Atualmente a temperatura média do nosso planeta está cerca de 1,3°C acima da temperatura média na era pré-industrial. Parecerá coisa pouca, mas se pensarmos que 2017 se assistiu, só em Portugal, a uma das maiores secas de que há registos e a recordes máximos de temperaturas e mínimos de humidade que estiveram na origem de trágicos incêndios que causaram mais de 100 mortos, os números deixam de ser só números. Cientes deste problema, 169 países e a União Europeia (UE) assinaram e ratificaram o Acordo de Paris, comprometendo-se a um aumento máximo da temperatura média de 2,0°C em relação a 1880.

É praticamente consensual que a origem do aquecimento global está na emissão humana dos designados gases de efeito de estufa (GEE). Para essas emissões os transportes são um dos principais contribuidores. Estima-se que em toda a UE metade das viagens de automóvel são para distâncias inferiores a cerca de 5km, algo que poderá ser percorrido de bicicleta em cerca de 20 minutos. Será então a bicicleta um possível instrumento ativo no combate ao aquecimento global?

Um estudo da Federação Europeia de Ciclismo diz que sim. Ele aponta, numa análise de todo o ciclo de vida do veículo (produção, utilização e fim de vida), que por quilómetro percorrido, uma bicicleta emita o equivalente a 21 gramas de dióxido de carbono, um carro médio o equivalente a 271 gramas e um autocarro o equivalente a 101 gramas por passageiro. Portanto, um utilizador de bicicleta contribui para o aquecimento global cerca de 13 vezes menos que um automobilista e cinco vezes menos que um utilizador de transportes públicos. O mesmo estudo estima que se todos os países da UE adotassem o nível de utilização de bicicleta da Dinamarca, as metas europeias de redução da emissão de GEE no setor dos transportes para 2020 poderiam até ser superadas.

Não é fácil, cada um de nós substituir o automóvel na totalidade das suas deslocações, no entanto, é muito provavelmente simples substituir numa parte significativa delas. Da próxima vez que se sentar no automóvel, lembre-se que poderia estar a contribuir 13 vezes menos para a degradação do planeta e que isso tem consequências.


(Artigo originalmente publicado na edição de 09/12/2017 do Diário do Minho)

Zé Gusman

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Minhoto, físico de formação, interessado por questões ambientais, atleta nos tempos livres e que usa a bicicleta no dia-a-dia.
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