Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.

Vários foram os países que repensaram e reformularam a estrutura da cidade tendo sempre em vista o seu desenvolvimento. Porque não fazer o mesmo mesmo em Portugal? Porque não começar essa revolução aqui em Braga? Para tal, é preciso compreender que fazer excertos de ciclovias, sem ligações e mal feitas – como é o caso da recém construída ciclovia da Rua Nova de Santa Cruz a qual não foi construída a pensar nos ciclistas dado que nem o piso da mesma é adequado – não é suficiente para incentivar mais pessoas a esta prática. O que é realmente necessário é construir uma rede de ciclovias ligadas entre si que torne possível a deslocação entre os vários pontos da cidade. Atualmente, o meu percurso começa em Lamaçães, direção a Santa Tecla (onde consigo usufruir de cerca de 300 metros de pista exclusiva), seguindo pela 31 de Janeiro até ao centro. Avenida esta que é das mais utilizadas por todas as pessoas e que não conta com o mínimo de segurança na infraestrutura para os que utilizam a bicicleta. Para além disso, é uma estrada de um só sentido, o que me leva a utilizar o passeio quando me desloco no percurso inverso, o qual seria facilmente evitável com uma ciclovia, evitando embaraços para peões, ciclistas e automobilistas.

É lamentável ver que um problema iminente como este tenha vindo a ser tão facilmente desprezado pelo executivo municipal e pelos técnicos do município que deveriam zelar pelo bom funcionamento do nosso município. Esta é uma causa que não tem em consideração apenas os ciclistas, mas sim todos os cidadãos que se preocupam com a sua saúde e da cidade, para aqueles que procuram deslocar-se sem limitações e sem transtornos.