A cidade de Braga possui uma excelente área pedonal, no seu centro histórico. Trata-se de uma área extensa, plana e globalmente bem pavimentada, onde afloram várias áreas de comércio e turismo, bem como de habitação.

As áreas pedonais incentivam a deslocação a pé e de bicicleta, promovendo atividade física. A deslocação ativa apresenta benefícios para a saúde dos cidadãos, bem como benefícios ambientais; otimiza, ainda, a atividade comercial e turística dos centros pedestres. Esta áreas são consideradas como zonas de conforto, onde as famílias se podem deslocar com descontração, sem a preocupação do confronto com o automóvel.

Vários estudos têm sido realizados, no sentido da obtenção do ideal de promoção da deslocação ativa, pelas cidades, de forma recreativa, ou em trabalho. Num ponto são unânimes: sem perceção de segurança, os esforços de promoção da deslocação ativa, são inglórios.

Os atropelamentos têm relação com a idade dos peões, volume de tráfego e velocidade automóvel e estação do ano. A população 65+ tem aumentado.

Este grupo populacional apresenta uma menor acuidade visual e auditiva; menor agilidade; por vezes, deterioração cognitiva, apresentando maior possibilidade de se envolver em atropelamentos. De igual modo, verifica-se uma probabilidade de morte 50% superior, aos peões mais novos, em caso de atropelamento. Os atropelamentos devem ser monitorizados, no sentido de estimularem o surgimento de medidas para sua redução efectiva.

Em Pontevedra, Galiza, os esforços dos executivos camarários, no sentido da promoção do deslocar ativo seguro, permitiu atingir a fabulosa meta de zero atropelamentos. Para isso, foi necessário fechar estradas, sobretudo no centro da cidade, ao trânsito automóvel, criando condições para que as pessoas deixassem os automóveis em parques gratuitos, fora do centro. Associaram, ainda, medidas educativas, no sentido da promoção dos benefícios dessas alterações.

Lentamente, e porque estes assuntos assim o exigem, as estradas foram sendo entregues aos peões e ciclistas. Agora, o ruído e fumo dos carros foram substituídos pelo prazeroso som dos pássaros e das crianças a brincarem.

A população, na sua maioria, relata maior índice individual de felicidade e os comerciantes garantem que o comércio melhorou, também.

Será de esperar que Braga evolua, ao afirmar-se como uma cidade ainda mais amiga do transporte ativo, com o aumento de áreas partilhadas, por peões e ciclistas, bem identificadas, e com zero atropelamentos.

Arnaldo Pires

Médico Assistente Hospitalar de Medicina Interna, do Hospital de Braga: Serviço de Urgência; Cuidados Intermédios; Viatura Médica de Emergência e Reanimação
Arnaldo Pires

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