A área pedonal existente no centro histórico de Braga foi aumentando ao longos dos últimos 20 anos sem nunca se pensar a sua mobilidade interna e de proximidade. Na ausência de transportes públicos a atravessá-la, temos de deslocar-nos a pé. O que, dada a sua extensão, não é tarefa fácil em caso de pressa ou de se tratar de um utilizador com mobilidade reduzida. A bicicleta é, por isso, uma excelente alternativa de circulação na área pedonal porque permite uma deslocação rápida e porta a porta.

A área pedonal é também uma via incontornável da cidade para quem a atravessa, principalmente no eixo Gualtar-Maximinos. Não só é a via mais direta, como é também a mais segura e a mais agradável (a alternativa será a perigosa rodovia a sul ou a norte). E há certamente uma vantagem para todos nós: grande partes destes ciclistas que atravessam a cidade representam menos um carro poluente a circular. E devemos estar agradecidos a quem, de forma intencional ou não, ao deixar o carro em casa contribui para uma cidade mais saudável.

As já duas décadas de convivência entre peões e bicicletas na zona pedonal revelaram-se pacíficas. Nas estatísticas não há registo de acidentes entre peões e bicicletas e ainda menos de colisões fatais. Isto numa cidade que, infelizmente, há muitos anos apresenta números vergonhosos de atropelamentos fatais por veículos automóveis dentro da zona urbana. Quem não se lembra logo ​de várias pessoas ou amigos ​que perderam a vida em ruas de Braga, artérias essas que tinham a obrigação de ser seguras, limitando a velocidade? A este respeito, e sem me alongar agora neste assunto, pergunto: sabendo-se que um limite de 30km/hora diminui várias vezes a possibilidade de acidente fatal, por que razão não são de imediato implementadas medidas de acalmia de tráfego?

Por fim, nem tudo está bem na área pedonal no que diz respeito aos ciclistas. A falta de sinalização clara nas entradas é uma falha inexplicável. Em primeiro lugar é preciso considerar desde logo que as entradas principais dos ciclistas não correspondem, na maioria dos casos, às entradas de veículos automóveis. Por isso, a sinalização deve ser colocada nos pontos por onde se fazem de facto os acessos das bicicletas. Em segundo lugar, é importante clarificar que na zona pedonal a prioridade deve ser dada ao peão. Ou seja, perante aglomerados maiores de peões, os ciclistas devem desmontar e circular também a pé. Não é possível definir uma regra rígida. Na verdade, o número de peões na zona pedonal varia imenso ao longo do dia: por vezes não há quase ninguém a passar e por outras, como num sábado de sol, 2 ou 3 ruas ficam demasiado congestionadas ​com peões. Como acontece na maioria dos casos de conflito entre modos suaves, o bom senso é a melhor solução! Bom senso que pode ser recordado por aviso que convide a desmontar da bicicleta sempre que haja maior presença de peões!


(Artigo originalmente publicado na edição de 28/10/2017 do Diário do Minho)

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