Não há dúvida que a evolução tecnológica presenteou o Homem, com variados aspetos benéficos no seu dia a dia. O trabalho pesado e lesivo, para a saúde e bem estar, sobretudo a nível osteoarticular, passou a ser desempenhado por máquinas. Contudo, se tal é verdade, também o é que a evolução tecnológica tem tornado o Homo sapiens num ser sedentário.

Para a Organização Mundial de Saúde, o sedentarismo é um determinante na qualidade de vida do ser humano, durante todo o ciclo de vida. 

Em 2004, o Eurobarómetro revelou que 66% dos portugueses, com mais de 15 anos, nunca faziam atividade física e que 22% o faziam apenas 1 vez por semana. Uma das razões apontadas foi o ordenamento do território, já que apenas metade dos portugueses reconhece ter oportunidades de prática desportiva, na zona onde reside.

Não há dúvida que a evolução tecnológica presenteou o Homem, com variados aspetos benéficos no seu dia a dia. O trabalho pesado e lesivo, para a saúde e bem estar, sobretudo a nível osteoarticular, passou a ser desempenhado por máquinas. Contudo, se tal é verdade, também o é que a evolução tecnológica tem tornado o Homo sapiens num ser sedentário.

Para a Organização Mundial de Saúde, o sedentarismo é um determinante na qualidade de vida do ser humano, durante todo o ciclo de vida. 

Em 2004, o Eurobarómetro revelou que 66% dos portugueses, com mais de 15 anos, nunca faziam atividade física e que 22% o faziam apenas 1 vez por semana. Uma das razões apontadas foi o ordenamento do território, já que apenas metade dos portugueses reconhece ter oportunidades de prática desportiva, na zona onde reside.

Perante o fácil acesso à comida; melhoria da capacidade de armazenamento, no domicílio; e a existência de tecnologia, para resolução da maioria dos problemas diários, a população  diminuiu o gasto calórico diário e, inversamente, aumentou o aporte calórico, condicionando o surgimento da epidemia de obesidade. 

Na década de 60, o Dr. Jeremy Morris publicou estudos que documentaram que a atividade física é um importante coadjuvante na prevenção das doenças cardiovasculares. O Dr Jeremy constatou que os revisores de autocarros, de dois andares, apresentavam 50% menos enfartes do miocárdio que os condutores, desses mesmos autocarros. A diferença residia no facto de os motoristas passarem o seu horário de trabalho sentados, a conduzir, e os revisores subirem cerca de 600 degraus, por dia. O mesmo autor também publicou artigos que comparavam os carteiros, que se deslocavam a pé ou de bicicleta, com telefonistas, e os resultados foram idênticos ao estudo anterior. O tipo de profissão pode influenciar os resultados clínicos dos doentes. O mesmo autor constatou que, independentemente da composição corporal dos trabalhadores, obesos ou magros, a atividade física era um fator independente de risco cardiovascular, sendo que, quem era mais ativo tinha menor probabilidade de vir a padecer de patologia cardiovascular. Um outro estudo, que envolveu 18000 homens, com trabalho sedentário, e se prolongou 8 anos, mostrou que pessoas com atividade física regular, com exercícios aeróbios (não só porque praticavam desporto, mas porque andavam, nadavam, e se deslocavam de bicicleta) eram 50% menos propensos a ter um enfarte do miocárdio, do que os sedentários.

Claro que é importante a comunidade médica combater o sedentarismo. Contudo, as sociedades também têm, no geral, de ser mais facilitadoras. Evitar horários laborais exagerados; garantir a escolha democrática de meio de transporte, proporcionando condições para os peões e utilizadores de bicicletas; privilegiando e beneficiando quem, ativamente, se desloca.

O combate ao sedentarismo pode ser induzido pelas alterações urbanas. As evidências são várias: cidades que se transformam, para reduzir os atropelamentos e colisões, entre velocípedes, ou peões, e automóveis, atraem mais pessoas para a mobilidade ativa, e, consequentemente, combatem o sedentarismo.

A foto, que ilustra o artigo, foi obtida junto da Universidade de Bona, um local com ótimas condições de acessibilidade, para quem se desloca de bicicleta. Um local que exemplifica bem como a população adere à mobilidade ativa (de bicicleta ou a pé), ou com o interface de transporte público, quando lhe são garantidas condições.

A Direcção Geral de Saúde enfatizou, há uns anos, no livro “Saúde um compromisso” que seriam necessárias  estratégias de cooperação, que envolvessem a comunicação social; programas educativos; autarquias; o associativismo desportivo; professores; divulgações regulares dos benefícios da vida ativa; para que, com as várias entidades envolvidas, se obtenha a desejada redução do risco comunitário, de morte, ou complicação médica, associado ao sedentarismo.

Arnaldo Pires

Médico Assistente Hospitalar de Medicina Interna, do Hospital de Braga: Serviço de Urgência; Cuidados Intermédios; Viatura Médica de Emergência e Reanimação
Arnaldo Pires