No passado dia 5 de Junho, decorreu em Braga o II Braga Cycle Chic, organizado pela Associação Braga Ciclável. Este evento juntou, pelo segundo ano, cerca de duas centenas de pessoas que pedalaram pelo centro da cidade de Braga vestidas a preceito.

O conceito de Cycle Chic, que tem origem num blogue de Copenhaga criado em 2007 por Mikael Colville-Andersen, não tem subjacente nenhuma ideia elitista, pretendendo apenas encarar a bicicleta como mais um acessório que complemente a indumentária do dia-a-dia, indo em contradição com uma visão da bicicleta centrada na sua vertente desportiva. No fundo, é olhar para a bicicleta numa visão próxima do seu conceito original e que levou à sua invenção em finais do século XIX, um útil instrumento de uso diário.

Voltar a encarar a bicicleta como um instrumento de mobilidade de uso diário e não apenas como um acessório de lazer, é um desafio para as cidades modernas, que podem ter aqui um poderoso instrumento de resposta aos desafios ambientais e às crescentes necessidades infraestruturais (destruidoras do território) levantadas pelo automóvel. Estimular a utilização de meios de transporte suaves e de transportes públicos, criando condições para uma intermodalidade entre ambos, conduziria a significativos impactos ambientais, de saúde, económicos e na forma como é vivida a Cidade. Cidadãos menos dependentes do automóvel, teriam maior acessibilidade aos centros urbanos e torná-los-iam parte do seu dia-a-dia. Tal traduzir-se-ia não só em impactos positivos no comércio de proximidade, mas também na dinâmica social reforçada pelos sentimentos de comunidade gerados entre os cidadãos que abdicam da solidão do automóvel e passam a partilhar um espaço comum.

O que fazer para atingir esse objectivo e ter taxas de utilização de bicicleta como Amesterdão ou Copenhaga é aquilo que se poderia considerar a “pergunta para um milhão de dólares”. No entanto, no caso particular de Braga, enquanto a disponibilidade financeira e os fundos europeus não permitem a construção dos 76km de ciclovias previstos no Plano Director Municipal, concentremo-nos em pequenas acções que possam contribuir para uma cidade “mais ciclável”, por exemplo, limitar e controlar a velocidade automóvel na cidade a 30 e a 50 km/h. Com pequenos passos, faremos de Braga uma cidade onde pedalar para além de chic, seja útil e seguro.

RRua_Gusman


(Artigo originalmente publicado na edição de julho de 2016 da Revista Rua)

Zé Gusman

Zé Gusman

Minhoto, físico de formação, interessado por questões ambientais, atleta nos tempos livres e que usa a bicicleta no dia-a-dia.
Zé Gusman

Latest posts by Zé Gusman (see all)

%d bloggers like this: