Orçamento Participativo Aciclável!

Orçamento Participativo Aciclável!

Nos últimos anos, surgiu uma ferramenta de participação popular, democrática, que pretende uma maior aproximação dos munícipes às decisões camarárias e resolução de variados problemas das cidades.

É interessante verificar a representatividade, nestas propostas, de ideias e projetos associados a novas vias cicláveis, ou de outras medidas de proteção, para um ciclar mais seguro.

Contudo, no orçamento participativo de Braga, por questões técnicas, ou orçamentais, nenhuma das propostas chegou à fase de votação. Estará já previsto um plano de infraestruturas cicláveis pela cidade, que ainda não terá sido executado, e todas as propostas colidiram, com tal plano, já estabelecido, em papel!

A crescente utilização de bicicletas e o número crescente de propostas para vias cicláveis, demonstram que este tema é de importância emergente. Num futuro muito breve, será necessário reformular a mobilidade da cidade, materializando os alertas e propostas já realizados sobre este assunto.

Quando não existem condições de utilização segura da bicicleta, em determinados locais, e as alternativas não são viáveis, não se pode afirmar que exista liberdade de escolha, de meio de transporte. O acesso ao hospital da cidade é um exemplo. Com pilaretes no meio das vias, se as bicicletas circularem na estrada e os carros cumprirem com a distância de segurança, o trânsito fica caótico ou a vida do ciclista em risco. 

Talvez nem tudo exija grande alçada orçamental, apenas arrojadas tomadas de decisão, técnico-políticas. Políticas de estímulo à utilização de meios de transporte ativo podem facilitar a mobilidade dos cidadãos, na cidade. Certos trajetos podem ser realizados, sem a utilização de automóvel, e substituídos por transportes públicos, bicicleta ou caminhada.

Ao contrário do que se pensa, as políticas de estímulo à utilização de transporte ativo promovem o comércio local, para além de uma qualidade de vida diferente, menor nível de ruído e poluição do ar.

As propostas cicláveis demonstraram vontades, participação cívica e democrática. Propostas, mesmo que possam não ser tecnicamente perfeitas, terão impacto junto deste, e de próximos executivos camarários, certamente. Demonstram, também, que os cidadãos pretendem uma mudança de mobilidade, para uma mobilidade sustentável, saudável e futurista.

Pela positividade da mudança, e pela democratização do transporte ativo, usemos menos o automóvel e facilitemos a deslocação segura, de quem se transporta ativamente.

Pedalar é saudável!

Pedalar é saudável!

As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.