Sou utilizador regular de bicicleta, para locomoção diária em Braga, há mais de 25 anos. Comecei a fazê-lo depois de ter estado a estudar/trabalhar durante 6 meses em Bristol (Inglaterra). A casa onde morava estava mal servida de transportes públicos e ficava longe do local de trabalho, pelo que não tive outra solução a não ser recorrer à bicicleta.

A experiência desta utilização, mais ou menos forçada, da bicicleta revelou-se muito gratificante. Percebi muito rapidamente as diversas vantagens que o seu uso encerra. A saber:

  1. sensação de liberdade (contacto mais directo com a natureza/cidade)
  2. exercício físico diário
  3. maior rapidez de locomoção em trajetos citadinos
  4. facilidade de estacionar perto dos locais para onde nos deslocamos
  5. tempos de viagem mais ou menos constantes, independentemente do estado do trânsito
  6. custos (muito) baixos
  7. baixa pegada ecológica

Quando regressei a Braga, fiz imediatamente o transfer para a bicicleta. E, a cada dia que passa, fico mais convencido que é o modo de transporte mais adequado ao contexto urbano, especialmente para trajetos curtos, planos e na cidade.

Apesar de Braga não ser uma cidade orientada à bicicleta, longe disso, ainda assim é possível usá-la de forma relativa tranquila. Ao fim destes anos todos, aprendi a proteger-me enquanto ciclista e sei bem quais as situações que têm maior perigo. Uma delas é o corte brusco à direita que os automóveis fazem logo após nos ultrapassarem (pela esquerda). É uma manobra muito comum que ainda ocorre com alguma frequência. Uma outra é a ultrapassagem com pouca distância de segurança. Esta manobra é cada vez mais rara, fruto de dois factores. O primeiro está relacionado com a mudança do código da estrada, que desobrigou os ciclistas a terem de circular o mais à direita possível da via. O segundo tem a ver com o facto do número de ciclistas de lazer ter aumentado bastante, o que faz com que muitos automobilistas também sejam ciclistas. Há assim, genericamente, um maior respeito dos primeiros para com os segundos. De facto, dantes era muito comum os automobilistas buzinarem aos ciclistas sempre que estes os impediam de circular de forma mais rápida, fenómeno que sinto ter diminuído significativamente.

Concluo esta minha primeira crónica para a Braga Ciclável, com um desafio para ti, meu estimado leitor: experimenta, durante uma semana, deslocar-te diariamente de bicicleta. Define trajetos em que seja possível fazê-lo de forma segura, por exemplo, de casa para a escola e no sentido inverso; de casa para o treino no ginásio ao fim do dia. Talvez apanhes o gosto pela bicicleta como me aconteceu em Bristol. Se tal acontecer, verás que depois não queres outra coisa…


(Artigo originalmente publicado na edição de 19/05/2018 do Diário do Minho)

João M Fernandes

João M Fernandes

Usa bicicleta diariamente para se deslocar em Braga. Também já o fez nas cidades onde morou durante períodos de tempo relativamente longos: Bristol (R. Unido), Turku (Finlândia), Aarhus (Dinamarca) e Florianópolis (Brasil). É professor catedrático na UMinho e engenheiro informático de formação. Gosta de observar e analisar a forma como as cidades são organizadas e planeadas para serem mais amigas do cidadão.
João M Fernandes

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