O jornal Público, na edição do passado dia 8 de setembro, publicou, a propósito do recente atropelamento de um grupo de ciclistas na cidade de Braga, uma interessante reportagem sobre o excesso de velocidade nesta cidade e do perigo que esse excesso representa, sobretudo para quem circula de bicicleta.

Na reportagem, que pode ser lida na íntegra na edição digital do jornal, o jornal relembra o recente atropelamento, que aconteceu numa via urbana cuja velocidade máxima está atualmente fixada entre os 50 e os 70 km/h, mas onde é habitual haver carros a circular a velocidades superiores a esses limites legais. O Público escutou a opinião de Mário Meireles, presidente da Associação Braga Ciclável, que resumiu a principal origem do problema, denunciando que as velocidades reais estão muito acima desses valores. Opinião que foi corroborada pelo vereador do Urbanismo da Câmara de Braga, Miguel Bandeira, que confirmou que nessas avenidas “são atingidas velocidades verdadeiramente escandalosas”.

A propósito deste assunto, o jornal Público ouviu ainda a análise de José Carlos Mota, professor da Universidade de Aveiro e um dos autores do Compromisso pela Bicicleta. Segundo aquele especialista, as cidades como Braga, nas últimas décadas têm sido “construídas para facilitar a vida ao automóvel, privilegiando sempre o aumento da carga e da velocidade”. É precisamente o que sucede em Braga, em que existe um conjunto de avenidas desenhadas e construídas de um modo que, apesar de se encontrarem em zonas de cariz marcadamente residencial, incentiva os condutores a velocidades elevadas, em vez de promover a necessária acalmia de tráfego.

O Público alerta ainda que “o acidente de 21 de Agosto não foi o primeiro envolvendo automóveis e ciclistas que terminou com vítimas mortais”. Nos últimos 17 anos, há registo de 19 ciclistas feridos gravemente e duas mortes na sequência de atropelamento. Adicionalmente, como já temos vindo a alertar, há um grande número de peões que todos os anos são vítima de atropelamento por parte de veículos automóveis. Nos mesmos 17 anos, “houve 49 mortes por atropelamento de peões em Braga e 2026 acidentes envolvendo automóveis e pessoas que circulavam a pé”.

Por esses motivos, urge encontrar soluções, que, seguindo os exemplos das melhores práticas já testadas em diversos países europeus, a Braga Ciclável defende que terão de passar em primeiro lugar por medidas efectivas de acalmia de tráfego. Nas palavras de Mário Meireles, “há sempre outras questões, mas o fundamental é sempre a velocidade”. E explica: “em todos os exemplos europeus de uso da bicicleta, a primeira medida é sempre a acalmia da velocidade”. Como exemplo, aponta a cidade de Pontevedra, na Galiza, que nos últimos anos limitou a velocidade máxima de circulação a 30km/h. E o especialista José Carlos Mota dá outro exemplo bem conhecido, de uma cidade bem maior, Barcelona, onde existem “várias vias estruturantes com velocidade máxima limitada a 30km/hora. Se numa cidade daquela dimensão é possível, nas cidades portuguesas também, desde que haja vontade política”.

Há dois anos, relembra o Público, a autarquia tinha prometido criar uma rede ciclável com 76 quilómetros e pôr ciclovias à porta de casa de cem mil pessoas. O projeto continua na gaveta, no entanto, segundo o vereador Miguel Bandeira, devido a atrasos na execução de fundos comunitários. Miguel Bandeira afirma que a autarquia está já a trabalhar em duas medidas de acalmia de tráfego. Assim, nos próximos meses, deverão ser colocados semáforos no atravessamento da Avenida Júlio Fragata, possibilitando também um atravessamento mais eficaz entre a zona da Universidade do Minho e o centro da cidade. Outra medida, já em execução, é a instalação de quatro radares de velocidade, nas avenidas Frei Bartolomeu dos Mártires e Carrilho da Silva Pinto (junto à universidade).

A Braga Ciclável saúda o jornal Público por abordar este tema importantíssimo para a cidade de Braga. São também muito bem-vindas também as iniciativas anunciadas com vista à redução da velocidade dentro da nossa malha urbana. Consideramos, contudo, que são necessárias ainda mais medidas efetivas de acalmia de trânsito e melhoria de acessibilidades para peões, ciclistas e transportes públicos, as quais devem ser devidamente articuladas numa estratégia global de mobilidade sustentável.

Reportagem no jornal Público sobre o excesso e velocidade e atropelamentos a ciclistas em Braga

Braga Ciclável

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A Associação Braga Ciclável representa os cidadãos que utilizam ou desejam começar a utilizar a bicicleta na cidade de Braga, como meio de transporte e pretende contribuir para a melhoria de condições de segurança e conforto, com vista a expandir esse uso e tornar Braga uma cidade onde seja mais seguro e mais agradável viver. Vamos fazer de Braga uma cidade mais amiga dos peões, das bicicletas e dos ciclistas!
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