O governo apresentou no passado dia 28 de Março a sua Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa e há claros objectivos, números até, de promoção da utilização da bicicleta como meio de transporte urbano em Portugal.

Os números são um embaraço. Em Portugal apenas 0,5% das deslocações são feitas em bicicletas, com um terrível impacto para o ambiente e para a qualidade de vida dos Portugueses. O objectivo é subir deste mísero número para 7,5% até 2030. Também até 2030 pretende-se aumentar os km de ciclovia de 2 mil (números de 2018) para 10 mil e reduzir a sinistralidade de peões e ciclistas para metade.

É claro que tudo isto são boas notícias, são excelentes notícias, mas as grandes alterações de paradigma começam nas cabeças das pessoas. Ciclovias para adornar os passeios das cidades, como temos tido em Braga, não vão mudar o planeta.

Uma das medidas que mais me encheu a alma, porque acredito que um dos maiores problemas de transito das cidades portuguesas, e de Braga em particular, se relaciona com as portas das escolas e o seu acumular de automóveis de pais em segunda e terceira fila, foi a do plano de intervenção juntos dos jovens em idade escolar, nomeadamente ao nível do ensino de como andar de bicicleta. Espero que esta medida tenha como objectivo criar aquilo que se vê pela europa fora – escolas com largos parques de estacionamento para bicicletas e pais à espera das suas crianças em casa, em vez de a entupirem as cidades às horas de saída.

Como provaram no passado dia 15 de Março, os jovens não estão dispostos a enterrar o seu futuro juntamente com o planeta pelo conforto de um sofá.

Espero sinceramente que esta Estratégia Nacional dê às novas gerações as armas para criarem um país mais ecológico, com cidades mais fluídas, seguras e mais confortáveis. Espero que a Câmara de Braga passe à acção, implementando já, por exemplo, os prometidos 22 km de rede ciclável estruturante e que as horas de saída e entrada das escolas passem a ser celebradas com campainhas de bicicletas, em vez de baforadas de tubos de escape.

Helena Gomes
Helena Gomes

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