Eles estão um pouco por todo lado. Umas vezes à mostra, outras vezes disfarçados sob um pequeno lençol de água. Por vezes no meio da estrada, mas muitas outras vezes junto à mesma berma para a qual alguns carros ainda teimam em tentar empurrar os ciclistas. Os buracos na faixa de rodagem são uma das armadilhas mais perigosas e mais frequentes nas nossas ruas, para quem anda de bicicleta.

Não há presidente de junta que não escute diariamente a sua dose de reclamações sobre este tipo de problemas, e estou certo que o departamento competente da Câmara Municipal também recebe a sua dose de desabafos. Mas hoje não venho falar do tempo que demora a tapar este ou aquele buraco, nem sobre os motivos que levam a que depois de tapado ele volte a surgir no mesmo local, ou o piso fique com lomba ou depressão.

Hoje venho somente alertar para a necessidade pragmática de estarmos atentos a eles. Quem conduz um automóvel sabe que tem bons motivos para se desviar. Uma direção desalinhada, uma jante danificada, um pneu descalibrado ou mesmo rebentado, são alguns dos riscos que acarreta uma eventual passagem distraída sobre eles.

Mas para quem anda em duas rodas, de bicicleta ou mesmo de moto, o risco é muito maior. Atravessar por cima de um buraco, mais do que meros danos materiais, pode significar uma queda.

O que fazer, então? Se vamos em cima de uma bicicleta, o primeiro a fazer é estarmos sempre atentos a tudo, incluindo ao estado do piso à nossa frente. É fundamental olhar mais para diante e antecipar este tipo de obstáculos, por forma a evitar a necessidade de uma manobra brusca. Como a maior parte das imperfeições no piso tendem a estar junto às bermas (e também por uma série de outros motivos que ficarão para outra conversa), é recomendável evitar circular encostados à direita. Em vez disso, é preferível e bem mais seguro manter como posição primária de circulação a parte central da via de trânsito (mas não necessariamente da faixa de rodagem!…), o que permite uma maior liberdade de movimentos para contornar esses obstáculos.

Por outro lado, quando vamos de automóvel, se encontrarmos um ciclista à nossa frente, devemos antever esse tipo de imprevistos, abrandar e deixar uma maior distância de segurança que nos permita sempre parar a tempo, mesmo que o ciclista caia de repente. Todos nós aprendemos essa regra no Código da Estrada, mas só nos lembramos realmente dela quando apanhamos um grande susto… o que é pena, pois, quando aplicada, permite evitar acidentes e salvar vidas.


(Artigo originalmente publicado na edição de 31/03/2018 do Diário do Minho)

Victor Domingos

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Escritor independente. Aprendiz de poeta, de ciclista e de tantas tantas coisas mais.
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