Desde a sua invenção, a utilização principal da bicicleta era nada mais, nada menos o meio das pessoas se moverem dentro das localidades! A roda foi reinventada e com ela o pneu, que por mera curiosidade, foi inicialmente pensado para tornar mais confortável a deslocação de bicicleta! Logo Michelin, a famosa marca de pneus, revolucionou o mundo das rodas, criando pneus para bicicletas, coches e futuramente, contrariando os fabricantes, alterou o conceito dos automóveis!

As atenções foram desviadas e o amante de bicicletas foi-se “divorciando” e passando de duas para quatro rodas, de locomoção a pedais para locomoção a motor, do acessível para o inalcançável, do relaxante para o “stressante”…

Na maioria das cidades a mentalidade do cidadão centrava-se no acesso para automóveis, no estacionamento para os mesmos e o sistema de mobilidade foi projectado para os automobilistas circularem sem engarrafamentos, sem ter sido colocada a questão da quantidade de automóveis. A indústria automóvel foi um sector que cresceu em massa, juntamente com a construção de mais acessos e “vias rápidas” que rasgaram as cidades, criando a ilusão de velocidade e conveniência.

Conforme se foram formando engarrafamentos, foram-se adaptando as estradas, as cidades para diminuir essa falha, mas devido ao elevado consumo dos automóveis, as filas aumentaram e com isso a qualidade do ar e ambiental foi piorando. As cidades tornaram-se inimigas das pessoas e amigas dos carros…

Porque não somos mais como Amesterdão ou Copenhaga? Desde bem cedo (por volta de 1930) já projectavam a cidade a pensar nas pessoas, na poluição e na qualidade de vida do cidadão! Existe pelo menos uma bicicleta por cada três habitantes em Copenhaga… nelas circulam: o pobre, o rico e o remediado; o operário, o deputado, o aluno, a professora, etc.. Não há distinção entre estratos sociais ou classes sociais, todos são cidadãos por igual que utilizam o mesmo meio de transporte: ecológico, económico e simples!

Os países nórdicos são uma referência e um exemplo para os países da Europa do Sul, onde nos encontrámos.Porque não seguir-lhes o exemplo nas questões da mobilidade urbana?

Rosinha Silva

Rosinha Silva

Engenheira química, do ambiente e da vida em duas rodas.
Rosinha Silva

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