Há muitas frases que quem anda de bicicleta costuma ouvir no dia a dia: “Vens de bicicleta com esta chuva?”, “Está tanto calor para andares de bicicleta!”, “Como é que vais levar tanta coisa, queres boleia?”, “Eu não posso andar de bicicleta, tenho que levar os filhos à escola!”, “Não posso ir de bicicleta, posso precisar do carro!”, “Em Braga não há cultura da bicicleta”, entre muitas outras. São muitos os conceitos pré-concebidos sobre andar de bicicleta no dia a dia, mas muitas dessas frases não são mais do que falácias e muitas vezes trazem a curiosidade de quem também gostaria de andar de bicicleta no dia a dia.

Eu costumo dizer que não há mau tempo, mas sim mau equipamento (ou a falta dele). Um impermeável (calças + poncho + guarda sapatos), uma bicicleta equipada com guarda lamas e protetor de corrente, um alforges impermeável enão há chuva que nos molhe. E, em Braga, não chove assim tanto. Em Braga temos 195 dias sem chuva, ou seja, em mais de metade do ano não chove. Para além disso não há dias em que se tenha registado gelo e as temperaturas são agradáveis. Já Amesterdão possui 187 dias sem chuva, Odense 190, Hamburgo 175, Freiburg im Breisgau 182, Nantes 137, San-Sebastian 187. Ou seja, em todas estas cidades chove durante mais dias do que em Braga. Tendo em conta que todas estas cidades têm maior percentagem da população a utilizar a bicicleta do que Braga, não é a chuva que faz com que as pessoas não usem a bicicleta. E as pessoas dessas cidades também são seres humanos, não são diferentes de nós.

Braga é uma cidade densa e plana ao longo do Rio Este, entre São Pedro D’Este e Ferreiros. Aqui habitam cerca de 100 mil pessoas em 13 km2 , ou seja, cerca de 7600 pessoas/km2 . E também aqui os declives são inferiores a 6%. Quem faz o dia a dia dentro desta área pode perfeitamente utilizar a bicicleta como meio de deslocação casa-trabalho ou casa-escola. Se faltam infraestruturas? Faltam, e elas só por si são uma forma de promover a bicicleta (têm é que ser bem construídas). Ao mesmo tempo, falta uma gestão de estacionamento eficaz, aumentar as frequências de transporte público, reduzir a atratividade do automóvel. Entretanto, experimentem utilizar a bicicleta, comecem ao fim de semana, depois uma vez por semana e, quando derem por ela, já andam mais de bicicleta do que de carro.


COMO PEDALAR RODEADO DE PEÕES?

1- Se pedalar em zonas de coexistência (por exemplo o centro histórico de Braga) faça-o de forma atenta. Nesse lugar o peão é o “rei” e deve ser respeitado ao máximo. Ir mais devagar ou mesmo desmontar é importante. Não traz nada de bom passar ‘fininhos’ a um peão ou acelerar Rua do Souto abaixo correndo o risco de alguém sair de uma loja. Mais devagar também se pedala.

2- Se pedalar numa ecovia ou numa via pedonal e ciclável sem separação tenha especial atenção aos peões. Também aqui devemos ter um cuidado redobrado com quem circula nessa via partilhada. Andar de bicicleta nestas vias não é nenhuma competição. Todos devem ser respeitados.

(Artigo originalmente publicado na edição de maio de 2017 da Revista Rua)

Mário Meireles

Mário Meireles

Trust Me, I am an Engineer.
Licenciado em Engenharia Informática, Pós Graduado em Engenharia Urbana: Cidades Sustentáveis.

Engenheiro de Mobilidade Urbana nos TUB - Inovação e TUBConsulting

Já voei de bicicleta, hoje limito-me a pedalar.
Mário Meireles

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