No rescaldo da Semana Europeia da Mobilidade, que decorreu de 16 a 22 de Setembro, em que 2424 cidades do continente europeu, incluindo Braga, se uniram em torno da causa da mobilidade sustentável, é necessário analisar em que medida as autoridades locais levam em real consideração todas as promessas lançadas nos últimos tempos no âmbito desta matéria e qual o seu real impacto junto da população.

Em primeiro lugar, é preciso ter em conta de que a Semana Europeia da Mobilidade, que surgiu em 2002, não tem por objetivo ser a única semana do ano em que se debatem os assuntos relativos à mobilidade sustentável… coisa que os nossos representantes parecem interpretar de forma literal. Pretende sim ser o mote para uma mudança efetiva no paradigma comportamental associado aos movimentos pendulares dos cidadãos, defendendo a adoção de comportamentos que privilegiem uma utilização ótima do espaço público, pela adoção de meios de transporte ecológica e urbanisticamente sustentáveis, que permitam o aumento ou, pelo menos, a manutenção da qualidade de vida dos cidadãos.

Do programa lançado pelo executivo de Braga, em articulação com outras entidades, constaram várias atividades, entre as quais um concurso de fotografia, um mercado da mobilidade e da energia com demonstração de veículos elétricos e mecânicos e de bicicletas, uma fotografia intitulada “Que espaço ocupam 60 pessoas?” (em baixo), a interdição de circulação de trânsito na Rua D. Gonçalo Pereira e no Largo de S. Paulo, um passeio noturno de bicicleta, entre outros.

Ora, numa cidade que pretende, até 2025, reduzir em 25% o número de automóveis em circulação e duplicar o número de passageiros transportados pelos Transportes Urbanos municipais, faz sentido a promoção de veículos de transporte individual, mesmo que elétricos? Numa cidade que pretende aumentar para 18 000 os utilizadores de bicicleta e, prevê no seu PDM, construir 76 kms de vias cicláveis, onde está a sensibilização e formação ativa dos nossos jovens e cidadãos para esta causa? Porque é que Braga não aderiu ao Dia Europeu Sem Carros? Uma grande área pedonal (largamente frequentada por automóveis) não é justificativo a esta última questão.

Se as nossas entidades pretendem efetivamente cumprir estes compromissos, será necessária a elaboração e implementação de uma estratégia e de um conjunto de medidas que cheguem às pessoas, àqueles que realmente usufruem do espaço público. Basta de promessas vãs que só ficam bem na fotografia!

(Artigo originalmente publicado na edição de 01/10/2016 do Diário do Minho)

Marta Sofia Silva
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