, no último quarto do século XIX, com a crescente industrialização, esta tornou-se o principal veículo das classes operárias.

Mais tarde, profissões em bicicleta como carteiro, bombeiro, alfaiate, amolador, sapateiro, entre outras, eram extremamente comuns. Com simples alterações, dotando a bicicleta das ferramentas e máquinas necessárias, esta tornava-se num versátil e indispensável instrumento de trabalho.

Estas profissões são uma herança e inspiração para os dias que correm. Se estes eram os empreendedores de outrora, hoje a diversidade de profissões em bicicleta é inacreditável. O uso da bicicleta, em substituição dos veículos motorizados, para determinadas profissões, é um excelente passo em direção a uma verdadeira (r)evolução e reinvenção. Um pouco por toda a Europa, são exemplos destas profissões:

  • Bike Courriers / Bike Messenger: são uma nova opção de entrega de documentos e encomendas de forma rápida e eficaz.
  • Biker Advertising: forma muito verde de publicitar uma empresa ou evento, captando mais olhares que um tradicional outdoor.
  • Mobile Laundry Bikers: estes ciclistas recolhem as roupas sujas em casa dos clientes, entregando as mesmas após estarem prontas.
  • Bicycle Movers: com cargo bikes, estes ciclistas recolhem pequenos móveis e ajudam o cliente na mudança de casa, dá para acreditar?
  • Bike Tour Guide: haverá forma mais agradável de conhecer e percorrer as ruas de uma cidade, do que acompanhado por um guia em bicicleta?
  • Ambulance / Police cycle teams: profissionais de saúde e polícia que fazem as suas deslocações diárias de trabalho em bicicleta.

Portugal começou já a dar as primeiras pedaladas neste sentido, e um dia, será uma constante, acreditamos nós!

Primavera em bicicleta

Primavera em bicicleta

Porque associação é sinónimo de partilha, de crescimento em comunidade, de envolvimento, de reforçar laços e unir esforços em prol dos interesses coletivos. E porque a Primavera está aí à espreita, não poderíamos deixar de celebrar a sua chegada em duas rodas e com um conjunto de eventos nos quais convidamos todos a marcarem presença!

No dia 21 de Março de 2017 às 18:45 iremos associar-nos à Go By Bike e ao SETRA, naquela que será a primeira “Happy hour com…”. Nesta primeira edição contamos com a presença do Carlos Ferreira da Go By Bike, que nos falará deste que é um veículo que conta já com 200 anos. A Go By Bike é uma loja especializada em ciclismo urbano e mobilidade sustentável. Dizem que têm as bicicletas e os acessórios mais bonitos do mundo… E nós concordamos! Uma tertúlia a ser moderada/conduzida pela Braga Ciclável no SETRA, situado na Rua de São João nº 15, 1º andar. Uma Happy Hour onde poderá beber um copo e conversar com quem percebe de bicicletas!

De 1 a 12 de Junho inauguramos a Exposição fotográfica “Braga Ciclável”, na BConpept Store, igualmente na Rua de São João nº 15.

No dia 3 de Junho decorre a terceira edição do Braga Cycle Chic. Após termos contado com a participação de cerca de 200 pessoas em cada uma das edições passadas, voltamos a prometer uma tarde deliciosa em bicicleta, cheia de surpresas. O evento pretende, uma vez mais, mostrar que é “possível pedalar na cidade usando roupa clássica”. A participação é gratuita e vão ser disponibilizadas bicicletas. Este ano, inserido pelo segundo ano consecutivo nas comemorações do dia Mundial do Ambiente, promovidas pela Câmara Municipal de Braga.

No dia 12 de Junho celebramos o “Sunset Draisiana” – 200 anos da bicicleta. Draisiana é a avó alemã da bicicleta. A primeira bicicleta foi criada em 1817 pelo alemão Karl Friedrich Drais. A máquina atingia 15 km/h. O veículo era de madeira, não tinha pedais, mas possuía duas rodas, sendo a dianteira dirigível. O seu inventor havia conseguido percorrer 50 Km em “apenas” quatro horas, sendo quatro vezes mais rápida que os veículos da época, puxados a cavalos.

Junte-se a nós, não só nos eventos mas a pedalar! Porque pedalar faz de nós pessoas seguramente mais felizes.


(Artigo originalmente publicado na edição de 18/03/2017 do Diário do Minho)

Uma outra realidade

Uma outra realidade

Recentemente tive a sorte de contactar com uma outra realidade, bem diferente da de Braga, no que se refere a mobilidade ciclável. Viena, capital da Áustria, sétima maior cidade da União Europeia, com 1.700.000 habitantes. Um clima, pensamos nós por impulso, nada propício ao uso da bicicleta: invernos longos, nevões frequentes, dias de frio intenso e uma média anual de 95 dias de chuva. Quanto à percentagem de pessoas a utilizar a bicicleta no dia-a-dia, deixemo-nos surpreender: 15%, segundo a “Quality of Life Survey, Eurobarometer.”

Em 2013, Viena propôs-se a alcançar esta percentagem com a assinatura da Carta de Bruxelas, em que se comprometeu a promover a utilização da bicicleta e a definir metas claras de segurança viária. Na altura, sublinhe-se que há pouco mais de 3 anos, a percentagem de utilizadores era de 6%. Perante uma circulação viária a crescer desenfreadamente, níveis de poluição recorde e o custo elevado dos combustíveis, a cidade optou por aprender com capitais como Berlim, Copenhaga e Amesterdão, que viviam já a cultura da bicicleta. (mais…)

A Bicicleta na educação da criança

A Bicicleta na educação da criança

Acreditamos que os mais pequenos são os alicerces da nossa sociedade e, por isso, pensamos ser fundamental educar desde o berço para a bicicleta, para o uso deste meio de transporte de forma responsável e consciente. Educar para a familiarização desta no dia-a-dia, para que amanhã o uso da mesma seja feito de forma natural.Contudo, é essencial que exista respeito entre o peão, o carro e a bicicleta, cumprimento das regras e sinais de trânsito e, acima de tudo, consciência cívica.

(mais…)

II Braga Cycle Chic

II Braga Cycle Chic

Decorreu no passado dia 5 de Junho o II Braga Cycle Chic, ao qual se juntaram mais de 200 pessoas de todas as idades e com bicicletas para todos os gostos!

Em nome da Associação Braga Ciclável, agradeço a todos os envolvidos. Aos parceiros que nos brindaram com surpresas tão boas, aos participantes que partilham da nossa paixão, à JovemCoop por nos ter ensinado um pouco mais sobre a história da nossa cidade. Enfim, a todos os que acreditam que pedalar pode não mudar o mundo, mas fazer deste um lugar muito melhor!
Que tarde tão feliz! Voltamos a mostrar uma vez mais que é possível andar de bicicleta em Braga. É um dever e nossa crença fundamental como associação, divulgar e promover o uso da bicicleta como meio de transporte. E não apenas durante uma tarde de sábado, mas diariamente, mostrando que é possível ir para o trabalho, para a escola e até mesmo fazer compras em bicicleta.

Não, não acreditamos que precisamos de nos vestir com roupa clássica e passear de bicicleta num evento singular. Acreditamos sim, nos inúmeros benefícios que utilizar a bicicleta como meio de transporte diariamente nos traz.

Utilizando o exemplo do automóvel: não raras vezes este é usado por uma única pessoa, aumentando assim o fluxo de veículos e consequente congestionamento das vias de trânsito. Num raio de 7 Km, a bicicleta torna-se o mais eficiente dos meios de transporte. Não só evitando este congestionamento, mas também a emissão de CO2.

Dá para acreditar que andar de bicicleta não tem contraindicações? Pode (e deve) ser utilizada em todas as idades, combatendo o sedentarismo e a falta de tempo para a prática de atividade física. E a sensação inexplicável de prazer e felicidade que pedalar nos dá? Não falo apenas em questões de mobilidade, mas sim de saúde pública. Estima-se que 3% da riqueza mundial é gasta anualmente em tratamentos de obesidade e doenças respiratórias, diretamente relacionadas com o sedentarismo.
Deixo um desafio: Aos poucos deixar de utilizar o carro e experimentar a bicicleta em pequenas deslocações. Quem sabe, depois, não saberá viver sem pedalar todos os dias.


(Artigo originalmente publicado na edição de 09/07/2016 do Diário do Minho)

Ciclista morre atropelado depois de pedir respeito a condutores

Ciclista morre atropelado depois de pedir respeito a condutores

Tiago Valério, praticante de BTT, morreu no passado dia 21 de Janeiro após ter sido colhido por um automóvel enquanto treinava. Uma semana antes da fatalidade pediu, publicamente, via facebook, respeito pelos ciclistas: “Eles não são obstáculos, fazem parte do trânsito.”.

O atropelamento do Tiago não é, infelizmente, um acontecimento isolado. Vamos continuar a lamentar perdas? Há leis, sim, mas as pessoas não estão de todo preparadas para uma convivência saudável na estrada. É fulcral consciencializar! Leis não funcionam se nós não NOS respeitarmos e AS respeitarmos O Tiago era filho de alguém, namorado de alguém, amigo de alguém. Foi o Tiago, podia ter sido qualquer um de nós.

(mais…)

Girls Lean In em Braga… com Laura Alves

Girls Lean In em Braga… com Laura Alves

A Braga Ciclável e a Go By Bike são parceiras do meetup mensal da Girls Lean In, que acontece no dia 25 de Novembro, tendo como convidada a Laura Alves, ciclista urbana e coautora do livro “A Gloriosa Bicicleta – Compêndio de Costumes, Desvarios e Emoções em Duas Rodas”. O evento acontece às 19 horas nas instalações da Go By Bike, na Rua de São Marcos. (mais…)

Braga Ciclável reuniu com Câmara Municipal de Braga

Braga Ciclável reuniu com Câmara Municipal de Braga

A Associação Braga Ciclável requereu à Câmara Municipal de Braga (CMB) uma reunião com o seu Vice-Presidente, Dr. Firmino Marques, e o Vereador Prof. Miguel Bandeira, no sentido de esclarecer algumas questões pendentes sobre a Via Ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico (cuja implementação havia sido programada para a Semana Europeia da Mobilidade), sobre a falta de manutenção e sinalização dos estacionamentos para bicicletas colocados em 2013, e para ficarmos a conhecer um “Projeto Braga Ciclável” recentemente mencionado à comunicação social por parte de responsáveis da autarquia.

Na sequência deste pedido, realizou-se na passada Quinta Feira, 12 de Novembro, uma reunião na CMB onde estiveram presentes Mário Meireles, Eliana Freitas, Manuela Sá Fernandes e Marta Sofia Silva, em representação da Braga Ciclável, o arquiteto Luís Vaz, Assessor do Vice-Presidente, e o arquiteto João Paulo, do Departamento de Trânsito do Município. A autarquia encontra-se a estudar possibilidades de intervenção na Rua D. Pedro V, tendo solicitado o parecer da Braga Ciclável dado o papel ativo que esta tem desempenhado na promoção da mobilidade em bicicleta na cidade.

Recorde-se a este propósito, que a Braga Ciclável há muito que defende publicamente que a Rua D. Pedro V, juntamente com a Rua de S. Vítor e a Rua Nova de Santa Cruz, constitui um dos principais eixos de acesso ao centro da cidade, para quem vem da zona Este (incluindo, com particular relevância, toda a zona residencial de São Vítor e a zona do Campus Universitário de Gualtar), bem como a principal via de acesso entre o Campus e a Estação. Sendo uma via utilizada diariamente por um grande número de utilizadores de bicicleta, em ambos os sentidos de circulação, e uma vez que não existe uma alternativa mais viável, torna-se imperioso ajustá-la de forma a melhor acolher estes utilizadores, em condições de conforto e segurança.

12208837_1619403674986508_5495077883274787622_n

Uma das soluções poderia passar pela colocação de faixa ciclável, com marcação horizontal azul, no sentido Este-Centro, a qual poderia incluir a reserva de uma faixa de 20 cm de largura para proteção em relação à berma da estrada, contando a partir daí com uma largura de cerca de 1,20 m para circulação de bicicletas.

A Braga Ciclável entende que a colocação de uma faixa ciclável segregada encostada à direita, sem separação física, ainda que a intenção possa ser a de alertar os condutores de automóveis para a presença de velocípedes em sentido contrário, tem a desvantagem de induzir os utilizadores de bicicleta a utilizar a zona da faixa de rodagem onde frequentemente existem mais perigos (nomeadamente, peões, sarjetas, buracos, areias, pregos e lixo). A este propósito, convém recordar que a ideia de que o velocípede deve circular o mais à direita possível está atualmente descontinuada, tendo evoluído, inclusivé no próprio Código da Estrada, para uma liberdade de escolha no posicionamento por parte da pessoa que utiliza a bicicleta, por forma a que possa circular com o máximo de segurança face a cada situação.

Ora, na Rua D.Pedro V, partilhando a via de trânsito no sentido Universidade do Minho – Centro, a forma mais segura de circular para um ciclista consiste em posicionar-se afastado da berma e na posição mais central possível, evitando assim ser ultrapassado, de forma ilegal e perigosa, por autocarros e taxis.

Esta solução incentivaria à ultrapassagem de taxis e autocarros sem a devida distância lateral de segurança, podendo levar a acidentes facilmente evitáveis. Vejamos como ficaria a distribuição do espaço real disponível na rua em tal cenário:

rua-dpedro-v-futura-cmb

Esta hipótese afigura-se-nos como uma alternativa pouco segura para os utilizadores da bicicleta, já que é dada prioridade ao uso do veículo automóvel particular e respectivo parqueamento, pouco contribuindo para uma mobilidade inteligente, inclusiva e sustentável. Esta prioridade vai contra aquela que é defendida no Plano Diretor Municipal que, no tema 4. Mobilidade e Transportes, no ponto 4.3.3 estratégias para o futuro diz que, “considerando a necessidade de uma inversão de prioridades existem algumas metas importantes a atingir”, sendo que uma delas é o aumento do número de utilizadores de bicicleta. Este número é ainda especificado no ponto 4.2.2 “Atingir 10% de índice modal referente ao uso da bicicleta como meio de transporte em Braga na próxima década”. Isto traduz-se em 18 149 pessoas a andar de bicicleta em Braga até 2025. Segundo os critérios funcionais a salvaguardar na construção da rede ciclável, presentes no PDM, a opção apresentada pelo município de marcação horizontal de uma faixa ciclável não respeita o ponto da Segurança.

Face às características da Rua D. Pedro V, incluindo o perfil da via, a largura dos passeios e o tipo de trânsito existente na atualidade, a Braga Ciclável defende que a solução mais viável no momento presente, em termos de relação custo/benefício, passa por passar a permitir também aos ciclistas a circulação no sentido Este-Centro (atualmente, esse sentido de circulação é proibido, com exceção para os veículos de transporte público).

Para tal, será necessário sinalizar em conformidade, de ambos os lados. É desejável assegurar que as velocidades ali praticadas se mantenham dentro de limites de segurança adequados às características da rua, que nos parece enquadrar-se perfeitamente no conceito de “zona 30”. Por outro lado, deve ser eliminado o estacionamento abusivo ao longo de toda a Rua D. Pedro V, que atualmente constitui impedimento frequente ao normal fluxo de trânsito nos dois sentidos (especialmente grave por contribuir para atrasos nos transportes públicos), bem como para as paragens de cargas e descargas (é frequente os moradores, lojistas e distribuidores de mercadorias precisarem de parar em segunda fila ou em contramão devido à presença de carros estacionados abusivamente).

Assim, a Braga Ciclável defende que se encontre uma solução para Cargas e Descargas pontuais nesta rua, revendo o seu perfil para o que está representado na imagem seguinte:

Captura de ecrã 2015-11-13, às 19.12.26

No imediato a Braga Ciclável defende que seja colocada pelo menos a sinalização vertical que passe a permitir aquilo que hoje já centenas de utilizadores da bicicleta fazem: circular no sentido Universidade do Minho – Centro Histórico.

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Balanço da 14ª Semana Europeia da Mobilidade em Braga

Todos os anos, desde 2002, entre os dias 16 e 22 de Setembro a Europa desdobra-se em comemorações relativas à Semana Europeia da Mobilidade, com a realização de inúmeros eventos e a implementação de medidas permanentes relacionadas com a mobilidade. Este ano, Braga participou pela 3ª vez nesta grande celebração, e com um cartaz que fez inveja a outras cidades portuguesas. Mas como correu afinal? E que marcas ficaram deste evento para o futuro da cidade?

Como em qualquer evento desta envergadura, que obriga à colaboração de várias entidades num programa tão extenso quanto diversificado, houve aspetos positivos e aspetos negativos. Cumpre fazer uma reflexão sobre o que ganhou a cidade com este evento e o que poderia ter corrido melhor, para que futuras edições possam ser ainda mais inspiradoras para a sociedade bracarense.

O cartaz e os eventos

Goste-se ou não do desenho gráfico do cartaz, uma coisa é difícil negar: houve eventos para quase todos os gostos e também o propósito de implementar medidas permanentes muito positivas.

Cartaz Braga Semana Mobilidade 2015

Ficámos contudo com a sensação de que o cartaz foi tornado público demasiado tarde e que uma boa parte dos eventos pecaram por fraca divulgação. Foi pena também que não houvesse grande articulação entre alguns dos elementos do cartaz. Por exemplo, aproveitar os passeios de bicicleta, os workshops ou a estreia do documentário Bikes Vs Cars para dar a conhecer os novos estacionamentos para bicicletas e a nova via ciclável. Por outro lado, não se entende que, apesar de avançar com um programa tão ambicioso para esta Semana da Mobilidade e de ter vindo a sugerir metas interessantes em termos de mobilidade sustentável para os próximos anos, a CMB não se tenha feito representar na palestra/debate que se realizou a seguir à exibição do documentário Bikes Vs Cars.

As medidas permanentes

Ao nível da Mobilidade em Bicicleta, o cartaz prometia algumas novidades interessantes, onde se destacavam a instalação de novos suportes de estacionamento para bicicletas (bicicletários) pela cidade e a implementação de uma via ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico através das ruas de São Victor, D. Pedro V e Nova de Santa Cruz. Duas medidas muito bem-vindas e plenamente alinhadas com o que desde há vários anos vimos defendendo.

Já em meados de 2012 na Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, apontávamos como medidas urgentes, precisamente, a instalação de estacionamentos para bicicletas e a implementação de um eixo ciclável entre o Campus de Gualtar, o Centro e a Estação. Mais recentemente, através do Mapa Braga Ciclável e de diversas contagens realizadas no terreno, pudemos comprovar que estas três ruas constituíam uma das principais vias de acesso ao centro e à universidade por parte dos utilizadores de bicicleta, a que não é alheio o facto de ser o percurso mais direto, além de ser quase plano e com tráfego automóvel reduzido.

Novos estacionamentos para bicicletas

A implementação dos bicicletários, apesar de realizada com um certo atraso, foi muito bem sucedida. A Câmara Municipal de Braga fez uma atualização em termos do design dos seus suportes do tipo Sheffield: são mais bonitos e agora já incluem barras horizontais de segurança para invisuais, que funcionam adicionalmente como sinalética integrada indicando visualmente a função a que se destinam. Além disso, a autarquia teve ainda o cuidado de colocar uma boa parte dos estacionamentos junto a infraestruturas e serviços públicos (centros de saúde, Mercado Municipal, Segurança Social, cemitério, museus, central de camionagem, Parque de Exposições), em localizações que, de um modo geral, nos parecem adequadas. Foram colocados mais de 50 suportes, repartidos por 13 novas localizações, algumas das quais com uma adesão imediata por parte dos ciclistas (por exemplo, no novo estacionamento junto à Livraria Centésima Página todos os dias vemos lá bicicletas).

Estacionamento para bicicletas em braga, na Avenida Central, junto á Livraria 100ª Página

É uma melhoria significativa, e provavelmente a marca mais visível que ficou da realização da Semana da Mobilidade. Ainda assim, continua a ser um número de lugares de estacionamento para bicicletas claramente insuficiente para uma cidade desta dimensão e com o número de habitantes que tem. Se o objetivo de Braga é alcançar a médio prazo uma melhor repartição modal, então precisa de investir em força neste tipo de infraestruturas de apoio ao uso dos meios de transporte alternativos. Ficou a faltar também a finalização do trabalho iniciado há cerca de 2 anos pelo anterior executivo: continua a estar em falta a sinalização de 6 locais de estacionamento para bicicletas (por exemplo, junto ao Banco de Portugal) – a colocação das placas de sinalização tarda em ser realizada, e não compreendemos o porquê deste atraso e do silêncio da CMB em relação a este assunto. Finalmente, ainda no que diz respeito a estacionamentos, foi pena a CMB não ter aproveitado para reparar ou substituir um dos suportes que há meses se encontra derrubado no Largo da Senhora-a-Branca…

Via Ciclável entre a Universidade do Minho e o Centro Histórico

A ideia era, finalmente, permitir legalmente a circulação de ciclistas em ambos os sentidos (a via tem dois sentidos mas proíbe, num deles, o trânsito automóvel privado e de velocípedes), sinalizando-o de forma adequada e bem visível para maior segurança de todos. Os ciclistas que diariamente usam a Rua Nova de Santa Cruz, a Rua D. Pedro V e a Rua de S. Vítor nas suas deslocações certamente ficaram tão entusiasmados como nós ao lerem a notícia de que iria ser implementada esta medida durante a Semana da Mobilidade! Só que… afinal não foi. O que se passou afinal?

Rua D. Pedro V

Passado mais de um mês da Semana da Mobilidade, fonte ligada à CMB dá-nos nota que esta medida continua “em estudo”.

A Braga Ciclável realizou nestas e noutras ruas várias contagens de trânsito, tendo concluído que todos os dias ali passam centenas de pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte, em ambos os sentidos. As pessoas escolhem este percurso por um motivo simples: é o melhor percurso para quem vai de bicicleta. É o percurso percurso mais direto entre toda a zona Este e o Centro, praticamente não tem inclinações e a velocidade média e a quantidade do tráfego automóvel são mais reduzidas. Resumindo: é o caminho mais direto, mais rápido e mais seguro. Mas é ilegal, em rigor, no sentido Este-Centro, até que a Câmara decida colocar sinalização que autorize a circulação de bicicletas nesse sentido, juntamente com os transportes públicos. Trata-se de legitimar (e dar proteção legal em caso de acidente ou litígio) um uso que a sociedade bracarense há muito tempo já legitimou de facto, pois na prática é algo que já acontece e sem haver até à data qualquer registo de acidentes envolvendo velocípedes neste eixo.

Poderá ser que o que esteja “em estudo” seja a questão da enorme barreira artificial que representa atualmente, para peões, ciclistas e transportes públicos, o atravessamento da Av. Pe. Júlio Fragata. Esse local também merece uma intervenção, sem dúvida, mas cremos que não será motivo para adiar outras medidas bem mais simples e menos onerosas, que podem ser implementadas facilmente e com benefício imediato.

Até quando é que vamos ter de esperar por esta importante medida que já em 2012 apontávamos como urgente?

Rua Azul – combate ao estacionamento abusivo

Uma outra medida permanente que poderá ter passado mais ou menos despercebida, mas que é também importante para a melhoria da mobilidade é o programa Rua Azul, que consiste numa parceria com as forças da autoridade para fiscalizarem com “tolerância zero” o estacionamento ilegal e abusivo em determinadas ruas. A ser bem sucedida esta medida, acabariam nesses locais as filas de trânsito, os carros parados em cima do passeio, viaturas abandonadas em segunda fila, com os consequentes atrasos para os restantes automobilistas e, sobretudo, para os clientes dos transportes públicos.

Não dispondo de dados abrangentes sobre a forma como este programa está a ser aplicado, é-nos difícil fazer uma avaliação do mesmo. Quantos agentes da Polícia Municipal e da PSP foram destacados diariamente para o patrulhamento das ruas abrangidas pelo programa Rua Azul? Qual a duração desse programa – é mesmo uma medida permanente, ou tem prazo de validade?

Estacionamento ilegal na Rua D. Pedro V

Notamos, contudo, que pelo menos numa das ruas abrangidas por esta medida permanente (Rua D. Pedro V), as placas de sinalização de “Rua Azul” foram entretanto vandalizadas ou mandadas retirar. E também desapareceram dos respetivos postes as placas que proibiam o estacionamento durante o dia (mesmo sem placas, continua a ser proibido estacionar na maior parte da Rua D. Pedro V, à luz do art.º 50 do Código da Estrada). O que aconteceu? Foi um ato de vandalismo e a CMB ainda não mandou colocar novas placas? Ou será que os responsáveis da autarquia acabaram por ceder a pressões desses 50 ou 60 automobilistas que voluntariamente costumavam optar por estacionar ilegalmente prejudicando as restantes centenas ou milhares de utentes daquela via pública?

A concluir…

A Semana da Mobilidade já lá vai e, mesmo com os reparos que aqui fazemos, consideramos que foi uma iniciativa positiva. Para o ano, esperamos que haja mais e melhor, tanto a nível de eventos e medidas permanentes, como nível da organização e divulgação.

A este propósito, acreditamos que é necessário elaborar um plano abrangente da cidade de Braga para a mobilidade e as bicicletas. A intervenção pontual com medidas avulsas é sem dúvida importante, e deve continuar, mas é desejável que passem a fazer parte de um plano, em cuja concepção certamente terão um papel fundamental parcerias entre a CMB, os TUB, a Braga Ciclável e a sociedade em geral. Da nossa parte estaremos disponíveis, como sempre, para colaborar. Só assim poderemos garantir que todas estas medidas contribuirão para um objetivo maior de tornar a cidade um melhor local para viver.