Anuncia-se em Braga um projeto de mobilidade urbana a aplicar na rodovia e que reduzirá a velocidade permitida. Ao mesmo tempo, foi noticiado que o Governo pondera reduzir a velocidade máxima nas cidades para 30km/h. À primeira vista, reduzir a velocidade dos automóveis parece um atraso de vida.

Há, porém, razões muito sérias para esta alteração. Desde logo, uma que é infelizmente tão cara a Braga: limitar a velocidade a 30km/h não só reduz o número de atropelamentos, como quase que elimina a hipótese destes causarem mortes ou feridos graves (e houve mais um atropelamento esta semana). Além disso, quando os veículos circulam devagar, torna-se possível a convivência com os demais utilizadores, em particular com os peões e as bicicletas. Não esquecendo que também contribui para a redução da poluição que em Braga é já um problema demasiado palpável.

Poder circular a velocidades altas na cidade é um “luxo” que tirou a vida a dezenas de bracarenses e deu origem a uma cidade deserta e dividida em setores. Basta observar os passeios de qualquer das rodovias: são avenidas, estão em pleno coração da cidade mas raramente lá vemos gente. Os locais de travessia de peões estão demasiado longe uns dos outros, quando, para agravar a situação, não são superiores ou subterrâneos. Não é agradável Braga nestas “avenidas”.

Em boa hora a Câmara Municipal decidiu intervir nalgumas avenidas (ainda que empurrada pelo tipo de fundos comunitários existentes e sem um plano de mobilidade). Mas se a intervenção vai no caminho certo o mesmo não se pode dizer de todo o contexto que a envolve. Lembro que ainda há menos de um ano, o Município trouxe para o centro histórico uma prova de rally, em sinal totalmente contraditório com as intenções de redução de velocidade e de incentivo ao uso de modos ativos (pedonal, ciclável, etc). Ou que tem licenciado projetos privados que fomentam a dependência do automóvel.

Por outro lado, muito pouco foi feito nos últimos 4 anos em termos de mobilidade. É muito grave que se circule todos os dias a velocidades muito acima de 50km/h e basta conduzirmos a esta velocidade na rodovia para percebermos que somos os únicos a cumprir a lei. Só sendo muito corajoso é que um ciclista se atreve a pedalar na rodovia! Por isso, nada tendo feito para impedir este abuso permanente, a Câmara enfrentará a dificuldade de, na prática, propor uma redução dos atuais 70 ou 80km/h para os 30km/h.

Por fim, uma intervenção num eixo tão fundamental como é a nossa rodovia deveria ter começado com um amplo debate, antes de se partir para o desenho. Perdeu-se uma oportunidade de se fazer deste um processo exemplar e de corrigir a recente trapalhada da Rua Nova de Santa Cruz.

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