A bicicleta tornou-se o meu principal meio de transporte. É a bicicleta que eu escolho para me deslocar na cidade de Braga. Quando algo me impede de usar a bicicleta escolho o serviço que a TUB me oferece.

Esta é a minha estratégia de mobilidade e partilho-a com o máximo de pessoas, porque considero que esta mudança multiplicada por um número suficiente tornará Braga uma cidade melhor para todos. As emoções que provocam esta minha ação evangelizadora remetem-me para momentos da minha infância: longe do alcatrão impermeável, do ar poluído, em contacto diário com a natureza e sem os atuais protecionismos exagerados por parte dos pais. Tudo isto porque o sítio onde brincava era seguro e sobretudo saudável.

Viver numa cidade não tem que ser sinónimo de ar mais poluído, de estradas entupidas com condutores cansados, sedentários, termo acondicionados.

Há a tendência recorrente em olhar para as cidades vizinhas e utilizar a expressão “não estamos assim tão mal”. No entanto, é precisamente ao contrário que devemos pensar e agir, procurando inspiração em outros locais, olhando sempre, em primeiro lugar, para a nossa cidade.

Eu não quero saber quais são as cidades que estão pior que nós (os meus pais nunca aceitaram como desculpa para o meu mau resultado, a média da turma), mas quero, sim, a possibilidade que existe de tornar a cidade de Braga equipada com tudo o que uma aldeia tem de melhor para dar: ar puro, espaços verdes para as crianças brincarem em segurança, ruas seguras e, de preferência, sem pessoas a morrer na estrada.

‘A aldeia’ a que todos recorremos aos fins de semana – o chamado ‘turismo rural’ – que traz tanta satisfação a tantas pessoas, muitas delas nem sabem bem porquê, mas a verdade é que toda a gente procura esta tranquilidade e esta infância, tão comum a muitos de nós.

Com a vontade de transpor este cenário para a realidade bracarense, somos cada vez mais. A associação Braga Ciclável, da qual eu sou associado, promove as cicloficinas que reúne ciclistas urbanos para pequenas afinações nas bicicletas e, nestes momentos, muitos são aqueles que se juntam a nós, na luta para devolver a cidade às pessoas, para devolver o ar puro às pessoas, para devolver mais espaços verdes, em vez de alcatrão, às pessoas, porque motivar uma mobilidade mais suave é sobretudo tornar as cidades mais humanas.

Paulo Silva

Paulo Silva

O meu trabalho é desenvolver software. Procurar e combinar "máquinas" que resolvam problemas. Em 2017 comecei a trabalhar em Braga. Pouco tempo depois, comprei uma bicicleta para passear ao fim de semana. Percebi que a bicicleta, na maioria dos percursos pela cidade, é a máquina que oferece melhor compromisso de custo benefício. Uso a bicicleta com prazer e com a consciência que contribuo para uma cidade mais feliz.
Paulo Silva

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