Durante duas semanas, representantes de 195 países e da União Europeia, estiveram reunidos na cidade-luz para um sem-número de negociações (in)tensas que resultaram num acordo muito aquém das expetativas iniciais. Se, por um lado, podemos falar em sucesso no que diz respeito à imposição da meta realista de 1.5°C como valor limite para a subida da temperatura média, tal como na restrição ao uso de combustíveis fósseis, por outro, o facto de a limitação das emissões dos gases com efeito de estufa de cada país e do seu total global, não fazerem parte do rol de medidas vinculativas contempladas no acordo, faz com que o rescaldo da Conferência do Clima, de Paris, tenha um sabor agridoce.

Mas se, a nível global, os valores capitalistas se sobrepõem à consciência de que o nosso planeta está a morrer às nossas mãos e de que não temos outro para onde ir, a nível local, todos temos a obrigação, enquanto cidadãos, de nos consciencializar de que pequenos gestos do quotidiano podem contribuir para de alguma forma retrair e, quiçá, reverter o processo de deterioração da Terra.

Entre muitos outros, pedalar é exemplo disso. Sim, porque para aqueles que consideram que pedalar em meio citadino não passa de um capricho de um grupo de pessoas reacionárias e obstinadas, deixem-me dizer-vos que são essas mesmas pessoas que estão a contribuir para que os vossos filhos, os vossos netos, possam vir a ter alguma qualidade no ar que venham a respirar. Pedalar tem muito de egoísta pelo prazer que nos proporciona a nós, utilizadores da bicicleta, mas tem muito mais de altruísta pela consideração que demonstramos para com uma sociedade que teima em não reconhecer os danos de uma produção desmesurada de CO2, para com um planeta que não é inesgotável. Façamos da máxima “think global, act local” a nossa filosofia e lembremo-nos de que andar de bicicleta é, acima de tudo, uma atitude de educação para a cidadania e de respeito próprio e para com o próximo. Respeitemos o Mundo, respeitemos Braga.


(Artigo originalmente publicado na edição de 19/12/2015 do Diário do Minho)

Marta Sofia Silva
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