Entramos num novo ano com a esperança que este traga boas novidades relativamente à mobilidade, especialmente para a bicicleta. Muitas são as pessoas que querem utilizar a bicicleta como meio de transporte em Braga, mas têm medo de utilizar a estrada. Esse medo é legítimo, pois (infelizmente) temos pessoas a usar o automóvel de forma excessiva (velocidades incompreensíveis para um centro da cidade) ou a olhar para as virilhas (a mexer no telemóvel). Isto cria um sentimento de insegurança para quem anda (ou quem quer andar) a pé ou de bicicleta. Por isso é que ter massa crítica no que diz respeito ao uso da bicicleta antes de ter as condições infraestruturais é muitas vezes difícil e perigoso – pois estamos a convidar as pessoas a usar a bicicleta numa infraestrutura desenhada para o carro e para o carro acelerar.

Ainda assim, o número de pessoas a utilizar a bicicleta (pelo menos em Braga) tem aumentado e, por isso, é que este terá que ser um ano de intervenções físicas na rede viária, um ano que modernize o paradigma da mobilidade existente. O Plano Nacional de Bicicletas, que contará com 200 milhões de euros, e os fundos comunitários deste quadro permitirão, certamente, levar a cabo a construção da rede ciclável de 76 km em Braga e de muitas outras redes cicláveis no país. Uma rede ciclável bem construída (sem erros crassos) tem, por si só, uma capacidade de atrair pessoas para o uso da bicicleta como meio de transporte.

Para mim será também um ano novo no que diz respeito ao uso da bicicleta. Comecei há uns anos com uma daquelas bicicletas de supermercado, sem guarda lamas, pneus de monte e muito simples. Depois montei uma estradeira, pneus fininhos, guiador estilo Volta a Portugal, mas com porta alforges. Comprei depois uma bicicleta urbana, preta, onde consigo ter uma postura mais reta: costas direitas a pedalar. Trazia guarda-lamas, guarda-corrente e porta alforges. Não satisfeito, apliquei-lhe uma caixa à frente. Ganhei 25 litros de capacidade de transporte, mais do que suficiente para as necessidades do dia a dia. No ano passado, a família cresceu e, contrariando a muito ouvida frase “agora é que vais deixar de andar de bicicleta”, comprei uma Bakfiets. A Bakfiets é uma bicicleta de carga, com uma grande caixa na frente com capacidade para 3 crianças e um peso máximo de 80 kg. Não há, portanto, motivos para não se andar de bicicleta em algumas deslocações quotidianas. Há apenas velhas e muito ouvidas desculpas.

É possível usar a bicicleta como meio de transporte nas cidades portuguesas, há soluções para quase tudo no que toca às deslocações diárias. Claro que há trabalho a fazer no que diz respeito às nossas ruas, e aí deve residir a prioridade: criar condições e fazer as obras bem-feitas, sem invenções. Por isso, este é um ano novo, um ano para pegar na bicicleta e começar a utilizá-la no dia a dia, um bocadinho de cada vez.

Mário Meireles
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Mário Meireles

Engenheiro de Mobilidade Urbana - Interfaces Físicos at TUB - Transportes Urbanos de Braga
Utilizador diário da bicicleta como meio de transporte é licenciado em Engenharia Informática, mestre em Engenharia Urbana: Cidades Sustentáveis e PhD Student na área dos transportes e mobilidade.

A sua dissertação de mestrado teve como título "Como Promover a Mobilidade Ciclável em Portugal. O caso da cidade de Braga."
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