Acordar na última, tomar o pequeno-almoço no elevador, entrar no carro, o saber que se não chega à rotunda dentro de 5 minutos não vai chegar ao trabalho a horas e o carro de trás já está a buzinar. A rádio diz que a rotunda do Relógio tem 30 minutos de filas e por aqui pensamos: ai, ainda bem que não vivo em Lisboa. Estas são as primeiras horas do dia da maioria dos portugueses. Como se estas primeiras horas não fossem horas a sério, como se não contassem, o correr como se o dia apenas começasse quando uma pessoa se senta a trabalhar, tudo até aí é preparativo. O ritmo corrido dos nossos dias, a glorificação da pressa, apenas o destino interessa, nunca o caminho.As cidades estão desertas e às 7h30 começa-se a ouvir o zumbido dos carros. 1 pessoa – 1 carro. Uma bolha, vidros fechados, todos os dias o mesmo trajeto, a monotonia do tempo porque este tempo deixou de ter valor. O que interessa é chegar. E depois voltar e chegar a outro lado. A cidade que deixa de existir para ser apenas um espaço entre pontos de partida e destino. As cidades só fazem sentido enquanto espaços para pessoas. Os negócios, os cafés, os museus, as lojas, os jardins, as esplanadas, as praças não foram criados para os sábados à tarde e domingos soalheiros. As cidades têm uma vida própria em conjunto com as pessoas que pisam as ruas e quem vive entre pontos, entrando e saíndo do carro não a conhece. As cidades do século XXI terão de descobrir o que querem ser – se um aglomerado de dormitórios ou espaços de convívio, onde as pessoas abraçam outros espaços fora da sua sala de estar.

Nova Iorque, uma das cidades mais apressadas do mundo, decidiu em 2008 criar vias cicláveis por toda a cidade e os resultados foram impressionantes – numa cidade com 20 milhões de habitantes a correr de um lado para o outro, a mudança do paradigma da mobilidade conduziu a uma diminuição dos acidentes automóveis em 25%, diminuição de 10% da emissão de gases de efeito de estufa, aumentos de cerca de 50% no consumo

Junte-se a nós. Saiba mais em: www.bragaciclavel.pt

Boas pedaladas!


(Artigo originalmente publicado na edição de 20/6/2015 do Diário do Minho)

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