Em Braga a poluição ambiental não é algo de que se fale regularmente. E é estranho que tal aconteça: tal como Lisboa e o Porto, Braga excede os valores máximos permitidos por lei. Sabemos hoje os riscos de saúde que corremos por vivermos em permanência em locais poluídos – e há dias um novo estudo juntou mais uma preocupação: as micropartículas libertadas também provocam diabetes tipo 2.

O grande responsável pela poluição das cidades é o automóvel particular. E, em Braga, a mobilidade assenta sobretudo neste meio de transporte poluente e ineficaz. Porém, quando se propõe que utilizemos a bicicleta, os argumentos contra centram-se na impossibilidade desta substituir em permanência um automóvel.

Ora, não é disso que se trata. O que se pretende é que, à semelhança do que acontece até em cidades de grande dimensões como Copenhaga, Barcelona ou Berlim, vejamos a bicicleta como uma alternativa ao carro para determinados percursos. É algo simples que podemos fazer, tal como fechar a água da torneira enquanto escovamos os dentes.

Por que razão havemos de ir de carro fazer meia dúzia de compras, tomar café ou fazer um recado, se o podemos fazer de bicicleta e até estacionar à porta? Aliás, o mais provável é que consigamos fazer tudo de uma só vez e de forma mais rápida se formos de bicicleta. E por que razão não havemos de levar os filhos nas suas bicicletas até à escola? Faça uma destas experiências e veja o tempo e a qualidade de vida que ganha – até mesmo nesta cidade tão pouco amiga dos ciclistas, em particular dos mais frágeis como as crianças, os idosos ou as grávidas.

Mas este esforço individual é só uma parte da solução. É preciso que a Câmara Municipal, em vez das conversas encantadoras sobre sustentabilidade e ambiente, dê passos concretos, incrementais e pedagógicos para reduzir a enorme poluição que cobre a cidade e para reconquistar o espaço público que o automóvel nos rouba. A obra de renovação do PEB – agora Fórum Braga – foi mais uma oportunidade perdida: privilegiou-se o acesso automóvel em detrimento do transporte público, aumentou-se o estacionamento​ ​exterior imperme​ável e, por incrível que pareça, apesar de estar contíguo à ciclovia do rio Este, não se previu a articulação com esta!

É que, ao contrário do que por regra se pensa, criar uma cidade amiga das bicicletas não se resume a construir ciclovias para todo o lado (e ainda que assim fosse importa esclarecer que uma ciclovia sempre custaria por km uma ínfima parte de uma via para automóveis). Trata-se de repensar o funcionamento da cidade existente, quer do espaço público, quer dos seus edifícios. E passa por, nos novos loteamentos e empreendimentos privados, a Câmara impor de origem a boa acessibilidade dos peões e dos ciclistas. E, infelizmente, não é nada disto que temos visto.

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