Todas as semanas têm sido publicados nesta crónica, artigos (brilhantes) dos meus colegas da Associação Braga Ciclável acerca do uso diário da bicicleta em Braga.

Comum a todos é o “sonho” de transformar a cidade de Braga numa cidade receptiva aos utilizadores de bicicleta, um cenário ainda distante de acontecer. Têm sido apontadas inúmeras falhas e muitas soluções mas os problemas continuam os mesmos: faltam as infraestruturas na cidade que não transmitem segurança aos utilizadores, falta sinalização que proteja os ciclistas e ao mesmo tempo que os incentive a continuar mas acima de tudo, falta vontade, vontade de concretizar ideias. Como se costuma dizer “ de boas intenções está o inferno cheio” e esta é a nossa realidade: fala-se muito e faz-se muito pouco.
O tempo passa, os problemas arrastam-se, os estudos saltam de gabinete para gabinete e a “batata quente” vai saltando de mão em mão sem que ninguém tome efetivamente conta dela.

Vivemos numa cidade e num país de teóricos. Estudos e mais estudos para tudo e mais alguma coisa. Seremos sempre eternos estudantes que nunca saem da universidade para o mundo real em que efetivamente é preciso passar à ação, apresentar resultados e tirar proveito de tantos estudos.

Estes estudos – imprescindíveis segundo os entendidos – demoram demasiado tempo a ficarem concluídos, as burocracias demoram ainda mais tempo a resolver problemas e nestes “entretantos” continuamos estagnados no tempo, atrasados em coisas tão simples e tão básicas como a “batalha” que aqui nos move.

A título de exemplo, uma situação já referida numa destas crónicas mas que ainda persiste: em frente ao Banco de Portugal existe um estacionamento para bicicletas há dois anos sem qualquer sinalização. Foram já feitos inúmeros apelos e pedidos mas a sinalização teima em não aparecer e as motas continuam a apoderar-se do local. E a questão mantém-se: é assim tão complicado colocar naquele local um sinal que devolva aquele estacionamento aos ciclistas?

O problema está na falta de meios ou na aparente falta de vontade de quem os ordena?


(Artigo originalmente publicado na edição de 09/04/2016 do Diário do Minho)

Manuela Sá Fernandes

Manuela Sá Fernandes

Consultora imobiliária. Jurista.
Manuela Sá Fernandes

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