O Braga Ciclável aceitou o convite da Vereadora da Juventude e do Desporto para se juntar à visita do novo executivo camarário à via pedonal ciclável do Rio Este efetuada na passada Terça-Feira durante a tarde.

Na visita estiveram presentes o Presidente da Câmara de Braga, Dr. Ricardo Rio, os Vereadores Dr. Firmino Marques, Eng. Altino Bessa e a Drª. Sameiro Araújo. Para além do Braga Ciclável, foram convidados e participaram os presidentes da Associação de Cicloturismo do Minho, Amadeu Alves, e do Clube de Cicloturismo de Braga, José Alves.

In loco demos o nosso parecer sobre algumas questões técnicas que podem ser melhoradas nesta via.

O acesso pela zona Este faz-se de uma forma abrupta e algo deselegante. Para além dos acessos e terra batida, criados há muito pelas passadas e pedaladas das pessoas, temos um cano de esgoto que torna a entrada no “túnel” por baixo da Av. Padre Júlio Fragata ainda mais baixa (2,00m).Um ciclista que tenha 1,90m (poderá ser por exemplo um cicloturista do centro da Europa, ou algum bracarense mais alto) em cima de uma bicicleta vai ganhar uma cabeça rachada ao passar aqui.

Começamos por explanar as medidas mínimas para este tipo de vias recorrendo à brochura de técnicas / temáticas com o título “Rede Ciclável – Princípios de Planeamento e Desenho” do IMTT.

Para uma pista ciclável partilhada com peões – mista, a largura mínima da via deve ser de 2,5m (mínimo) ou 3 m(aconselhado) – É o que atualmente existe.

Para o caso de uma pista ciclável partilhada com peões – separada a largura mínima deverá ser de 3,7m (pista ciclável bidirecional com 2,20m + 1,5m de passeio.)

A nosso ver o ideal seria termos uma pista ciclável partilhada com peões – separada para evitar os conflitos entre peões e velocípedes e possíveis acidentes. No entanto podemos ver que em alguns sítios esta via tem 2,88 metros de largura e noutros sítios 1,5 metros de largura.

A necessidade de sinalização horizontal e vertical ao longo da via é, a nosso ver, fundamental. Com a sinalização horizontal passamos a ter uma pista ciclável partilhada com peões – separada. Como vimos anteriormente é então imperativo que a mesma possua 3,7m nas zonas partilhadas. Nas zonas onde a via é mais estreita sugerimos que aí sejam criadas vias exclusivas separadas, uma para bicicletas e outra para peões, para evitar situações como estas:

Por exemplo na Rua Bernardo Sequeira a via partilhada passa de forma desnivelada, perto do rio, e existe uma passagem exclusiva para peões ao nível da Rua. Faria então todo o sentido que a passagem desnivelada se tornasse exclusiva para ciclistas.

No entanto esta via desnivelada já ficou submersa na semana passada e as chuvas ainda agora começaram.

Um outro problema encontrado ao longo de toda a via é a colocação dos bancos junto da via, acabando por tirar algum espaço à mesma quando as pessoas se encontram sentadas nos mesmos. Esta questão resolver-se-ia com a colocação dos bancos afastada 0,50m da via, por exemplo.

Antes de chegarmos à Rua Bernardo Sequeira existe um problema, a ponte que leva a via pedonal ciclável para a outra margem está colocada de modo a fazer um ângulo de 90º com a via. Estes ângulos aumentam o conflito entre peões e ciclistas numa pista ciclável partilhada com peões – mista, que, por ter esta designação, já possui muitos conflitos.

Na zona de Santa Tecla temos um mau aproveitamento do espaço existente junto do ringue desportivo de santa tecla, com a existência da via pedoanal ciclável paralela a um passeio de 1m de largura separado por 0,80m de terra. Este é um dos troços que revela problemas de iluminação. Temos também uma ponte mal colocada que cria mais um ângulo de 90º problemático.

No sítio onde a via pedonal ciclável encontra o passeio da Rua Professor Machado Vilela encontramos duas situações, uma é a manutenção do passeio. Ora se esta é uma via pedonal ciclável porque não aproveitaram e alargaram esta via integrando o passeio nela? O passeio ficava com o mesmo (bom) piso da via pedonal ciclável e a largura seria mais que suficiente para tornar a mesma separada, em detrimento de mista. A segunda situação é o cruzamento com um passeio que vem da ponte. Este cruzamento devia ser bem assinalado e bem iluminado. Não é o que acontece. No caso de um ciclista vir na via pedonal ciclável não encontra nenhuma indicação de que ali existe um passeio a cruzar a mesma.

Quando a via pedonal ciclável encontra a 31 de Janeiro tem uma solução que, segundo o Engenheiro da obra presente na visita, foi desenhada e decidida pela divisão de trânsito do anterior executivo da Câmara Municipal de Braga.

Uma solução muito pouco elegante quando o projeto inicial contemplava a única solução possível e imaginária para esta zona, vejamos:



A vermelho encontra-se o atual percurso da via pedonal ciclável, pintado a amarelo no passeio e passadeira da Av. 31 de Janeiro.

A travessia da Av. 31 de Janeiro deve ser revista pois um velocípede e um peão pretendem o caminho mais curto, mais rápido e mais agradável e nunca o caminho mais longo e sinuoso. Posto isto achamos que deve ser criada uma passagem direta com marcação de passadeira e de passagem para bicicletas, tal como o projeto inicial previa. Algo como se fez aqui tão perto, no Porto:

Após a 31 de Janeiro encontramos os Galos. Ficamos a saber que a obra ainda contempla um piso betuminoso para esta zona que melhorará consideravelmente a deslocação na mesma.

Para além do piso existe ainda a questão do sinal de proibido que impede a circulação entre a zona dos galos e a Av. 31 de Janeiro. É necessário colocar ali a exceção para velocípedes e no sentido contrário colocar um sinal a avisar sobre a possibilidade de circulação de velocípedes e/ou peões no sentido contrário.

Passada a zona dos galos entramos novamente na designada via pedonal ciclável. Esta entrada é feita com dois ângulos de 90º e numa entrada bastante estreita.

Logo a seguir encontramos mais uma ponte a fazer dois ângulos de 90º com a via, aumentando assim os pontos de conflito entre peões e ciclistas.

Passando a Rua dos Barbosas – onde durante a noite verificamos mais um problema de iluminação – encontramos a passagem inferior à ponte de São João. Esta ponte pode ser considerado como o ponto mais negro da via pedonal ciclável pois a entrada e saída da mesma é feita numa curva fechada e sem visibilidade o que faz com que não se percecione se vem alguém a entrar ou dentro da ponte. Este problema poderia ser resolvido com a marcação da via, tornando-a separada.

Passada a ponte chegamos à melhor parte da via pedonal ciclável. Larga e com espaço para alargar mais se necessário. Até à Rua do Couteiro -traseiras do Parque de Exposições de Braga (PEB)- a via pedonal ciclável é bastante agradável.

Chegados à Rua do Couteiro temos… uma passadeira. Um ciclista tem que desmontar para passar a estrada e continuar a pedalar (poucos o fazem). Isto seria resolvido com mais uma passagem para ciclistas, tal como a imagem anterior do exemplo do Porto.

De um dos lados a passadeira é resguardada por uma lomba, do outro lado não temos qualquer tipo de medida de acalmia de tráfego.

Ao passarmos a passadeira (que possui um bueiro perigoso para algum tipo de ciclistas) encontramos uma via pedonal ciclável com pouco mais de 2m. Mais uma vez poderia ser encontrada uma solução criando uma zona apenas para ciclistas e outra apenas para peões.

Chegando ao cruzamento que dá acesso ao armazém da FOC deparamo-nos com mais uma passadeira, onde o ciclista deverá desmontar. A solução já foi aqui apresentada.

Outra particularidade desta zona é que entre o antigo moinho aqui presente e o Jardim de Infância e Escola do 1º Ciclo da Ponte Pedrinha temos a via pedonal ciclável com cerca de 2m, com o Rio Este de um dos seus lados, e do outro lado temos uma zona de 0,80m relvada e um passeio mais ou menos com a mesma largura… Não faria sentido aproveitar todo este espaço para a via pedonal ciclável?

No Jardim de Infância e Escola do 1º Ciclo da Ponte Pedrinha teria que ser desenhada uma alternativa pela outra margem do Rio para as bicicletas, aproveitando a ponte já existente, uma vez que do lado onde está a via pedonal ciclável a largura não é suficiente para albergar peões e ciclistas.

Aliás, o projeto inicial previa que a via ciclável circulasse exatamente pelo lado onde agora sugerimos que seja criada a alternativa (e que é bem mais largo do que o atual local da via). Vejamos como era o desenho do projeto nesta zona:



A roxo encontra-se o atual percurso da via pedonal ciclável.

Ultrapassando as traseiras do campo do Maximinense encontramos mais uma ponte com o problema que tem vindo a ser apontado, foi colocada a fazer um ângulo de 90º com a via.

Passamos então para a outra margem e notamos que aqui a via poderia ser alargada de modo a ser também marcada e passar a sua designação a separada em detrimento de mista.

Acaba sem um lancil que permita o transbordo do ciclista da via pedonal ciclável para a estrada.

Achamos fundamental prolongar esta via para Este, não só até aos campos da rodovia, mas até ao Meliã (pelo interior do INL), fazendo depois a ligação ao Campus Universitário de Gualtar permitindo assim que os estudantes se desloquem em segurança entre o Campus e as residências universitárias.

Iluminação

A manutenção das luzes, que têm estado em grande parte apagadas e a colocação de iluminação nos túneis (contemplado no projeto inicial) também é fundamental para a segurança de quem transita nesta via.

Segurança

Colocar a Polícia Municipal e/ou a Polícia de Segurança Pública e efectuarem rondas em bicicleta por esta via parece-nos também ser uma solução para possíveis problemas de segurança, já existem ciclopatrulhas em Lisboa,Porto, Coimbra, Vila Franca de Xira, Oeiras, Açores. Braga acolheria, certamente, muito bem esta ideia.


© Foto:Bike17ECO

Numa altura em que muito se pergunta qual o papel da Polícia Municipal parece-me que esta seria uma ótima resposta. É sempre bom relembrar que a 2ª Esquadra da PSP de Braga se mostrou recetiva à ciclopatrulha, mas faltavam as bicicletas.

Estacionamentos

Esta via ciclável ainda não possui nenhuma infraestrutura de estacionamento para bicicletas, no entanto a mesma é contemplada no projeto:


Aconselhamos que a escolha destas infraestruturas tenha em consideração as 3 tipologias adequadas possíveis, e esperemos não ter mais “empena rodas”.

Rede Ciclável

Achamos ainda imperativo existir uma aposta nas ligações entre esta via ciclável e a cidade, servindo quem vai da Universidade para o centro e vice-versa, possível com o recurso a alguns sinais de trânsito e a algumas marcações indicativas. Esta via não serve este propósito, por exemplo.

É necessária uma rede ciclável que sirva a cidade e os ciclistas.

É necessário permitir a circulação de bicicletas na zona pedonal (com limite de velocidade de 15 km/h – tal como em Barcelona).

É necessário que a CMB permita a circulação de bicicletas nos corredores BUS – o código da estrada que entra em vigor em Janeiro de 2014 deixa esta decisão nas mãos dos executivos camarários.

É necessário colocar mais estacionamentos pela cidade e sinalizar devidamente aqueles que já existem.

Ricardo Rio promete corrigir e aumentar ciclovias

No final da visita, o executivo, pela voz do Presidente da Câmara Ricardo Rio, anunciou que, durante o próximo ano, a via pedonal ciclável se vai prolongar no mínimo até ao parque desportivo da rodovia e corrigir problemas ao nível da iluminação, da clarificação da circulação respeitando os preceitos do IMTT sempre que possível. Para além disto anunciou ainda a intenção de reforçar as vias cicláveis na malha urbana aproveitando o estudo do professor António Babo (que mereceu a análise do Braga Ciclável) e refletir sobre as ciclovias nele propostas e ainda concretizar neste mandato toda a ecopista que vai atravessar a margem do Cávado – um projeto existente no quadro da CIMCavado.

Podem ver as palavras do Presidente da Câmara no final da visita neste video:

Mário Meireles
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Mário Meireles

Engenheiro de Mobilidade Urbana - Interfaces Físicos at TUB - Transportes Urbanos de Braga
Utilizador diário da bicicleta como meio de transporte é licenciado em Engenharia Informática, mestre em Engenharia Urbana: Cidades Sustentáveis e PhD Student na área dos transportes e mobilidade.

A sua dissertação de mestrado teve como título "Como Promover a Mobilidade Ciclável em Portugal. O caso da cidade de Braga."
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